terça-feira, 15 de abril de 2008

Quando eu vi Jesus eu vi a luz



A nossa igreja recebeu o Pr Ronaldo Lidório (na foto no meio de óculos eu e Anne Mary)
Foi um momento especial, poucas pessoas têm tanto testemunho e serviços prestados ao Reino quanto o Ronaldo, sua passagem pela África foi marcada por grandes transformações na vida de um povo, abaixo o Ronaldo escreve um pouco sobre isso

Queridos,

A conversão de Makanda, filho de Mebá, do clã Sanbol dos Konkomba de Gana é um daqueles fatos que marcam nossas vidas.

Revisando o livro Konkombas para uma reedição em breve, tive o privilégio de consultar alguns dos primeiros convertidos entre os Konkomba-Bimonkeln a fim de preparar um capítulo dedicado especificamente a testemunhos pessoais. Fiquei admirado e alegre ao receber relatos tão intensos de pessoas como Mebá, Labuer, Kidiik e Makanda. É a história contada pela ótica de quem a experimentou.

Makanda é um rapaz brilhante e sincero. Após sua conversão foi rapidamente apontado como presbítero pela igreja ainda germinante e pouco a pouco passou a cooperar com o trabalho de saúde que Rossana iniciava. Hoje é um dos mais respeitados líderes Konkombas da região e está a frente da clínica em Koni. A época de sua conversão é setembro de 1995, que ele aqui aponta como "a época do inhame puná, um ano após a grande chuva". A "luz" a que ele se refere no seu testemunho são os primeiros raios da manhã que, na cultura Konkomba, significa esperança, ou seja, um novo dia em que algo bom pode acontecer.

Vale a pena ler seu relato que transmite alegria e aquece a alma.

Ronaldo e Rossana


“Antes de sermos cristãos nós adorávamos um fetiche chamado babasu que se localiza na aldeia de Sibru. Meu pai era feiticeiro grumadii mas eu estava a procura de algo novo.


Nós críamos que ele poderia curar ou ajudar aqueles que se devotavam a ele. Apesar de grumadii ser o fetiche invocado em Koni, em minha mente babasu era merecedor de devoção pois havia ouvido inúmeras histórias sobre seu poder.

Certo dia viajei até Sibru para trabalhar nos campos de inhame do feiticeiro local, e ali permaneci até o dia do sacrifício. Há vários tipos de sacrifícios, mas naquela manhã ele sacrificaria galinhas. Elas eram mortas com uma pancada na cabeça e todos observavam atentamente a forma como cairiam no chão, finalmente imóveis. Se elas caíssem com as pernas para cima significa que o espírito havia rejeitado o sacrifício. Com as pernas para baixo havia sido aceito.

Neste dia o sacrifício foi aceito e o sangue foi derramado, cuidadosa e lentamente, sobre um altar de pedra, uma espécie de mesa de pedra negra. A cor escura, eu cria, era devido ao sangue que ali era derramado constantemente. Após a cerimônia o feiticeiro local deu-me uma castanha como sinal de que o sacrifício havia sido aceito, e conseqüentemente o espírito levaria em consideração meu pedido, que era de proteção da morte e prosperidade.

Quando retornei a Koni continuei a servir babasu participando de sacrifícios e cerimônias e fiz o nome de babasu bem conhecido em nossa aldeia. De certa forma eu seguia os passos de meu pai, que trouxe a adoração a grumadii para aquela região. Também comecei a beber bastante. Lembro-me, inclusive, que estava um pouco bêbado quando o homem branco chegou pela primeira vez em nossa aldeia. Crianças corriam e choravam e todos estávamos curiosos para ver a ‘banana descascada’, como o chamávamos.

Nos meses que se passaram, porém, o homem branco não nos deixou. Víamos que ele sofria por não saber nossa língua e parecia sempre muito cansado. Ele, entretanto, aprendeu nossa língua em alguns meses e certo dia, sentados embaixo de uma castanheira, ele começou a nos falar sobre Uwumbor, um deus antigo e criador, mas que críamos estivesse perdido. Lembro-me de meus questionamentos: se Uwumbor é Deus mais poderoso que os espíritos, porquê não se manifesta como fazem os espíritos ? Por outro lado eu pensava: se Uwumbor for Deus, criador e mais poderoso, talvez seja quem nós procuramos. Era sabido por cada um de nós que grumadii e babasu, entre outros espíritos, não nos amavam. Algo, porém, nos fazia vacilar: como um estrangeiro nos ensinaria sobre o nosso próprio Deus ? Não parecia ser algo para nós.

Os feiticeiros começaram a acusá-lo de ser mentiroso e enganador. Também de perigoso ao utilizar de forma errada nossas histórias antigas. Curiosamente o vice-chefe da aldeia, do clã Binaliib, guardadores de fetiches, protegia o homem branco. O vice-chefe era homem conhecido por sua paciência e sabedoria, enquanto o chefe e seus filhos eram afoitos e guerreiros. A simpatia do vice-chefe nos fez pensar que talvez houvesse alguma verdade em suas palavras.

Certo dia o homem branco viajou e disse que voltaria. Pensávamos que ele não regressaria pois nossa região era muito distante, cortada por muitos riachos e planícies até chegar à terra dos Dabomgas, de onde ele poderia ir para algum outro lugar. Mas ele regressou e trouxe sua esposa, que sorria muito. Pareciam estar gostando do lugar e de nosso povo. Porquê estariam ali ? Pensávamos assim: será que foram expulsos de seu povo e precisam de um lugar para ficar ? Alguns sentiam pena deles, especialmente quando chegava a noite e víamos que não conseguiam dormir muito bem. Sempre diziam que estava quente, mesmo no inverno! Dormiam no pátio da casa do vice-chefe. Lá havia muita gente e não tinha muito espaço mas ninguém mais os queria receber. O vice-chefe, porém, parecia gostar deles. Quando eles falavam nossa língua todos queriam correr para escutá-los. Falavam engraçado e nós ríamos muito.

Um dia eles compraram um cabrito e prepararam alimento para várias pessoas. Convidaram os feiticeiros para o banquete. Todos na aldeia estavam curiosos para saber o que aconteceria. Treze feiticeiros compareceram, inclusive meu pai. A comida parecia boa e todos gostavam da forma como os brancos os alimentavam e lhes serviam água nas cabaças, se aproximando dos anciãos de cócoras e com respeito. Mas ao fim eles pediram permissão para lhes falar que tinham em mãos algo que lhes explicavam exatamente quem era Deus. Um livro que era a história de Deus. Todos ficaram muito encantados e prestamos atenção como este livro nos ensinava como as coisas haviam sido criadas. Algumas coisas eram parecidas com nossas histórias, outras meio diferentes, mas com muitos detalhes.

Ao fim, porém, houve um grande tumulto quando eles falaram que este Deus (Uwumbor), que criou a todos, não estava distante. Estava ali conosco, em Koni, nos observando, e triste porque adorávamos aos espíritos como se fossem Deus. Vários feiticeiros gritaram desafiando-os se Uwumbor era maior que seus espíritos. Alguns foram embora e outros permaneceram ouvindo. Gostávamos dos brancos, mas o que falavam era difícil de ouvir. No fundo acho que todos sabíamos que os espíritos que adorávamos eram maus e maliciosos. Na verdade sabíamos. Talvez nossa reação fosse por temor. E alguns pensaram assim: como estes brancos nos falam sobre nossos espíritos? Temíamos que nossos espíritos estivessem nos observando e que seríamos punidos se não os defendêssemos. Assim alguns gritaram com raiva dos brancos, mas de fato não estavam com raiva. Era apenas para que os espíritos não os punissem. Uwumbor, por outro lado, segundo os brancos, não precisava de defesa. Era algo curioso que me deixou muito pensativo. Fui para a roça sozinho no dia seguinte.

Certo dia alguma coisa em minha mente passou a me dizer que suas palavras eram verdadeiras, e isto me levou a desejar ouvi-lo ainda mais. Alguns falavam em matá-los, especialmente através de algum veneno conhecido. Seria fácil matá-lo pois eles comiam nossa comida e tomavam da nossa água. Moravam, porém, com a família do vice-chefe, que era conhecido como um homem bom e possivelmente não apoiaria o envenenamento. Mas acho que ninguém jamais conversou com o vice-chfe sobre isto. Mas eu não conseguia parar de pensar no que ele falava e fiquei pensando que, se Uwumbor realmente nos criou talvez não esteja tão longe.

Certo dia eu o ouvi pregar no meio da aldeia, enquanto as pessoas passavam, sobre o poder de Deus, o tema favorito do homem branco nos primeiros meses. Já que ele estava vivo mesmo falando tão mal dos espíritos talvez os espíritos não fossem tão fortes assim como pensávamos. Mas naquele dia ele nos falou sobre a salvação em Jesus Cristo e nos explicou a cruz. Foi diferente imaginar este Jesus, filho de Deus, e Deus feito gente, naquela cruz. Porque não fugiu ? Eu ficava pensando. Era a época do inhame puná, um ano após a grande chuva.

Não posso explicar muito bem o que aconteceu nem o momento exato que passei a crer em Deus mas em um certo momento eu vi a luz de Jesus perto de mim, e um sentimento de liberdade tomou conta de mim. Daquele dia em diante eu passei a contar minha experiência com Cristo com uma música.

‘Antes eu não sabia onde estava Jesus,

e eu procurava por caminhos de salvação.

Quando eu vi Jesus eu vi a luz’.

Muitas coisas aconteceram comigo depois, mas algo que ficou marcado era que, de alguma forma, Jesus parecia ser parte do nosso povo. Algo escondido que sempre procurávamos. Quando fui a procura de babasu, no fundo quem eu procurava era Jesus. Quando outros vão atrás de babasu, na verdade procuram é a Jesus.

Daquele dia em diante quando alguém me perguntava sobre Jesus eu alegremente respondia: quando eu vi Jesus, vi a luz.”

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Revolta no Inferno

Todo fim de ano o Diabo recebe um pequeno grupo para jantar no que chama de sua anticobertura, um duplex no último subsolo do Inferno, escolhendo entre as almas condenadas as mais interessantes e de melhor papo.

Os pratos são sempre grelhados e o vinho é de produção local, marca Diabo, mas o principal é que todos se divertem, falando mal de Deus e todo  mundo. Mas, ultimamente, a questão de quem merece e quem não merece estar no Inferno vem sendo muito discutida nos jantares, e as queixas dos que se acham injustiçados por estarem lá se multiplicam.

O Diabo tenta cortar os lamurientos da sua lista de convidados, mas não pode prescindir da presença de Oscar Wilde, um dos seus comensais favoritos, apesar das suas constantes críticas à comida, à companhia e à ausência de ar condicionado, e que foi quem primeiro expressou sua revolta. E o Diabo já sabe que em breve estará enfrentando uma verdadeira rebelião de almas pedindo revisão de sentença e perdão retroativo. E que seus jantares nunca mais serão os mesmos.

Tudo começou quando Wilde, fazendo uma cara feia depois de provar o vinho, comentou como estavam se tornando comuns, na Terra, o casamento entre homossexuais.

— Eu fui preso, execrado e excomungado por ser homossexual — disse Wilde. — Se fosse hoje, em vez de condenado e exilado, eu poderia ser, sei lá, um conselheiro matrimonial. Não faz muito, a mesma igreja anglicana  que me mandou para cá ordenou um bispo gay. O que é que eu estou fazendo aqui?

O Diabo tentou mudar de assunto, mas Wilde continuou:

— Me transfira para o céu, D.  Nada pessoal contra você, mas aposto que o vinho lá é melhor. Sem falar no clima.   

Não adiantou o Diabo argumentar que nem ele nem Deus são senhores dos tempos que mudam, ou da justiça divina, que não tem corregedoria ou apelação. Wilde só prometeu epigramas cada vez mais pesados, mas o Diabo se prepara para a gritaria dos indignados do Inferno.       

Como os que foram mandados para o Inferno por usura, no tempo em que era pecado. E — como gosta de lembrar o Diabo, com um sorriso malicioso — a Igreja ainda não inventara o Purgatório justamente para acomodar os usurários, pois sem eles não haveria empréstimo a juros, bancos e sistemas financeiros.

Hoje a usura não só é o que faz o capitalismo rodar como é o capitalismo financeiro que manda no mundo. E, principalmente, não é mais pecado, pois os juros não são mais uma abominação aos olhos do Senhor, e até a Igreja tem bancos. E os condenados por usura no Inferno perguntam se não têm direito à mesma respeitabilidade conquistada pelos banqueiros, que hoje enriquecem em vida sem o risco de as suas almas penarem na morte, e à absolvição.

Ou pelo menos a um up grade para o Purgatório.

Enviado por Luiz Fernando Verissimo para o Noblat http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

domingo, 6 de abril de 2008

52 garotas são retiradas de rancho de seita religiosa


Autoridades do Estado americano do Texas retiraram 52 meninas do rancho de uma seita poligâmica na tarde desta sexta-feira após uma adolescente de 16 anos que vivia no local ter feito uma queixa de abuso físico.
O Serviço de Proteção à Criança do Texas procura casas de abrigo e cuidados para as meninas, com idades de 6 meses a 17 anos. Dezoito delas estão sob custódia do Estado.

O proprietário do rancho na cidade de San Antonio é o líder da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Último Dia (FLDS, sigla em inglês), Warren Jeffs, que foi preso em novembro por 10 anos por cumplicidade em um estupro.

Jeffs foi condenado após ter forçado uma adolescente de 14 anos a se casar com seu primo.

Isoladas do mundo

O líder religioso, que se proclama profeta, aguarda outros julgamentos no Arizona, em que é acusado de ser cúmplice em quatro casos de incesto e conduta sexual com uma menor de idade fruto de dois casamentos arranjados.

O Serviço de Proteção à Criança do Texas afirmou que após entrevistar as 52 meninas decidiu que nenhuma vai retornar ao rancho.

"Estamos lidando com crianças que não estão acostumadas ao mundo exterior, por isso estamos tentando ser bastante sensíveis em relação a suas necessidades", afirmou Marleigh Meisner.

Poligamia

De acordo com o jornal San Antonio Times, um mandado de busca procura registros relacionados ao nascimento de crianças de uma adolescente de 16 anos e outros sobre seu casamento com um homem de 50 anos. Autoridades afirmaram que a garota ainda não foi encontrada.

Nenhuma prisão foi realizada e autoridades disseram que pessoas do rancho estão "ajudando nas buscas".

Acredita-se que cerca de 150 pessoas vivam no local.

A seita, que tem cerca de 10 mil seguidores e domina as cidades de Colorado City, no Arizona, e Hildale, em Utah, é uma dissidência da igreja Mormon.

Os integrantes da seita acreditam que o homem precisa casar com pelo menos três mulheres para subir ao céu. As mulheres, por sua vez, são ensinadas que seu caminho para o céu é a subserviência ao marido.

A poligamia é ilegal nos Estados Unidos, mas as autoridades relutam em enfrentar a FLDS por medo de provocar uma tragédia similar à que aconteceu em 1993 na sede da seita Branch Davidian, em Waco, no Texas, quando 80 fiéis morreram em choques com a polícia.
fonte; http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/04/080405_abusotexas_aw.shtml

sábado, 5 de abril de 2008

Ignorância mata


Essa menina bonita se chama Madeline Neumann. A última vez que viu um médico foi aos três anos, pois seus pais acreditam no Poder da Oração, não em meros remédios.

Por isso quando Madeline começou a se sentir mal, eles fizeram o que era sensato: Rezaram por ela. Juntaram amigos em casa, de seu Grupo de Oração, e por um mês depositaram toda sua fé pedindo ao Senhor que curasse Madeline, uma alegre menina de 11 anos.

Nas palavras dos próprios pais. “aparentemente não tínhamos fé o suficiente”, e sendo assim, Madeline morreu. Mas não se preocupe, a mãe dela acha que se rezar com bastante fé, Madeline pode ser ressucitada.

Os seculares e ateus médicos que fizeram a necrópsia descobriram que Madeline morreu de cetoacidose diabética, uma complicação da Diabetes Mielitus, uma condição que pode ser curada com fé, oração, intervenção divina ou insulina.

Como Madeline descobriu da pior maneira, o único com garantia de funcionar é a insulina.
Infelizmente Darwin pode ser bem cruel com criancinhas.
O pior é que os pais que ASSASSINARAM a pobre Madeline continuam com a guarda dos outros três filhos do casal.

fonte: Fox News [via Pavablog ]

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Arte no papel




É incrível a quantidade de coisa boa que a gente não aproveita por simplesmente só poder ser um e estar apenas e um lugar. Ainda bem que existe a internet, pelo menos dá pra ter um gostinho das coisas. Um tempo atrás houve um concurso de arte na Hirshhorn Modern Art Gallery em Washington, DC. O tema era qualquer coisa que utilizasse apenas uma única folha de papel. Os resultados são incríveis.
filado do corre negada

sábado, 29 de março de 2008

Onde está o milagre?


Ricardo Gondim.

Estudo no Programa de Mestrado da Universidade Metodista de São Paulo. Ao lado do edifício Capa, onde temos aula, fica a Clínica de Fisioterapia; ali, a cada instante, encostam na calçada, diferentes veículos com portadores de deficiências motoras - paralisia cerebral, paraplegia e tetraplegia. Quando chegam, não dá para evitá-los. Apesar de alguns alunos tentarem virar o rosto, nitidamente constrangidos, brilha a nobreza resiliente de mães que carregam crianças no colo; idosos, mesmo arrastando os pés, mantêm sua dignidade.

Ainda não me atrevi a entrar na clínica, mas imagino a abnegação de médicos, enfermeiras e fisioterapeutas; vejo até suor pingando e mãos agarrando cavaletes e argolas com sacrifício. Sei que lá dentro a vida segue numa toada diferente.
Aquele entra e sai de deficientes deve ter sido responsável por acabar o meu encanto com as bravatas dos milagreiros, pois já não me maravilho com testemunhos de cura que a televisão e o rádio anunciam em larga escala.
Realmente, não me intrigo com declarações de que serão curados “pela fé" todos os doentes que comparecerem "à vigília da segunda-feira" ou "à corrente dos 348" ou "à cruzada pró evangelização do mundo".

A Igreja Presbiteriana de Fortaleza foi meu berço religioso. Em meus primeiros passos, pouco falávamos em cura já que éramos "tradicionais" - uma versão light, porém fundamentalista, do evangelicalismo. Quando alguém em nossa comunidade ficava doente, repetíamos que o verdadeiro crente não se resigna, mas pede: “Seja feita a tua vontade”.

Depois que passei por uma experiência pentecostal e falei em línguas (tecnicamente chamada de glossolália), tornei-me um pentecostal de boa cepa. Compareci a muitas conferências sobre cura divina; duas, patrocinadas por Morris Cerullo - Londres e San Diego. Fui evangelista associado da Cruzada Boas Novas, do missionário Bernhard Johnson. Interpretei o Jimmy Swaggart em sua turnê pelo Brasil – Morumbi e Maracanã - Swaggart cria e falava em milagre, embora não fosse propriamente um pregador de cura.

Portanto, não sou neófito ou incrédulo no que tange o transcendente. Sei todos os versículos, todos os raciocínios, que fundamentam a lógica de buscar-se uma solução sobrenatural para as enfermidades. Ninguém precisa converter-me a esse pacote. Sei citar Isaías 53, Marcos 16, 1Coríntios 12 e tantos outros textos.

Acontece que a dor do mundo me alcançou na calçada de uma clínica de fisioterapia; ali se escancarou a angústia de milhões de mães e o meu coração se fechou para as antigas lógicas milagreiras.

Mesmo quando me sinto inclinado a acreditar nos pregadores de cura divina, sou lembrado que multidões de meninos e meninas morrerão de HIV/Aids em países como Congo, África do Sul, Moçambique e Angola. Quando sou tentado a ser condescendente com os Cerullos, os Benny Hinns e os R. R. Soares da vida, com as suas interpretações literais da Bíblia, lembro-me do mal estar que muitos doentes podem estar sentido naquele exato momento como consequência de uma quimioterapia.
Quando ouço promessas de milagre a granel, pergunto: - Quem vai ajudar a adolescente que não tem namorado porque nasceu com uma doença genética que lhe desfigurou?

Minha questão é: os religiosos deveriam querer lidar com um mundo real, que precisa de grandes intervenções, não de panacéias. Um ministro do evangelho não tem o direito de pregar que, “em tese”, todos serão curados e depois dar de ombros para os que não receberam a bênção dizendo que faltou fé.

O verdadeiro cristão deve buscar intervenções divinas onde o sofrimento se mostrar mais agudo. Eu me disponho a ajudar qualquer evangelista que tenha peito para dar plantão na calçada da Universidade Metodista. Vou buscá-lo e prometo interceder ao seu lado. Sinceramente desejo que os mais seqüelados voltem para casa pulando de alegria.

Sei de antemão que ninguém virá. A maioria está interessada em propagandear prodígios com o intuito de prosperar seus empreendimentos religiosos. Caso acreditassem nas interpretações que fazem da Bíblia, se ajoelhariam nos corredores das clínicas de câncer infantil, nas hemodiálises e na infectologia dos grandes hospitais.

Precisamos de outras respostas para o sofrimento humano; os pressupostos desses evangélicos, que anunciam cura com tanto estardalhaço, não abarcam a complexidade do sofrimento universal.

Proponho que os prodígios do Evangelho sejam outros; que a presença de Deus se revele no serviço, no amor solidário e na compaixão. Que as mãos e os pés de Deus sejam as mãos e os pés dos que não fogem da dor alheia. Não conheço os profissionais que se dedicam naquela clínica de fisioterapia; tenho certeza, porém, que todos encarnam a possibilidade de um milagre.

Ricardo Gondim em http://www.ricardogondim.com.br

Soli Deo Gloria.

Concordo com o texto, principalmente quando se refere aos milagreiros sem noção

Mas creio e sei que o Pr Ricardo também crê que Deus é soberano e pode fazer milagres

por quê Ele Vive

Em nome de Jesus

O drama da narrativa bíblica reflete, em muitos sentidos, um árduo esforço divino para eliminar da mente humana o conceito de magia: a noção de que, através de fórmulas mágicas ou procedimentos estabelecidos, Deus ou o universo podem ser manipulados para atingirmos o objetivo que temos em mente.

Desde a primeira página, um dos traços mais distintivos do Deus das Escrituras é que ele não faz barganhas. Não há ritual ou palavra mágica que possa torcer o seu braço a fazer o que queremos. Se Deus concede o que homens lhe pedem é reflexo da sua magnanimidade e da intimidade de relacionamento que ele propõe, jamais da habilidade humana em manipulá-lo.

Essa obsessão divina em apagar da experiência humana a idéia da magia explica muito nas filigranas dos mandamentos e da Lei de Moisés. Israel não deve ter “outros deuses além de mim”, entre outras coisas, porque os deuses dos outros povos são entidades manipuláveis – aceitam suborno, dobram-se diante do ritual certo, vendem-se por um sacrifício, negociam, especulam e cedem a barganhas. Deus sabe que não é assim que o seu universo funciona, e não quer que seu povo adote essa visão distorcida do mundo. Pela mesma razão ele deita rigorosas proibições contra feitiçaria, amuletos e toda espécie de adivinhação.

Os cristãos reincidem constantemente na magia.

O próprio regime de sacrifícios não pressupõe qualquer controle mágico do mundo; as prescrições deixam muito claro que trata-se de provisão graciosa para a purificação dos pecados, e não de instrumento de manipulação. Deus faz alianças e assina contratos que beneficiam outros além de si mesmo, mas não distribui senhas ou abracadabras. No mundo dele você pode pedir, mas não pode obter o que quer por mágica, isto é, pela força e pela argúcia.

O que o Primeiro Testamento elucida o Novo escancara: Jesus passeia pelo mundo demolindo a noção essencialmente mágica de favor prestado e retribuição. Deus – explica o Filho do Homem – não distingue méritos e não rebaixa-se a troca de favores, mas “faz que o seu sol se levante sobre maus e bons”. Seus filhos não devem recorrer a repetitivas fórmulas mágicas em suas orações, “porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes”. Não é o pecado nem o bom comportamento que explicam as desgraças ou as felicidades, porque o mundo não funciona pela lógica simplista e retributiva da magia (”Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas?”).

O universo – Jesus explica – funciona pela lógica singular da graça, não pela lógica humana da magia e da retribuição. Esta é, essencialmente, a natureza da boa nova do reino: Deus não pode ser manipulado a fazer o bem que já está disposto a fazer em primeiro lugar.

Porém a magia tem um brilho sedutor, e os cristãos resvalam periodicamente nela: recorremos cheios de esperança a óleos milagrosos, profetas curandeiros, caixinhas oraculares de versículos, bibliomancia, quarentenas de oração e copos d’água. Mesmo a obsessão cristã com o domingo é essencialmente mágica, quando o Apóstolo alerta a não cairmos na velha armadilha de “dias de festa, ou lua nova, ou sábados”, coisas que “têm aparência de sabedoria e de rigor ascético (…), mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne”.

O emblema final e mais eloqüente da capitulação cristã a uma visão mágica do mundo talvez esteja no abuso, popular à náusea entre evangélicos e pentecostais, da expressão “em [o] nome de Jesus”. Orar e pedir “em nome de Jesus”, conforme prescrito no Novo Testamento, era provavelmente para ser entendido como se lê; seria orar “como Jesus oraria”, ou pedir “imbuído do espírito de Jesus”. Com o tempo, o enfoque migrou do espírito para a letra; transferiu-se da pessoa e da postura de Jesus para as palavras, imbuídas supostamente de autoridade e poderes sobrenaturais (de forma semelhante ao Shem Hamphoras da tradição judaica medieval). O conteúdo reduziu-se a fórmula, abracadabra que abre – esperamos – todas as portas.

Por Paulo Brabo

[http://www.baciadasalmas.com]

Eu estou aqui



Mateus 28:20) - Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.

Não aguento mais esse não aguento mais

O refrão do "não agüento mais" cresce a cada dia. Pessoalmente abandonei o coral. Explico. Durante muito tempo acompanhei a caravana do reformismo. Hoje essa conversa me entedia e me aborrece. Primeiro porque não acredito mais em reformas, apenas em revoluções. Mas principalmente porque não mais acredito nisso que apontam como objeto de reforma.
A expressão "igreja evangélica brasileira" está fora do meu vocabulário. Não apenas porque inexata -- não existe a igreja evangélica brasileira, existem milhares de igrejas evangélicas no Brasil, mas também porque tomar a parte pelo todo é um equívoco.
O que não se agüenta mais é uma das faces da chamada igreja evangélica brasileira. Essa face da igreja evangélica brasileira (que, insisto, existe apenas como categoria sociológica) é absolutamente exógena, um corpo estranho, ao núcleo doutrinário e comunitário do que se chamou igreja evangélica brasileira.
Em outras palavras, o que não se agüenta mais na igreja evangélica brasileira não tem nada a ver com qualquer coisa que se possa associar ao termo igreja evangélica, sendo na verdade uma nova versão religiosa do Cristianismo. O Cristianismo, considerado nas categorias das ciências da religião, é uma religião, com muitas expressões condicionadas histórica, social e culturalmente, dentre elas o Catolicismo romano e Protestantismo reformado.
O que se convencionou chamar de igreja evangélica é o segmento do Cristianismo associado ao Protestantismo reformado. Nesse segmento surgiu um novo fenômeno tido como evangélico, mas que aos poucos começou a ser alvo dessas centenas de "não agüento mais". O que percebo é que esse segmento alvejado pelo "não agüento mais" não é um segmento do Protestantismo reformado e, portanto, conforme historicamente consensado no movimento evangélico brasileiro, não deveria estar associado ao nome "igreja evangélica".
Em outras palavras, no meu caso, dizer que não agüento mais isso equivale a dizer que não agüento mais o espiritismo kardecista ou o fundamentalismo islâmico. A respeito desse tal segmento da chamada igreja evangélica que inspira os "não agüento mais" eu não digo mais "não agüento mais".
Digo que é coisa que não tem nada a ver com a identidade evangélica e que, portanto, não é alvo do meu "não agüento mais", até porque nunca jamais agüentei. Escrever mais um artigo não agüentando mais isso é o mesmo que subscrever um artigo identificando as incoerências e inconsistências dos cultos afro e dizer "não agüento mais".
Ed René Kivitz

sexta-feira, 28 de março de 2008

Porta do Livramento

“Passo pela vida como um transeunte a caminho da eternidade, feito à imagem de Deus mas com essa imagem aviltada, necessitando de que se lhe ensine a meditar, adorar, pensar.” - Donald Coggan, Arcebispo de Cantuária

Retirado do livro celebração da disciplina de Richard J. Fortes

quinta-feira, 27 de março de 2008

Lula sai em defesa de "Severino Mensalinho"

 

Lula ultrapassou, ontem, no Recife, todos os limites da irresponsabilidade durante cerimônia de assinatura de ordem de serviço para a construção de obras financiadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento.

Ao elogiar o ex-presidente da Câmara dos Deputados Severino Cavalcanti (PP),  sugeriu que ele perdeu o cargo e foi obrigado a renunciar ao mandato por pressão das "elites paulistas e paranaenses".

De fato, Severino renunciou ao cargo e ao mandato porque se provou que fora subornado por Sebastião Buani, concessionário de um dos restaurantes da Câmara.

De Buani, Severino recebeu cheques mensais para permitir que o restaurante dele seguisse funcionando. Rastreou-se um cheque de R$ 10 mil que foi parar na conta de Severino.

- Eu continuo tendo o mesmo respeito, hoje, que eu tinha por você há muito tempo porque a relação humana não é feita apenas do momento - disse Lula. “A relação humana é feita de forma mais sadia.”

Antes, havia dito, apontando na direção do seu correligionário:

- Estou vendo ali um homem que foi presidente da Câmara. Ele foi eleito porque nossa oposição queria derrotar o governo, achando que o Severino ia ser contra o governo. Elegeram o Severino, mas não levou muito tempo para eles perceberam que o Severino não era oposição.

Não, não era mesmo. Era um dos mais fisiológicos deputados. Era conhecido como o Rei do Baixo Clero. Cobrou caro pelo apoio que deu ao governo. Indicou o ministro das Cidades. Recebeu outras benesses.

Severino renunciou ao mandato para não ser cassado. Tentou se reeleger deputado federal. Faltaram-lhe votos para isso. Quis emplacar um dos seus afilhados como secretário do governador Eduardo Campos (PSB). Não conseguiu. Tornou-se uma figura desprezível da qual costuma fugir a maioria dos políticos.

Até que... Até que Lula lhe deu a mão.

Que exemplo o presidente da República imagina que oferece ao distinto público ao se referir da maneira como o fez a um político acusado de corrupção?

Como pode dizer que continua respeitando Severino depois de saber que ele recebia propina?

Como pode cobrar respeito a quem quer que seja se desrespeita a todos dessa forma?

O PT fez Caixa 2 porque todo partido faz, admitiu Lula em 2005 no auge do escândalo do mensalão.

Os R$ 20 mil do publicitário Marcos Valério, embolsados pelo deputado Professor Luizinho (PT-SP), não passaram de "uma merreca", observou Lula ao sair em defesa do seu companheiro.

Vai ver que para Lula o comportamento de Severino não foi de todo reprovável. Vai ver que é por isso que o compreende, o estima e o exalta.

Definitivamente, a herança maldita do período Lula será a banalização dos maus costumes no trato da coisa pública.

Ricardo Noblat em seu blog

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

segunda-feira, 24 de março de 2008

OS DOMINGOS PRECISAM DE FERIADOS


  Toda sexta-feira à noite começa o shabat para a tradição judaica.
Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de
produção, inspirado no descanso divino, no sétimo dia da Criação.
  Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como
fundamental para a saúde de tudo o que é vivo.
  A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não
há pausa, a vida lentamente se extingue.
  Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser
suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós
mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma
necessidade do planeta.
  Hoje, o tempo de 'pausa' é preenchido por diversão e alienação. Lazer
não é feito de descanso, mas de ocupações 'para não nos ocuparmos'. A
própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a
incapacidade de parar é uma forma de depressão.
  O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas
condições. Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia.
Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia
com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia
pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma
expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo..
  Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A Internet e
a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem
dorme. As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar
e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN
inventou um tempo linear que só pode parar no fim.
  Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem
acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo
fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde
com o presente. As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de
um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o
domingo de um feriado...
  Nossos namorados querem 'ficar', trocando o 'ser' pelo 'estar'.
Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI - um dia
seremos nossos?
  Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante. Nunca
fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão
poucos...
  Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma
interrupção.
  O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair - literalmente,
ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua
vida. A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é 'o que vamos
fazer hoje?' - já marcada pela ansiedade. E sonhamos com uma longevidade de
120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de Domingo.
  Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se
mortalmente. É este o grande 'radical livre' que envelhece nossa alegria -
o sonho de fazer do tempo uma mercadoria.
  Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A
pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá
sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as
pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo
terminou e quando algo vai começar.
  Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais difícil do
que iniciar um processo do nada, seja dá-lo como concluído.
  Texto do Rabino Nilton Bonder,
  da Congregação Judaica enviado pela Anne Mary

domingo, 23 de março de 2008

Histórias bíblicas ganham versão em mangá, com ação e humor



MARCO AURÉLIO CANÔNICO
da Folha de S.Paulo

O personagem é um clássico: o forasteiro misterioso, calado e sombrio, que chega para libertar a cidade do domínio dos poderosos e corruptos do lugar.

Divulgação

Bíblia mangá de Siku traz do Gênesis ao Apocalipse, incluindo até um Jesus samurai
Tal qual o pistoleiro de um faroeste de Sergio Leone ou um samurai de Akira Kurosawa, este é Jesus Cristo em versão ninja, como retratado numa adaptação da Bíblia em quadrinhos, no popular formato de mangá.

"The Manga Bible: from Genesis to Revelations" (a Bíblia Mangá: do Gênesis ao Apocalipse), criada pelo inglês Ajinbayo Akinsiku, 42, foi lançada no Reino Unido e nos EUA e captura as histórias do livro com reverência, mas com humor e muita ação.

"Você pode usar o gênero para contar a história como quiser", diz Siku, como o artista é conhecido, em entrevista à Folha, por telefone, de Londres.

"Decidimos fazer algo nunca feito antes, apresentar Jesus como um estranho sombrio, que entra em uma cidade que tem sido molestada e corrompida por gângsters e a liberta, algo como "Três Homens em Conflito" [de Leone], "Os Sete Samurais" [de Kurosawa], a figura do solitário que ninguém compreende."

Para cobrir tanto o Novo quanto o Velho Testamento, Siku precisou editar e condensar os livros (fez versões de vários tamanhos) e, bem de acordo com o gênero mangá, deixou de fora as partes com menos ação, como o Sermão da Montanha.

"Houve uma dificuldade conceitual, discutimos se nos preocuparíamos mais com o cristianismo, com a teologia ou com a narrativa de quadrinhos. Fui muito cuidadoso para manter a intenção do texto original, mas o deixei mais moderno, ágil."

Assim, sua Bíblia mangá tem heróis que parecem (e soam como) skatistas em versão beduína, Abraão fugindo de uma explosão a cavalo para salvar Lot, e Og, rei de Basã (do Velho Testamento), parecendo um Darth Vader histórico.

Teólogo e ministro

Novato no gênero mangá, Siku é veterano em quadrinhos e em religião: ele freqüenta uma igreja anglicana, é formado em teologia e pretende se tornar ministro de sua religião.

O projeto de transformar os textos bíblicos em quadrinhos é antigo -ele queria fazer uma versão do Apocalipse, em estilo ocidental-, mas o impulso veio com a explosão dos quadrinhos japoneses na Europa e nos EUA, o que levou o projeto ao seu formato atual e ao sucesso de vendas: 50 mil cópias só no Reino Unido, liderando as listas do gênero mangá (No Brasil, ainda não há previsão de lançamento, mas o livro pode ser adquirido por lojas virtuais como a www.amazon.com por US$ 10,36, ou cerca de R$ 17, mais a taxa de frete).

Tendo como público-alvo jovens consumidores de HQ e religiosos, Siku maneirou na hora de retratar algumas passagens mais polêmicas.

"Trabalhei na "2000 AD" [HQ britânica de ficção científica], então lidar com sexo e violência não é problema para mim. Mas, como boa parte do nosso público é mais sensível a isso, contive um pouco esse lado. Só não dá para retirar tudo; o Velho Testamento, por exemplo, é um livro muito violento."

"Transformers"

Se a "Manga Bible" de Siku foi, como informa sua editora, a primeira do gênero em inglês, ela parece ter despertado uma tendência: pouco depois de seu lançamento, foi anunciado um projeto semelhante (este, norte-americano) chamado "Mecha Manga Bible Heroes".

A intenção da obra (que será lançada em junho no exterior) é levar as histórias bíblicas para um inusual cenário futurista, transformando personagens em super-heróis -o primeiro é o mítico Davi, que bateu Golias.
"A idéia surgiu com o filme "Transformers'", disse à Folha Paul Castiglia, o editor da obra. "Pensei em algo com robôs, e Davi e Golias era uma escolha óbvia, por causa do gigante."
filado http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u380700.shtml

sábado, 22 de março de 2008

A descida da cruz



“A descida da cruz” (1435) foi pintada por encomenda de um grêmio de artesãos de Lovaina. A obra expõe a dor de seus personagens, estampada não só na expressão facial como na postura dos corpos. A pintura evidencia a síncope - perda temporária da consciência e da postura por diminuição da perfusão cerebral - de Maria, mãe de Jesus. Ela encontra-se caída ao solo e com a face pálida.

O equilíbrio da composição e o intenso dramatismo das figuras são características marcantes da produção de Rogier van der Weyden (1400-1464), um dos mais notáveis e importantes pintores góticos flamengos. Seus quadros são hoje disputados pelos melhores museus e colecionadores de todo o mundo.

(Com colaboração de Catharina Mafra)via blog do noblat

Feliz Páscoa

 

A festa da Páscoa, ou Pesach, celebra o êxodo do povo hebreu do Egito sob a liderança de Moisés, apos 420 anos de escravidão. Juntamente com o Shavu`ot e o Sukkoté uma das três festas de peregrinação quando os judeus deveriam comparecer a Jerusalém. Para os cristãos, a Páscoa celebra a ressurreição de Jesus.
A Páscoa cristã é, portanto, a celebração de uma vitória única, porém com duas dimensões. A vitória de Jesus sobre a morte convida a todos a celebrar a vida e a liberdade, duas faces de uma mesma realidade, sendo que uma não existe sem a outra. A morte escraviza pelo medo. Mas Jesus liberta para a vida: “... como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; e livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão” (Hebreus 2.14,15). Quem teme a morte, teme a vida. Quem tem medo de morrer, tem medo de viver. Por esta razão o futuro é ameaçador e são assustadoras as contingências da existência. Há uma razão para temer o futuro: a morte espreita por trás do calendário. Mas quem já não teme a morte é livre para se entregar à vida, empreender para construir o futuro, apesar de sua condição contingente.
Bem disse o pregador: “Quando o selo do absoluto romano foi rompido no domingo da ressurreição, ficou definitivamente decretado que estava vencida não apenas a morte, mas também todos os agentes promotores e mantenedores da morte, mediante a erupção da vida”. Na sexta-feira da paixão o inferno fez festa e alardeou a vitória da morte sobre a vida. No domingo da ressurreição o inferno fez luto, e recebeu sobre si o manto da desonra, do escárnio e da vergonha eterna: a vida saltou de entre os trapos perfumados no túmulo ao lado do Calvário e adentrou o mundo pelas portas de um jardim. A vida venceu a morte. A vida venceu o medo. A vida rompeu os grilhões outrora sustentados pelo poder da morte. Vida e liberdade se encontram para um abraço eterno: “quando o Filho do Homem libertar você, então, e somente então, você será verdadeiramente livre” (João 8.36), terá “passado da morte para a vida”, num caminho sem volta, até chegar aquele dia quando a morte terá perdido de vez seu poder de ferir e matar (1Coríntios 15.54,55).
O simbolismo da Páscoa cristã aponta para a possibilidade de um novo começo, para uma nova vida, não mais cativa das limitações impostas pelo mal e pela maldade. Uma nova vida não mais determinada pelo diabo e seus asseclas profetas e atores da morte. Uma vida livre das ameaças da morte e, por isso, plena em amor, bondade, solidariedade, justiça e paz. Celebrar a Páscoa é desfrutar da ressurreição, celebrar a vida, anunciar a liberdade e assumir o compromisso de promover vida e libertação. Isso sim é uma Feliz

Ed René

http://www.galilea.com.br/

quinta-feira, 20 de março de 2008

Jesus ama as prostitutas

Qual seria a sua reação se uma prostituta entrasse na sua igreja?

sábado, 15 de março de 2008

Os americanos não são estúpidos

Certa vez houvi que os americanos só funcionam com manual, este video mostra um pouco disso

terça-feira, 11 de março de 2008

segunda-feira, 10 de março de 2008

Meninos de Rua - Oscar Antunes

Meninos de rua,
Meninos na rua,
Infância sem esperança,
Realidade crua.
Pobres meninos,
Pedintes a penar,
Escravos a pairar.
Sem casa e sem escola,
Vivem de esmola.
São ágeis, espertos,
Despertos cedo,
Cheiram, furtam,
Viram-se e à margem,
Na marginalidade,
Continuam infantis.
Sem expectativas sobrevivem,
Essas pequenas vítimas
Do planejamento familiar.
Sem programa de educação,
Vivem n´um mundo cão,
E raivosos vão à forra,
Quando crescidos,
Querem se vingar.
Matam por prazer,
Matam pra comer,
Matam pra se sustentar,
Matam pra grife usar.
Pobres meninos de outrora,
Rapazes de agora,
Cadáveres da hora.

Oscar Antunes Pimentel Dantas, nasceu em Salvador / Ba., agosto 1954 é sergipano por opção desde 1975. Filho de Fernando Brandão Dantas e Dinorá Pimentel Dantas, é casado com Ana Cristina Torres Dantas, Pai de Fernanda e Igor. Formado em Administração e Jornalismo, e é Oficial R/2 do EB. Trabalha na Petrobras desde 1982. É leitor do blog. Tem um livro de poesias que aguarda uma editora interessada em publicá-lo. Se alguém quiser o email dele, é só entrar em contato com o blog. O poema acima foi uma sugestão da leitora Rafaela Mesquita.

filado do blogdonoblat.com

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

domingo, 9 de março de 2008

Mentalidade Cristã l



Sem a transcendência a pessoa encolhe. T.S.Elliot

Homem nagem a Mulher



Em especial a minha amada, virtuosa, minha esposa querida

sexta-feira, 7 de março de 2008

A NOITE

Um grupo de nós está diante das ruinas que os Alemães tentaram (sem sucesso) apagar, para esconder evidências que seis milhões de Judeus foram fuzilados, postos em câmaras de gás e incinerados em tais locais, somente pelo fato de serem Judeus. Eu penso: se o Gólgota revelou o senso de abandono de Deus de um Judeu, Birkenau multiplica essa angústia pelo menos três milhões e meio de vezes. Para o resto de minha vida, este crematório representará o caso mais poderoso contra Deus, o local onde alguém poderia - com justiça - denunciar, negar, ou (pior ainda) ignorar Deus, o Deus que ficou calado. Qual o sentido de palavras num momento como este? Tantos clamaram a Deus aqui neste lugar e não foram ouvidos. O silêncio humano hoje é a única resposta apropriada ao silêncio divino de ontém. Ficamos em silêncio. Nosso silêncio é ensurdecedor. E então surge - primeiro dos lábios de um homem, Elie Wiesel (no campo onde trinta e cinco anos atrás sua vida, sua família e sua fé foram destruídas), e então em um côro crescente de outros, a maioria Judeus, a grande afirmação: Shema Yisroel, Adonai Elohenu, Adonai Echod. Ouça, Ó Israel, o Senhor nosso Deus, o Senhor é o Único Deus.No lugar onde o nome de Deus poderia ter sido agonizantemente negado, o nome de Deus é agonizantemente afirmado - por aqueles que tinham mais razões para negá-lo. Eu estremeço de tensão entre meu impulso de negar e a decisão deles de afirmar. Porque eu estive em Birkenau, é agora impossível para mim afirmar Deus do modo como eu fazia antes. Porque eu estive em Birkenau com eles, é agora possível para mim afirmar Deus de modos como eu nunca o fiz antes.(Elie Weisel: Messenger to All Humanity por Robert McAfee Brown, páginas 189-190)

É relativamente fácil afirmar Deus quando tudo está bem, o céu está azul, o sol brilhando, as flores dando um colorido especial à nossa volta. Mas a fé verdadeira nos convoca a afirmar Deus, mesmo quando todas as evidências ao nosso redor clamarem o contrário.

Relato de Elie Wiesel
Elie Wiesel tinha apenas quinze anos quando foi levado para os campos de concentração. Judeu devoto, ele viu sua fé em Deus morrer aos poucos, à medida que via seus compatriotas virarem fumaça nas chaminés dos crematórios. Quando terminei de ler o livro, lembrei-me da história verdadeira narrada por Robert McAFee Brown, sobre a experiência que ele teve junto com Elie Wiesel em um dos crematórios de Birkenau, o campo de morte de Auschwitz, num dia cinzento e triste do verão de 1979:

Sandro, 05/03/2008 | Sandro Baggio
filado da Igrejaemergente.com.br

When love comes to town

quinta-feira, 6 de março de 2008

Nossa semelhança com Deus começa em casa




“ Dia luminoso e esplêndido, sol brilhante, brisa que deixa reluzentes todas as folhas e o alto capim marrom. Canto do vento nos cedros. Dia exultante no qual até uma poça no chiqueiro brilha como prata preciosa.

Por fim estou chegando à conclusão de que minha mais elevada ambição é ser o que já sou. Que jamais cumprirei minha obrigação para me superar, a não ser se primeiro me aceitar e, se eu me aceitar plenamente da maneira certa, já terei me superado. Isto porque é o eu não aceito que me atrapalha e continuará a me atrapalhar enquanto não for aceito. Quando ele tiver sido aceito, terei meu próprio degrau para o que está acima de mim. Porque foi assim que o ser humano foi feito por Deus. O pecado original foi o esforço de se superar sendo ‘como Deus’ – isto é, diferente de si mesmo. Mas a nossa semelhança com Deus começa em casa. Primeiro temos de tornar-nos como somos e parar de viver ‘ao lado de nós mesmos’.”

Search for Solitude — Journals, Volume 3, de Thomas Merton
Editado por Lawrence S. Cunningham
(HarperSanFrancisco, San Francisco), 1996, p. 220-221

Esta Geração

Como podem nossas igrejas inspirar as novas gerações a viver um novo estilo de vida, como discípulos, a cada semana?

Enquanto as gerações acima saem de cena e as alianças que elas forjaram perdem força, quem ira ajudar na catalização de novos movimentos e
alianças?


Brian McLaren
filado do Volney Faustini

domingo, 2 de março de 2008

"O Bom Samaritano" ou "O Bom Travesti"

 

E perguntaram a Jesus: "Quem é o meu próximo?" E ele lhes contou a seguinte parábola:
Voltava para sua casa, de madrugada, caminhando por uma rua escura, um garçom que trabalhara até tarde num restaurante. Ia cansado e triste. A vida de garçom é muito dura, trabalha-se muito e ganha-se pouco. Naquela mesma rua dois assaltantes estavam de tocaia, à espera de uma vítima.
Vendo o homem assim tão indefeso saltaram sobre ele com armas na mão e disseram: "Vá passando a carteira". O garçom não resistiu. Deu-lhes a carteira. Mas o dinheiro era pouco e por isso, por ter tão pouco dinheiro na carteira, os assaltantes o espancaram brutalmente, deixando-o desacordado no chão.
Às primeiras horas da manhã passava por aquela mesma rua um padre no seu carro, a caminho da igreja onde celebraria a missa. Vendo aquele homem caído, ele se compadeceu, parou o caro, foi até ele e o consolou com palavras religiosas: "Meu irmão, é assim mesmo. Esse mundo é um vale de lágrimas. Mas console-se: Jesus Cristo sofreu mais que você." Ditas estas palavras ele o benzeu com o sinal da cruz e fez-lhe um gesto sacerdotal de absolvição de pecados: "Ego te absolvo..." Levantou-se então, voltou para o carro e guiou para a missa, feliz por ter consolado aquele homem com as palavras da religião.
Passados alguns minutos, passava por aquela mesma rua um pastor evangélico, a caminho da sua igreja, onde iria dirigir uma reunião de oração matutina. Vendo o homem caído, que nesse momento se mexia e gemia, parou o seu carro, desceu, foi até ele e lhe perguntou, baixinho: "Você já tem Cristo no seu coração? Isso que lhe aconteceu foi enviado por Deus! Tudo o que acontece é pela vontade de Deus! Você não vai à igreja. Pois, por meio dessa provação, Deus o está chamando ao arrependimento. Sem Cristo no coração sua alma irá para o inferno. Arrependa-se dos seus pecados. Aceite Cristo como seu salvador e seus problemas serão resolvidos!" O homem gemeu mais uma vez e o pastor interpretou o seu gemido como a aceitação do Cristo no coração. Disse, então, "aleluia!" e voltou para o carro feliz por Deus lhe ter permitido salvar mais uma alma.
Uma hora depois passava por aquela rua um líder espírita que, vendo o homem caído, aproximou-se dele e lhe disse: "Isso que lhe aconteceu não aconteceu por acidente. Nada acontece por acidente. A vida humana é regida pela lei do karma: as dívidas que se contraem numa encarnação têm de ser pagas na outra. Você está pagando por algo que você fez numa encarnação passada. Pode ser, mesmo, que você tenha feito a alguém aquilo que os ladrões lhe fizeram.
Mas agora sua dívida está paga. Seja, portanto, agradecido aos ladrões: eles lhe fizeram um bem. Seu espírito está agora livre dessa dívida e você poderá continuar a evoluir." Colocou suas mãos na cabeça do ferido, deu-lhe um passe, levantou-se, voltou para o carro, maravilhado da justiça da lei do karma.
O sol já ia alto quanto por ali passou um travesti, cabelo louro, brincos nas orelhas, pulseiras nos braços, boca pintada de batom. Vendo o homem caído, parou sua motocicleta, foi até ele e sem dizer uma única palavra tomou-o nos seus braços, colocou-o na motocicleta e o levou para o pronto socorro de um hospital, entregando-o aos cuidados médicos. E enquanto os médicos e enfermeiras estavam distraídos, tirou do seu próprio bolso todo o dinheiro que tinha e o colocou no bolso do homem ferido.
Terminada a estória, Jesus se voltou para seus ouvintes. Eles o olhavam com ódio. Jesus os olhou com amor e lhes perguntou: "Quem foi o próximo do homem ferido?"
Rubem Alves

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Afrasíabe e a peste

 

Afrasíabe estava sozinha chorando, sentada num banquinho de três pés em sua casa, quando vieram avisar que o monstro Ksyinzuiu estava se aproximando do vilarejo. Afrasíabe viu pela porta aberta a gente da vila fugindo como um rio, correndo numa só direção, mas ela mesma não se mexeu do lugar.

Quando os gritos haviam silenciado e o pó das ruas inchava para abrigar o sangue dos mortos, Ksyinzuiu ergueu o teto do casebre de Afrasíabe como se fosse a tampa de uma caixa e olhou para dentro.

– Ei, por que você não fugiu? – trovejou o monstro. – Por acaso não tem medo de mim?

– A peste levou meu marido e meu filho – disse Afrasíabe ajeitando os cabelos, sem parar de chorar e sem levantar os olhos. – Do que eu deveria fugir?

– Você por acaso não sabe que é para isso que os deuses enviam os monstros e as grandes catástrofes? Para que os homens coloquem seu próprio sofrimento numa perspectiva justa? Só grandes ameaças tem lastro para apagar dores compridas.

– Talvez você não seja uma ameaça tão grande – disse a mulher. – Talvez minha dor seja comprida demais para os recursos dos deuses.

Ksyinzuiu arregalou os olhos de peixe e rompeu numa gargalhada.

– Cá cá cá, mulher. Por causa da sua presença de espírito vou lhe dar uma escolha que nunca dei a ninguém. Você pode entregar-se voluntariamente à morte entre os meus dentes, ou pode tentar adivinhar os três segredos que juntos têm o poder de me destruir. Se você não conseguir, morrerá de qualquer forma. O que me diz? O que escolhe? Matar ou morrer?

– Não me importune com uma coisa nem outra. Se eu me entregar para morrer estarei desistindo da minha dor, que é meu bem mais precioso; se matar você, estarei trocando minha dor por uma vitória que em nada se equipara à extensão dela.

E olhou para o monstro, que tinha a altura de dois homens, a pele cor de pedra recoberta por espinhos curtos e grossos e uma horrenda cabeça de peixe que lhe saía diretamente do tronco.

– Muito bem, não posso matá-la se você não fugir ou se não vier ao meu encontro – opinou Ksyinzuiu. – Ouça outra oferta: junte-se a mim e seja o meu arauto, um anunciador da minha chegada nos lugares que devo visitar. Você é uma mulher triste, é certo que terá prazer em promulgar a desgraça.

Assim Afrasíabe tornou-se o arauto de Ksyinzuiu. Ela entrava nos vilarejos e anunciava, sem jamais levantar a voz, a iminência do açoite dos deuses. A desesperança no seu rosto era tão clara que todos desfaleciam, abandonando imediatamente a idéia de recorrer à compaixão do céu. Enquanto Afrasíabe ainda estava falando Ksyinzuiu aparecia, derrubando carroças e portões com os braços deformados e abrindo e fechando a bocarra, até que os os pés de Afrasíabe descansassem descalços no vermelho mais puro.

Um dia os dois chegaram a um vilarejo abandonado em cuja praça havia uma grande pilha de corpos em decomposição, e Ksyinzuiu falou:

– Não devemos seguir adiante, já completei o meu circuito nesta região. Todas as aldeias foram devoradas pela peste, não há mais o que matar.

E fez menção de seguir adiante, mas Afrasíabe disse:

– Esta é a aldeia para a qual viajaram meu marido e meu filho, a aldeia em que morreram comidos pela peste. Ksyinzuiu, adivinhei os seus três segredos, agora posso destruí-lo.

O monstro virou-se para olhá-la de frente.

– E quais são?

– O primeiro é o mais evidente, mas apenas quem o acompanhasse como tenho feito seria capaz de descobrir: você usa sua boca para matar, mas nunca para comer. Nos meses em que tenho sido o seu arauto nunca o vi pôr coisa alguma na boca. O segundo é este: você só mata os que não conseguem fugir, mas os cadáveres em decomposição que deixa para trás são a mesa pronta em que a peste se banqueteia. Sem os campos dos seus mortos a peste não teria como se multiplicar. Ela mata os que sua mão não consegue tocar, e matou minha família.

– Muito bem. E o terceiro?

– Ao terceiro se chega pela perspectiva dos outros dois. É verdadeiro o ditado que diz que a peste é o hálito de Ksyinzuiu, mas o monstro original está morto. O verdadeiro Ksyinzuiu foi substituído por um autômato que pode caminhar e matar mas não comer, uma estátua animada construída por alguém que desejava perpetuar a peste.

E estendeu a mão para tocar a pele de ferro de Ksyinzuiu.

– Você adivinhou os três segredos – disse o autômato. – Fui feito quando o verdadeiro Ksyinzuiu morreu. Construiu-me um homem que, como você, teve a família destruída pela peste; um homem cuja dor era tamanha que queria estendê-la de modo a comportar as futuras gerações. Deus criou o homem pela mesma razão.

– O que você quer fazer agora? – disse Afrasíabe.

– Ora, de posse dos três segredos você tem poder sobre mim e pode ordenar a minha destruição.

– Preciso pensar bem. Se deixar você viver terei de conviver com a culpa de não ter eliminado o horror que ceifou a minha família e ainda ceifará outras; se o destruir, terei de conviver com o mérito de ter livrado o mundo da destruição e da peste.

– E você não sabe o que é pior – sorriu o monstro.

– Não preciso apressar essa decisão – disse Afrasíabe, e foram caminhando juntos para o sul.

Paulo Brabo

filado da baciadasalmas.com

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O verdadeiro semi-árido




Em artigo recente no O Estado de S. Paulo, Washington Novaes apresenta um resumo resumido do livro A Potencialidade do Semi-árido Brasileiro, do geólogo e hidrólogo piauiense Manoel Bonfim Ribeiro -- que trabalhou em projetos de irrigação, construiu açudes e adutoras e foi diretor da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco. Mais do que credenciado, portanto, para falar sobre a questão da água no Nordeste, em geral, e da discutida transposição das águas do Rio São Francisco. Como muitos cientistas, Ribeiro assegura que no semi-árido o problema não é de escassez mas de gestão. E cita uma enfiada de números de nos deixar de queixo caído, pelo menos a mim, de escasso conhecimento sobre essas questões.

O Nordeste tem 70 mil açudes, um a cada 14 quilômetros quadrados. É a região mais açudada do mundo. Nos 27 maiores desses açudes estão acumulados 21 bilhões de metros cúbicos de água, onze vezes a que faz os encantos da Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro. Aqui ele se permite uma boutade e comenta: "O semi-árido é uma ilha cercada de água doce por todos os lados". Mas há mais: só nos oito grandes açudes do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, para onde serão levados 2 bilhões de metros cúbicos da água transposta do São Francisco, já se acumulam 12 bilhões de metros cúbicos de água pluvial. Dessa água estocada nos açudes, 30% se evaporam (o que vai acontecer, também, com certeza, com as águas da transposição). Mas há na região, ainda, a possibilidade de extrair 20 bilhões de metros cúbicos do subsolo (atualmente, extrai-se apenas 1 bilhão de metros cúbicos).

A pobreza do sem-árido, portanto, está no homem, não na terra, nem no clima -- e a conclusão não é minha, mas do autor. Nos homens, acrescento, pois é uma questão de falta de informação e conseqüente falta de conhecimento. Mas também de falta de vontade. Manoel Bonfim cita, a partir daí, uma enxurrada de riquezas que poderiam ser exploradas desde que solucionada adequadamente essa questão da água e do seu uso. Piscicultura ("pode-se multiplicar por dez a produção de peixes brasileira"), apicultura (cada colmeia, na região, produz de 80 a 100 quilos de mel por ano, enquanto na Europa conseguem-se modestos 20 a 30 quilos). Seguem-se a caprinocultura, caju e suas castanhas, de larga aceitação no exterior, umbu, cera da carnaúba, fibras vegetais como o caroá, sisal, algodão.

No prefácio, o "pai do Proálcool, professor J. W. Bautista Vidal, admira-se: "É como se Bonfim estivesse redescobrindo um novo Semi-Árido, mais verdadeiro que o anterior, fundamentado em peculiaridades pouco conhecidas, algumas únicas em todo o planeta". Nada indica, portanto, que a transposição das águas do São Francisco, sozinha, vá solucionar algum problema pois com ela ou sem ela, a verdadeira questão continuará em pé: a gestão. Ou melhor, a capacidade de buscar para todos os males as soluções mais simples, mais baratas, conseqüentemente mais adequadas e mais eficazes. Entra governo, sai governo, e fica a pergunta: poderá o Nordeste algum dia contar com essa simplicidade?


Almyr Gajardoni é jornalista
artigo publicado no Noblat.com.br

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Como você vê o todo



Cada pessoa vê uma parte do todo e identifica o todo com
essa parte
Quando leio os teologos de plantão tentando definir Deus e o mesmo
que ensinado os cegos- De consultoria o segredo do sucesso

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Histórias da Bíblia serão contadas via celular nas Filipinas

Uma versão digitalizada do Novo Testamento em mangá, o estilo japonês de fazer histórias em quadrinhos, será transmitida via celular nas Filipinas.

A Conferência Episcopal das Filipinas vai divulgar a Bíblia através de celulares, usando frases e breves desenhos animados com histórias do Novo Testamento em forma de mangá, muito popular entre os jovens do país.

O projeto foi realizado pela comissão episcopal para o apostolado bíblico, encarregada da divulgação do Livro Sagrado, visando uma difusão maior da mensagem cristã para o público mais jovem.

“É um jeito de estar perto das novas gerações e do seu modo de comunicar, transmitindo a mensagem do evangelho, de uma maneira divertida, mesmo para quem não pode ir à igreja”, comentou o secretário da comissão, padre Oscar Alunday.

Mensagem de texto

O clero filipino decidiu usar novos métodos de evangelização ao examinar as estatísticas sobre o conhecimento da Bíblia no país.

De acordo com uma pesquisa realizada em 2006 pela Sociedade Bíblica nacional, 60% da população filipina não lê a Bíblia, apesar do catolicismo ser a religião principal. Dos 90 milhões de habitantes, 80% se dizem católicos.

Next, foto de cortesia

Jesus aparece em cenas de ação nos quadrinhos ingleses

A ativação do serviço será feita por meio de uma mensagem de texto gratuita, O custo é de 8 centavos de euro e cada mensagem contém um texto, além de uma animação para os celulares que podem receber vídeos.

Super-herói

Na Inglaterra, a história de Jesus Cristo apresentado como um super-herói em quadrinhos, está conquistando o público jovem.

Manga Bible, lançado no ano passado, vendeu 30 mil cópias e foi definido como “brilhante e inteligente” pelo arcebispo de Canterbury, Rowan William.

O autor dos quadrinhos é Ajinbayo Akinsiku, 42 anos, conhecido como Siku.

Nos desenhos, Siku usa cores fortes e cenas de ação, em que Jesus Cristo aparece como um super-herói solitário e estrangeiro. Tem cabelos compridos e veste uma túnica esvoaçante e às vezes aparece sombrio e até assustador.

“Jesus não é bonzinho neste mangá. No deserto ele chega a ser mais assustador que o diabo”, explica o cartunista.

O Vaticano não se manifestou oficialmente sobre estas versões do Novo Testamento. O responsável pelo setor que se ocupa das comunicações sociais da Santa Sé, admitiu que não tem conhecimento destas duas iniciativas, mas considerou que elas podem ter um efeito positivo na divulgação da fé cristã.

“Não vejo problemas em usar os meios de hoje para transmitir aos jovens conteúdos fundamentais, é positivo. Isso não quer dizer que tudo o que se faz seja ótimo porque há perigo de banalização da mensagem”, alertou o arcebispo Claudio Maria Celli, presidente do Pontificio Conselho para as Comunicações Sociais.

fonte:bbcbrasil.com

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Pastor convoca fiéis para maratona de sexo

Um pastor americano da Flórida chamou os seguidores casados para um desafio: fazer sexo todos os dias por um mês. Segundo a Sky News, o chamado seria uma variação da abstinência sexual por um mês.

De acordo com o site Ananova, Paul Wirth, líder da Igreja Relevante, de Ybor City, afirma que pretende diminuir a alta taxa de divórcios através da maratona. "Quando somos solteiros, estamos procuramos sempre por sexo, mas na vida de casado, por algum motivo, as relações diminuem com o tempo."

A Igreja se descreve como casual, contemporânea e cristã. Seus serviços são destinados a "profissionais urbanos e jovens famílias." O pastor Wirth usou recentemente o filme Shrek Terceiro para explicar "o que acontece quando confiamos em Deus".

Redação Terra

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Qual dor é maior ?

(Salmos 44:22;26) - Sim, por amor de ti, somos mortos todo o dia; somos reputados como ovelhas para o matadouro. 
Desperta, por que dormes, Senhor? Acorda, não nos rejeites para sempre.
Por que escondes a tua face, e te esqueces da nossa miséria e da nossa opressão? 
Pois a nossa alma está abatida até ao pó; o nosso ventre se apega à terra. 
Levanta-te em nosso auxílio, e resgata-nos por amor das tuas misericórdias.

Coisa difícil de dizer, mas deve ser a sua dor, aquela que você esta sentindo

No meu caso, nem sei dizer, tenho dor de todo jeito

Dor de cabeça por causa de uma coisa chamada atm... Pense que me deixa fora

De si

Dor de joelho e osso tem os dois lascados devido a minha falta de disciplina

Um foi operado por um açougueiro e a outra esta com ligamento estourado

Coligas horríveis que causam um dor ruim, ocasionada por uma colite, mas essa até que esta melhor depois de comer muita goiaba

Dores de apêndice acharam que ia morrer de tanta dor, começou as 15h00minhs quando

Foi 22h00min estava entrando na faca

Dor de pedra nos rins está que a coisa fica preta, inda mais quando e de madrugada e tem sair para o hospital por que não da para agüentar e de remédio na veia

Dor de hérnia de disco pensei que já tinha sentido todo tipo de dor, mas esta e de lascar também
até respirar dói, e o pior que você se sente um invalido, ficar imóvel e deitado por 48 horas

Mas tem a dor da alma, aquela que você pensa que nem dói, mas vai te consumindo e podes crer, acho que e a mais terrível

A moda agora é transformar igrejas em apartamentos





O declínio na frequência de igrejas na Holanda nos últimos anos levou algumas a serem abandonadas. Muitas vezes são demolidas ou customizadas para outros usos. É o caso desta igreja em Utrecht que o gabinete de arquitetura Zecc resolveu converter num moderno apartamento.




quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Aparência e tudo para as mulheres

Cientistas americanos sugerem que a aparência e um corpo atraente são os maiores pré-requisitos para uma mulher na hora de escolher o parceiro.

 

Para verificar a teoria de que as mulheres dão mais importância à situação financeira e status social dos homens e que os homens estão de olho na aparência física das mulheres, pesquisadores da Universidade de Illinois testaram o comportamento de 160 estudantes universitários sobre “hábitos do namoro”.

Os 82 rapazes e 81 mulheres, com idade média de 19 anos, participaram de um encontro relâmpago e depois relataram suas experiências.

Antes de participar do evento, porém, eles preencheram um questionário sobre os atributos que almejavam encontrar no parceiro ideal.

Nesta fase, os pesquisadores constataram que a maioria dos homens disse estar em busca de uma mulher bonita e atraente fisicamente, enquanto elas ressaltaram a importância do status e do tamanho da renda.

Depois do encontro relâmpago, os estudantes continuaram preenchendo questionários e os especialistas constataram que, em muitos casos, houve uma mudança nos pré-requisitos de ambos os sexos para escolher o parceiro.

As mulheres, que num primeiro momento haviam insistido que estavam atrás de homens com status, acabaram se atraindo mais pelos mais bonitos. E os homens, que só pensavam em aparência física, acabaram admitindo que o status financeiro e social também influenciou suas escolhas.

Os psicólogos afirmam que como um todo, homens e mulheres são motivados pela aparência física.

“Em outras palavras, uma aparência atraente foi o primeiro estímulo para que ambos homens e mulheres se sentissem atraídos. Mas atributos como ambição e potencial para ganhar dinheiro também pesaram na hora da escolha", disse Eli Finkel, um dos pesquisadores envolvidos no estudo.

Os especialistas acreditam que o estudo poderia ter tido outro resultado se fosse realizado com pessoas mais velhas, que em outra fase da vida poderiam se comportar de forma diferente na fase da conquista.

A pesquisa foi publicada na revista especializada Journal of Personality and Social Psychology.

fonte.bbc.com

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Mito e metáfora

– A palavra “mito” significa “mentira” – começou ele. – Um mito é uma mentira.

– Não, um mito não é uma mentira. Uma mitologia completa é uma organização de imagens e narrativas simbólicas, metafóricas das possibilidades da experiência humana e da plena realização de uma dada cultura num dado momento.

– Uma mentira.

– Uma metáfora.

– Uma mentira.

Isso se estendeu por vinte minutos. Percebi que o entrevistador não sabia de fato o que era uma metáfora, e resolvi tratá-lo como ele estava me tratando.

– Não, estou dizendo que é uma metáfora. Me dê você um exemplo de metáfora.

– Vou tentar. Meu amigo John corre muito rápido. As pessoas dizem que ele corre como uma gazela. Isso é uma metáfora.

– Isso não é metáfora. A metáfora é: João é uma gazela.

– Isso é uma mentira.

– É uma metáfora.

E o programa acabou. O que esse incidente sugere a respeito da nossa compreensão popular a respeito da metáfora?

Fez-me refletir que metade das pessoas no mundo pensa que as metáforas das suas tradições religiosas, por exemplo, são fatos. E a outra metade sustenta que não são fatos de forma alguma. Como resultado temos pessoas que se consideram crentes porque aceitam metáforas como fatos, e outros que classificam-se como ateus porque crêem que as metáforas religiosas são mentiras.

Joseph Campbell, em Thou Art That- via baciadasalmas.com

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Medo de avião fez pastor confessar crime

Policiais civis de Brasília comentavam hoje que o presbítero evangélico Sandoval Silva dos Santos, 37, acusado de assassinar a companheira Zélia Pereira da Silva Carvalho, 46, em janeiro, somente resolveu revelar onde estava o corpo da vítima depois que o avião da Polícia Civil do DF entrou ontem em uma zona de turbulência e autor do crime ficou com medo de morrer. Sandoval foi preso ontem pela manhã em Santos (SP), com o veículo Monza da vítima. Ele confessou que a matou a pauladas, num matagal próximo à quadra 17 de Sobradinho, após discussão por causa de uma amante dele. Em seguida, enterrou o corpo numa cova rasa, cobrindo-o de folhas. Quando, já preso, retornava para Brasília, ficou assustado com os balanços do jatinho e, como os agentes, de brincadeira, fingiam estar apavorados com a iminente "queda" do avião, Sandoval começou a chorar e contou tudo, até onde estava o corpo, já localizado hoje e levado para perícia no Instituto Médico Legal.

fonte http://www.claudiohumberto.com.br/

Arábia Saudita proíbe venda de rosas para Dia dos Namorados

Rosas Vermelhas

Autoridades consideram a data incompatível com o islamismo

A polícia religiosa da Arábia Saudita proibiu a venda de presentes para o Dia dos Namorados, inclusive rosas vermelhas, em todas as lojas da capital do país, Riad, de acordo com informações do jornal saudita Saudi Gazette.

O Dia dos Namorados é comemorado no dia 14 de fevereiro na maior parte dos países. No Brasil, a data é celebrada em 12 de junho.

O diário afirma que policiais sauditas visitaram o comércio de Riad no sábado e alertaram os comerciantes para remover das prateleiras os artigos vermelhos como rosas e embrulhos, cuja venda é comum antes do Dia dos Namorados.

Segundo o jornal, as autoridades sauditas consideram a data, assim como outras celebrações que não fazem parte do calendário muçulmano, uma comemoração incompatível com o islamismo.

De acordo com o Saudi Gazette, muitos sauditas viajam para localidades próximas como Dubai ou Barein para celebrar a data.

Mercado negro

O jornal afirma que o sábado foi o último dia em que a venda das rosas vermelhas ainda era permitida antes do Dia dos Namorados.

Segundo a reportagem, todos os anos os policiais visitam o comércio dias antes da data para emitir os alertas sobre a proibição.

A reportagem do Saudi Gazette afirma ainda que a proibição gera um mercado negro de rosas vermelhas no país, e o preço das flores aumenta em até seis vezes no dia da comemoração.

Segundo o jornal, algumas pessoas fazem pedidos de flores semanas antes do Dia dos Namorados para escapar das proibições.

"Em alguns casos, entregamos as flores no meio da noite ou cedo pela manhã para evitar suspeitas", disse um florista ao jornal.

As autoridades sauditas impõem uma legislação islâmica rígida, que regula de forma severa a sociabilidade das mulheres e a convivência com os homens.

fonte bbc.com.br

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Temor e fé

A fé referida pela personagem de Dostoiéviski deve ter sido aquela que é expressa como temor pelo saber de um dia ter que prestar contas a Deus pelo que se faz e pelo que se deixa de fazer. Trata-se de uma crença correta, mas é uma definição incompleta do que seja a fé cristã.

Nós cristãos já experimentamos muitas definições do que seja fé. Em nossa história, de fé em fé, passamos por todo tipo de injustiça clerical e política, fomos de genocídios e escravidão a saques e confiscos, de pirataria e dominação a guerras e etnocídios. De fé em fé, graças ao progresso tecnológico e econômico, chegamos hoje a uma não menos cínica definição para fé. Hoje a fé pregada nas igrejas e motivo das mais fervorosas orações do fiéis é a fé do tudo possuir e do tudo consumir. Chegamos a esta maturidade da fé certos de que Deus não é alguém que se deva temer. Finalmente adquirimos a mais vil convicção de que a fé é o instrumento divino que temos para manipular Deus. Quando éramos crianças ingênuas, temíamos a Deus. Agora somos esclarecidos arrogantes, Deus nos serve.

Aqueles que hoje não têm fé, temem.

Quem tinha a fé citada por Dostoiéviski, temia a Deus. Quem tem a fé que desenvolvemos serve-se Dele e, por que não, do próximo. Outros, que não tem fé alguma, vêem o próximo e sabem que ele não tem a quem recorrer – não há Deus para socorrê-lo, – por isso eles o acolhem, se irmanam com ele. Aqueles que hoje não têm fé, como aqueles da antiga fé dos tempos de Dostoiévski, temem: temem morrer sem ter deixado uma história digna, temem partir sem nunca terem sido amados, temem ser esquecidos, temem que a única vida que tem por fim tenha sido vã. Temem o vazio do seu fim inevitável e temem deixar para trás outra coisa que não seja o vazio. Temem, como não há céu nem inferno, que nunca tenha existido virtude alguma. Sabem que na morte não terão nada, nem a própria lembrança do bem que fizeram, por isso temem deixar a existência sem ter feito bem algum.

Restam a Deus, em nossos dias, para fazer a sua vontade, os ateus. Deixem as pedras terem o privilégio de fazer o bem e evitar o mal sem qualquer interesse por recompensas futuras, já que os cristãos estão muito ocupados com a segurança de sua ortodoxia de privilégios, presentes e futuros.

Você, ainda hoje, tem a fé da personagem de Dostoiévski? Por minha fé, eu lhe asseguro que um dia você não terá mais o que temer. Você outro tem a ambição de tudo ter e a pretensão de nada sofrer, e escolheu dar a isto o nome de fé? Viva o tempo que lhe resta, desfrute enquanto pode. Antes do que você pensa você receberá a sua justa recompensa e não terá mais nada a perder. Biblicamente falando – falo da minha fé -, a todos caberá receber o que não esperam, isto para alguns é graça, para outros será justiça.

A todos caberá receber o que não esperam.

Quanto aos ateus, aqueles que não se contentam com nossas definições de fé, ou com as imagens que pintamos de Deus, deixem-nos em paz. Deixem-nos fazer o bem sem esperar nada em troca. Deus faz o mesmo.

L. Ivan Volcov

via Baciadasalmas

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Alexandre Frota vira evangélico e diz que cansou de aprontar

Pelo menos aparentemente, Alexandre Frota virou religioso. O ator de filme pornô, conhecido por seus barracos e pela farta vida amorosa, comentou que cansou disso tudo. Frota está freqüentando a Bola de Neve, em Perdizes, bairro de São Paulo. A igreja é conhecida por ter jovens surfistas como fiéis e pelos seus cultos informais. Monique Evans também freqüenta.

fonte;folhaonline.com.br