quarta-feira, 11 de junho de 2008

Demissão com recomeço

Numa manhã de segunda-feira, no interior de São Paulo, um jovem funcionário de uma fábrica acaba de receber a notícia de que ele e todos os seus colegas perderão o emprego. A unidade de produção será transferida para outra cidade. Ele se aproxima do consultor encarregado de atender os demitidos, mas são muitos querendo falar e desiste. Chega o horário do almoço. O rapaz vai para casa, faz a refeição com a mulher e os filhos, sem comentar nada, e volta para a empresa. Consegue, finalmente, perguntar o que queria ao consultor: "Você me ajuda a pensar no que eu vou falar em casa?".

Na mesma semana, na capital, um executivo de uma multinacional é comunicado de seu desligamento. Ele tenta negociar uma transferência de área. Sem sucesso. Vai para casa à noite e não conversa com a família. Na manhã seguinte, cumpre a rotina de vestir o seu terno e sair para o trabalho. Desvia o carro no caminho e passa o dia em um shopping center, caminhando sem rumo, olhando o vazio. Ele também não sabe o que fazer. E não tem a quem pedir ajuda.

O que une dois personagens tão distintos e distantes é uma realidade que pode ser mais freqüente e até mais esperada atualmente, mas que ainda não deixou de ser vista como um drama: lidar com a demissão. O que os diferencia, porém, é o suporte que receberam de suas empresas para atravessar esse momento e construir um novo horizonte profissional.

Mas, afinal, as organizações precisam mesmo assumir mais essa tarefa e amparar as pessoas que já não lhes servem? No Brasil, não há nada que as obrigue. Já em países como a França, os programas de outplacement são exigências legais para dispensas coletivas (veja mais em Saída à francesa). No entanto, em qualquer lugar do mundo, as empresas encontram boas razões para oferecer, voluntariamente, orientações e suporte aos funcionários dispensados.

Gilberto Guimarães, diretor da BPI Brasil, lembra que os programas de outplacement surgiram na Europa para coibir demissões imotivadas. "Era uma maneira de permitir que as empresas demitissem quando necessário, mas com um plano social", relata.

Ele salienta que, antes de definir o processo de desligamento, a organização deve analisar todas as possíveis soluções alternativas - e, nesse momento, pode contar com a ajuda de uma consultoria especializada. "Quando uma companhia toma a decisão de reduzir quadros é porque está passando por uma crise. Por isso, devemos estudar se é possível resolver o problema do momento com reduções de jornadas, antecipação de aposentadorias ou outras medidas", aponta.

Marcelo Cardoso, que concedeu esta entrevista na sua última semana como presidente da DBM (ele foi contratado pela Natura como vice-presidente de desenvolvimento organizacional), relata a importância de sentir a temperatura da situação. "Em um caso individual, precisamos saber se a empresa tem um motivo claro para demitir, se a pessoa afetada já tem essa possibilidade captada no seu radar ou se será algo novo para ela. Quando se trata de um corte coletivo, o tratamento é mais complexo", avalia.

Caso a saída seja mesmo demitir, os programas de apoio minimizam o impacto negativo junto aos diversos públicos atingidos direta ou indiretamente. "Além do funcionário demitido, há as pessoas que não terão sua atividade alterada. Estas só precisam ser informadas. Outras vão mudar de papel e necessitam ser preparadas para a nova função. Tão importante quanto o cuidado com quem sai é o cuidado com quem fica", afirma Cardoso.

E se fosse com você?
Guimarães concorda com essa preocupação com quem não é demitido. "É importante manter o efetivo com paz de

"Metade do sucesso de um processo de restauração depende da qualidade da comunicaçao

espírito para trabalhar. A implantação de um programa de outplacement dá a sinalização de que, se forem atingidos também, esses colaboradores terão mais chances de ser recolocados", diz o diretor da BPI. E o tratamento adequado aos demissionários também evita maior desgaste junto a clientes e fornecedores.

E no pacote desse tratamento há um aspecto fundamental, de acordo com Cardoso: o plano de desligamento deve ser amparado por um consistente processo de comunicação e de respeito aos indivíduos impactados. "Um processo de demissão bem feito começa com a pergunta: 'E se fosse comigo?' Saber como comunicar a decisão também é fundamental. Isso dá coerência ao que a empresa está fazendo, mesmo quando ela não sabe quem substituirá um executivo demitido", pondera.

Quando o demitido é um executivo, é preciso seguir um ritual próprio. "Por uma questão de segurança, temos de saber o nível de informação que essa pessoa leva da empresa. Pensamos no dia D da demissão e na forma de comunicação. Deixamos claro que o ambiente de anúncio não está aberto a negociações. A empresa deve reconhecer que o indivíduo passa por uma sensação de perda. E o gestor deve estar presente nesse momento", recomenda Cardoso.

Guimarães vai além, afirmando que "metade do sucesso de um processo de reestruturação depende da qualidade da comunicação. Ela tem de ser excepcional, para todos os stakeholders, sejam os funcionários que saem, os que ficam, os sindicatos e a sociedade", diz.

Uma atribuição, entretanto, não pode ser delegada a uma consultoria externa: quem deve comunicar a demissão é o chefe da pessoa ou da equipe afetada, ensina Elaine Saad, sócia-diretora da Right Management. O diretor da BPI ressalta, também, que o responsável pela demissão nunca deve ser o encarregado de prestar suporte. "É pouco provável que quem demite seja o motivador de quem sai ou de quem fica. Ele não terá credibilidade", afirma Guimarães.

Outro aprendizado refere-se ao fechamento de fábricas ou grandes cortes. Nesses casos, de acordo com os especialistas, a comunicação coletiva, para todos ao mesmo tempo, é péssima. O melhor é fazer o anúncio em grupos, ainda que simultâneos, mas em locais separados. "Por mais que as pessoas estejam esperando, a demissão é uma notícia ruim. Normalmente, os funcionários se sentem desrespeitados. Gostam de desabafar. Uns choram, outros reagem com euforia como defesa. Nós sabemos contornar essas reações. Já quando agrupamos as pessoas, não controlamos as reações", explica Elaine, para quem as demissões apoiadas por um procedimento com objetivos bem definidos são um benefício a mais para os funcionários, assim como assistência médica.

Nova vida e menos fraudes

"Um processo de demissão bem feito começa com a pergunta 'E se fosse comigo?'"


Os programas de demissão também podem receber a adesão voluntária de funcionários interessados em partir para um novo ciclo de carreira. E, mesmo para os que não têm escolha e são incluídos nas listas de cortes, o desligamento ainda pode ser um "bom negócio". Guimarães esclarece que, além das indenizações legais e extras, o empregado recebe o FGTS e a multa rescisória de 40% desse montante. Assim, uma pessoa que esteve na empresa por dez anos acaba ganhando de 15 a 20 salários na saída. "E, se ela consegue se recolocar em quatro meses, contando ainda com o seguro desemprego pelo período em que estiver sem emprego, terá uma disponibilidade de aplicação financeira que pode mudar a sua vida para melhor", diz.

Além disso, continua Guimarães, a empresa que demite responsavelmente, ao viabilizar uma nova vida para seu ex-funcionário, também reduz o número de reclamações trabalhistas. "É um processo extraor­dinariamente útil para todos os envolvidos", acredita.

O que também pode diminuir, no caso de uma condução correta do processo, são as chances de fraudes e boicotes, para ficar apenas nos aspectos tangíveis. "O resultado desses programas é sempre positivo. Porque é uma notícia ruim que está sendo gerenciada", completa Elaine.

Ela reforça que a contratação de uma consultoria de transição é importante para que as demissões sigam um procedimento adequado. "Cerca de 80% dos clientes não têm um plano. Nosso papel é ajudá-los a programar tudo em detalhes: desde a escolha da melhor data para o anúncio até definir se os desligamentos serão simultâneos ou não; e ainda como a área de endomarketing vai lidar internamente com a notícia e como a mídia e a sociedade serão informadas. Depois, virá o suporte a cada indivíduo impactado. Se a empresa toma todos os cuidados com o planejamento, estará bem amparada."

Por mais experiente que seja a equipe de RH da empresa, o acompanhamento externo traz melhores resultados na hora da demissão. "A consultoria agrega ao processo aquilo que aprendeu em outras situações, enquanto uma solução interna ocorre mais na base do ensaio e erro. Já o processo de recolocação deve mesmo ser conduzido por um agente contratado, pois a relação entre empregador e ex-empregado fica como a do casal que se separa", compara Elaine.

Quem contratar para ajudar a demitir?
Para Elaine Saad, o que as empresas devem buscar como pré-requisitos em consultorias de transição são a experiência, a expressão no mercado nacional e global e referências de mercado. "Cada projeto nos prepara para o seguinte. E é preciso ter uma estrutura emocional muito forte para esse trabalho, maturidade e desprendimento da situação. Já tive consultores que não agüentaram a pressão. A gente prepara os líderes nas empresas, conversa individualmente, mostra como ele irá se sentir, e mesmo assim muitos não resistem. É como o papel do médico, que precisa cuidar de seu paciente, mas não pode sofrer com ele. É preciso ouvir muito, ter paciência e respeito."

A sócia da Right resume uma parte de sua atribuição: "Nossa missão é fazer as pessoas entenderem que a demissão é um processo normal, assim como o divórcio. As pessoas, às vezes, ficam chocadas porque as expectativas do outro lado não batem com as suas".

Guimarães afirma que uma consultoria deve ser capaz de apoiar seu cliente em todo o processo de reestruturação. "É preciso tomar cuidado para não cometer erros graves. Houve processos malconduzidos de demissão que resultaram em protestos sindicais e até em reintegração de ex-funcionários por ordem da Justiça", diz.

Segundo Cardoso, o contratante - muitas vezes é o próprio executivo demitido quem recomenda a consultoria à sua empresa - também deve avaliar a qualidade dos consultores e a capacidade destes de alavancarem o network do demissionário. "O consultor pode mesmo ajudar na minha recolocação? Tem experiência para contribuir com o meu processo? Conta com mecanismos e metodologias de eficácia comprovada? São essas as perguntas que um executivo deve fazer na hora de escolher o fornecedor do programa de outplacement", informa o ex-presidente da DBM.

Fonte; Revista Melhor por

André Sales

http://revistamelhor.uol.com.br/textos.asp?codigo=12300

Dia dos namorados

terça-feira, 3 de junho de 2008

Evangélicos invadem centro espírita no Catete, diz polícia

Segundo a polícia, invasores quebraram imagens e móveis do local.
A polícia ainda não sabe o que motivou o crime.

Um grupo de pessoas invadiu um centro espírita na noite desta segunda-feira (2) na Rua Bento Lisboa, no Catete, Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo a 9ª DP (Catete), em depoimento, os suspeitos afirmaram ser evangélicos. Pelo menos cinco carros do 2º BPM (Botafogo) foram para o local na tentativa de conter o tumulto. A polícia ainda não divulgou os nomes dos invasores. Ninguém ficou ferido.

De acordo com a 9ª DP (Catete), onde o caso foi registrado, o grupo quebrou imagens de santos e todos os móveis do centro. Ainda não se sabe o que motivou o crime. Quatro suspeitos e freqüentadores do local prestaram depoimento na delegacia.

 

Do G1, no Rio, com informações da TV Globo

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Carta de Bonhoeffer

Carta escrita por D. Bonhoeffer no presídio de Tegel (Berlim) para Eberhard Bethge em 21 de julho de 1944.
"Lembro-me de uma conversa que tive há 13 anos na América com um jovem pastor francês".
Simplesmente, nos pusemos a perguntar um ao outro sobre o que afinal desejávamos da vida.
Então ele disse: eu gostaria de tornar-me um santo (e eu acredito que ele o conseguiu).
Aquilo me impressionou profundamente. Mesmo assim eu me opus e disse, com efeito, que eu gostaria de aprender a crer. Por muito tempo não compreendi a profundidade deste contraste.
Pensei que pudesse aprender a ter fé, vivendo eu mesmo algo como uma vida santa....
Mais tarde eu experimentei e experimento até este momento que só vivendo plenamente neste mundo aprendemos a crer. Quando desistimos completamente de fazer algo importante de si mesmo, ou seja, ser um santo ou um pecador convertido ou um eclesiástico, um justo ou um injusto, um doente ou são. Viver plenamente neste mundo significa viver na plenitude das tarefas, dos problemas, dos sucessos e fracassos, das experiências e perplexidades, assim nos lançamos completamente nos braços de Deus, e não mais levamos tão a sério os nossos próprios sofrimentos, mas levamos a sério o sofrimento de Deus no mundo, e então vigiamos com Cristo no Getsêmani e penso que isto é fé, isto é arrependimento. Assim nos tornamos cristãos e homens. Quem se tornaria arrogante com os sucessos ou desanimado com os fracassos, tendo uma vida assim, participando dos sofrimentos de Deus?
Creio que entendes o que quero dizer, mesmo que o diga assim em poucas palavras. Sou muito grato por ter podido descobrir isso e sei que só o pude mesmo reconhecer no caminho que tive de andar.
Por isso lembro com gratidão e em paz do que passou e permaneço assim no presente....
Deus nos guie com sua bondade através dessa época, mas acima de tudo Deus nos guie até a sua presença.
Fonte: Sociedade Bonhoeffer [via Práxis Cristã]

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Argélia: Cristãos convertidos são julgados por pregar religião não-islâmica

Os homens, protestantes, são acusados de distribuir material religioso considerado ilegal. O veredicto deve ser anunciado na próxima terça-feira, dia 3 de junho.

Em um caso paralelo, uma mulher, Habiba Kouider, foi processada por ter sido pega portando exemplares da Bíblia, na cidade de Tiaret, a cerca de 400 km da capital Argel.

Ela é acusada de pregar uma religião sem autorização e pode ser condenada a até três anos de cadeia. Kouider nega a acusação.

Exemplo

Alguns jornais argelinos afirmam que o caso de Kouider seria um exemplo de desrespeito à liberdade de consciência, direito garantido pela Constituição do país, que permite, pelo menos no papel, a prática de outras religiões.

Desde 2006, entretanto, as leis argelinas determinam que congregações não-islâmicas e líderes de outras religiões precisam obter licença do governo para poder pregar suas crenças.

Os advogados das vítimas estão sendo pagos pela organização não-governamental American International Christian Concern.

A porta-voz para a África da organização, Darara Gubo, disse à BBC Brasil acreditar que atualmente existe um movimento crescente de repressão à conversão ao cristianismo em vários países muçulmanos.

“Em diversas nações islâmicas os cristãos estão sendo processados quando usam sua liberdade religiosa e evangelizam muçulmanos. Isso acontece na Argélia, Irã, Arábia Saudita, Jordânia e muitos outros países”, disse ela.

Gubo afirma que a repressão aumentou na Argélia após a exibição de um documentário que mostrava um aumento do número de cristãos no país.

“Isso (o documentário) gerou muita pressão de outros países do Oriente Médio e da África. Eles consideraram vergonhoso que os muçulmanos estivessem se convertendo.”

O governo da Argélia afirma que existem cerca de 11 mil cristãos no país, cuja população é de cerca de 33 milhões. Grupos religiosos cristãos afirmam que o número de fiéis é bem maior.

Seis cristãos convertidos do islamismo podem ser condenados a até dois anos de prisão e a pagar multas de cerca de US$ 8 mil na Argélia, depois de serem acusados de pregar uma religião não-islâmica sem a aprovação do governo.

Fonte bbcbrasil.com

Rodrigo Coelho
Da BBC Brasil no Cairo

Gloria a Deus

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Tome uma atitude!!

Educar para a cidadania

Cidadania rima com democracia. Se nem se sabe o nome do político em que se votou nas últimas eleições, e muito menos o que andou fazendo (ou desfazendo), como participar das decisões nacionais? Assim, nossa democracia permanece meramente representativa. Dá-se um bom emprego a um político. Sem se dar conta de que são reflexos diretos da política o preço do pão, a mensalidade da escola, a qualidade de vida.
Ser cidadão é entrar em um nó de relações. É simples: ao pedir nota fiscal, evita-se a sonegação e aumenta-se a arrecadação pública que, em tese, permite ao governo investir em rodovias, hospitais, escolas, segurança etc. Quando se recusa a propina ao guarda, moraliza-se o aparato policial.
Cidadania supõe consciência de responsabilidade cívica. Nada mais anticidadania do que essa lógica de que não vale a pena chover no molhado. Vale. Experimente recorrer à defesa do consumidor, escrever para jornais e autoridades. Querem os políticos corruptos que passemos a eles cheque em branco para continuarem a tratar a coisa pública como negócio privado. E fazemos isso ao torcer o nariz para a política, com aquela cara de nojo.
Cidadania rima com solidariedade. Cada um na sua e Deus por ninguém é o que propõe a filosofia neoliberal. Sem consciência de que somos todos resultados da loteria biológica. Nenhum de nós escolheu a família e a classe social em que nasceu. Injusto é, de cada 10 brasileiros, 6 nascerem entre a miséria e a pobreza (e nascem por ano, no Brasil, cerca de 3 milhões de pessoas). Ter sido sorteado implica uma dívida social.
Solidariedade se pratica com participação nos movimentos sociais, sindicatos, partidos, ONGs, administrações públicas voltadas aos interesses da maioria.
Se prefere deixar "tudo como está para ver como fica", não se assuste quando lhe enfiarem um revólver na cara ou exigirem que trabalhe mais por menos salário. Afinal, você merece, como todos que não percebem que cidadania e democracia são sempre uma conquista coletiva que depende do corajoso empenho de cada um de nós.
Este ano teremos eleições municipais. Comece a pensar grande. Espelhe-se no Movimento Nossa São Paulo. Repita-o em seu município. Muitos se queixam de que o mundo vai mal, o governo é incompetente, os políticos oportunistas. Mas o que faço para melhorar as coisas?
Havia em São Paulo um travesti, Brenda Lee, que batizei de Cleópatra em meu romance Alucinado Som de Tuba (Ática). Antes de morrer assassinado, ocupou-se de cuidar de seus companheiros contaminados pela aids. Não esperou que o poder público o fizesse. Transformou a pensão em que morava em hospital de campanha. Foi a primeira pessoa física a obter, na Justiça, verba pública para uma iniciativa individual.
O dilema é educar para a cidadania ou deixar-se "educar" pelo neoliberalismo, que rima com egoísmo.
Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Paulo Freire e Ricardo Kotscho, de Essa escola chamada vida (Ática), entre outros livros.

domingo, 18 de maio de 2008

Madeira de lei

No “Painel do Leitor” da Folha de São Paulo de 16 de maio de 2008, Stalmir Vieira escreveu sobre a demissão de Marina: “No mundo encantado do poder, ocupado por ex-subversivos e ex-torturados, hoje bochechudos, rosados e de cabelos bem arranjados, o único papel que caberia a uma mulatinha magrinha, que jamais aceitou abandonar suas origens, seria o de servente. Ela não topou”. ...

O empobrecimento ético dos evangélicos é notório e Marina Silva destoa. Portanto, quando não der para sentir orgulho dos crentes brasileiros, nos inspiremos em nossa irmã.

Soli Deo Gloria.

Texto filado do site do Pr Ricardo Gondim

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Europa: igrejas mobilizarão fiéis para mudança climática

Os representantes das principais religiões monoteístas européias se comprometeram hoje a mobilizar seus fiéis contra a mudança climática, em reunião impulsionada pelos líderes das principais instituições européias.

O encontro, o quarto deste nível realizado na União Européia, reuniu os presidentes da Comissão, do Conselho e do Parlamento europeus com altos dignatários das igrejas anglicana, reformista, ortodoxa, católica, islâmica e judaica.

A reunião de hoje constitui "a primeira ocasião na qual há uma colaboração direta entre líderes espirituais e a UE" em matéria de proteção do meio ambiente, segundo afirmou em entrevista coletiva o presidente da CE, José Manuel Durão Barroso, que qualificou o encontro de "intenso e frutífero".

Tanto Barroso quanto o primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa, e Hans-Gert Pottering, presidentes do Conselho e do Parlamento europeus, respectivamente, assinalaram que as religiões podem desempenhar "um papel fundamental" para conscientizar a opinião pública sobre a necessidade de atuar contra a mudança climática.

"Concretamente, as igrejas poderiam conseguir fazer com que o povo mudasse seus hábitos, e realizasse um consumo mais responsável e mais respeitoso para com o meio ambiente", disse o arcebispo de Vilnius, Audrys Juozas Backis.

Além disso, os representantes dos distintos credos que convivem na Europa e os responsáveis das instituições européias abordaram a necessidade de reconciliação entre as religiões e de fomentar o diálogo intercultural.

Pottering declarou a esse respeito que, apesar das diferenças que possam existir em muitos temas, todos coincidem em promover o respeito e a tolerância, "ao contrário dos que falam em choque de civilizações".

Por sua parte, o presidente da CE destacou a importância de compatibilizar a liberdade de expressão e o respeito para com as outras crenças, algo que, segundo ele, "será fundamental para o futuro da Europa".

Perguntado sobre este mesmo tema, o ulemá da Bósnia-Herzegóvina, Mustafá Céric, se referiu ao documentário sobre o Islã feito pelo deputado holandês Geert Wilders, o qual, indicou, "provavelmente não contribuirá para melhorar a liberdade de expressão, mas somente para ferir muitos corações".

EFE

Agência EFE -

sábado, 3 de maio de 2008

quarta-feira, 30 de abril de 2008

sábado, 26 de abril de 2008

As aparências enganam

Santo Agostinho dizia: “Deus tem filhos que a igreja não tem”.
Diante da atual conjuntura cristã mundial, e especificadamente brasileira, me atrevo a dizer: “a igreja tem filhos que Deus não tem”.
Adágios sempre nortearam as estruturas de pensamento popular, famosos provérbios perambulam eternamente nas rodas do “povão”, um deles se enquadra muito bem na atual situação da igreja evangélica brasileira: contra fatos não há argumentos.
Escândalos de conduta ética, notícias que denunciam pastores evangélicos donos de rádios piratas, furos de noticiários com gravações de bispos ensinando como tomar a benção do povo (ou dá ou desce!) e assim sucessivamente.
Slogans de igrejas que prometem serem igrejas: do poder de Deus, da unção poderosa, do fogo puro, de milagres e maravilhas, do apóstolo que cura, do pastor que revela, do copo de água santa, da rosa ungida, do lenço com suor, do emagrecimento eficaz, da oração poderosa, das cinco coisas que você deve fazer para....., dos sete dias, das doze semanas, do ano sagrado, e assim por diante.
Tudo comprova que como cristãos somos pessoas cheias de expectativas, principalmente quanto ao céu. Não temos certeza de como é o céu, e muito menos de quando será, essa dúvida gera em nós ansiedade e prazer em servir a Cristo, não só pelo fato de querermos o céu, mas pelo fato de termos a vida eterna.
Toda essa expectativa espiritual, que em nós produz esperança, leva alguns a se iludirem com líderes insanos, descontrolados e alvissareiros que criam comunidades nos moldes do que se entende por espiritualidade, comunidades onde o que se busca são “coisas extraordinárias”, experiências sobrenaturais (sendo que Cristo nos ensinou a buscar a instalação do reino e sua justiça) - o que eles não sabem é que espiritualidade não é algo teórico e muito menos empírico, mas algo extremamente divino e humano. A tentativa de manipular o poder, a honra, a glória e a justiça de Deus resultam na construção de minicéus, verdadeiros circos nos quais se revela a “desvontade” do altíssimo mediante picadeiros diversificados.
O que muitos esquecem é que Jesus advertiu a todos que manifestações espirituais jamais poderão comprovar a espiritualidade de ninguém, o Mestre disse que naquele dia muitos dirão: “Senhor, expulsamos demônios em teu nome e curamos enfermos, e Eu vos direi, não os conheço, apartai-vos de mim malditos para o fogo eterno.”
Com certeza a primeira surpresa que teremos antes de adentrar à Nova Jerusalém, será a seleção daqueles que habitarão o largo de fogo eterno. Nem todos aqueles que têm carteirinha de membro de determinada igreja, nem todos os que foram batizados nas águas e no Espírito, que falam em línguas (bem) estranhas, que têm sonhos e visões, comporão o livro da vida.
O que se conclui é que fazer parte da igreja (instituição) não confere a ninguém o “direito” de adentrar os átrios celestiais; existem muitas, por que não, incontáveis, pessoas que não fazem parte da cristandade atual, porém crêem em Cristo e têm uma vida tão igual à dele que por vezes são confundidos com o próprio. Estar na igreja é muito mais perigoso do que fora dela, estar na igreja pode nos anestesiar fazendo-nos acreditar que estamos salvos pelo fato de lá estarmos, enquanto que estar fora dela, ou seja, no mundo (espírito) é totalmente diferente, todos os que compõem o sistema de coisas atual já sabem seu destino se porventura não se renderam ao Cristo morto e ressurreto.
O que nos confere a certeza de que teremos nossos nomes na seleta lista dos salvos, é a fé naquele que nos gerou em Deus, entretanto, as obras são as mais genuínas provas de qual povo fazemos parte, igreja ou mundo, filhos da luz ou das trevas. Cabe aos verdadeiros seguidores de Jesus construir comunidades onde a vida seja vivida intensamente, onde as pessoas se amem sem medidas, onde o próximo sempre seja preferido em honra, onde a desigualdade social e a injustiça sejam punidas e exterminadas, onde o pecado seja massacrado e as feridas tratadas com paixão, comunidades de amigos, de irmãos, onde todos contribuem para a instalação do reino na terra a partir do amor que produz solidariedade, amizade, reflexão e uma genuína espiritualidade. Assim dizia o Cristo: “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas? Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins. A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons. Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!
“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Eu os direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!”
(Mateus 7:15-22. NVI)
Pensando bem Calvino tinha razão: “Existe outra igreja dentro da própria igreja”.

fonte; http://celebraii.blogspot.com/

Postado por Evangelista Wil

Pastores evangélicos acusam crianças de bruxaria



Quanto vejo coisas como estas me lembro de quando Jesus disse “Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”
No Brasil ainda não vi colocarem prego em cabeça de criança, mas vejo todo tempo pastores e lideres que se dizem cristão encherem de abobrinhas as cabeças de gente que vai a procura de um deus que realize seus desejos e pedidos, resultado; fé rasa e decepções

domingo, 20 de abril de 2008

Procon nos videntes



Um grupo de médiuns e videntes da Grã-Bretanha vai realizar um protesto contra uma nova lei de proteção do consumidor que deve facilitar os processos em casos de clientes insatisfeitos com seus serviços.

Segundo Naomi Grimley, correspondente da BBC, como alguns destes videntes cobram pelas consultas, a nova lei passará a classificá-los como "comerciantes".

As novas regras da União Européia têm o objetivo de proteger todos que forem enganados por comerciantes, não importando qual a mercadoria que está sendo vendida. As mudanças serão colocadas em prática a partir de maio.

Alguns médiuns já começaram a divulgar, em suas propagandas, alertas em que se eximem de responsabilidades, como por exemplo: "isso é apenas uma experiência, os resultados podem não ser garantidos".

O grupo também vai entregar uma petição com 5 mil nomes ao gabinete do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.

Processos

Carole McEntee Taylor, uma das fundadoras da Associação dos Trabalhadores Espirituais da Grã-Bretanha, teme que clientes insatisfeitos possam entrar com processos, caso os resultados não sejam os esperados.

Para Taylor, o que videntes e médiuns praticam é espiritualismo, uma religião, e, assim como todas as outras religiões, suas práticas não deveriam exigir provas.

"Ao colocar nossa religião sob a lei de proteção do consumidor, estamos sendo discriminados, pois estão nos dizendo no que podemos acreditar", afirmou.

"Nenhuma outra religião é forçada a provar suas crenças, e as pessoas também não são obrigadas a ir a um médium, assim como não são obrigadas a ir a uma igreja", acrescentou.

Para Taylor, a nova lei não protegerá o público porque existem outras formas de atingir esse objetivo.

"É preciso educar o público a respeito de espiritualismo, a filosofia", afirma. "Se eles forem educados sobre esta filosofia, não serão enganados por pessoas que fazem alegações ridículas, pessoas que falam 'se você me der tanto em dinheiro, poderei consertar'."

O Office of Fair Trading, órgão do governo britânico de proteção ao consumidor, afirma que não está interessado em entrar com processos contra a grande maioria dos médiuns.

A entidade informou que pretende ir atrás apenas dos mais óbvios "comerciantes desonestos".

Tomara que a coisa pegue e venha para o Brasil

terça-feira, 15 de abril de 2008

Quando eu vi Jesus eu vi a luz



A nossa igreja recebeu o Pr Ronaldo Lidório (na foto no meio de óculos eu e Anne Mary)
Foi um momento especial, poucas pessoas têm tanto testemunho e serviços prestados ao Reino quanto o Ronaldo, sua passagem pela África foi marcada por grandes transformações na vida de um povo, abaixo o Ronaldo escreve um pouco sobre isso

Queridos,

A conversão de Makanda, filho de Mebá, do clã Sanbol dos Konkomba de Gana é um daqueles fatos que marcam nossas vidas.

Revisando o livro Konkombas para uma reedição em breve, tive o privilégio de consultar alguns dos primeiros convertidos entre os Konkomba-Bimonkeln a fim de preparar um capítulo dedicado especificamente a testemunhos pessoais. Fiquei admirado e alegre ao receber relatos tão intensos de pessoas como Mebá, Labuer, Kidiik e Makanda. É a história contada pela ótica de quem a experimentou.

Makanda é um rapaz brilhante e sincero. Após sua conversão foi rapidamente apontado como presbítero pela igreja ainda germinante e pouco a pouco passou a cooperar com o trabalho de saúde que Rossana iniciava. Hoje é um dos mais respeitados líderes Konkombas da região e está a frente da clínica em Koni. A época de sua conversão é setembro de 1995, que ele aqui aponta como "a época do inhame puná, um ano após a grande chuva". A "luz" a que ele se refere no seu testemunho são os primeiros raios da manhã que, na cultura Konkomba, significa esperança, ou seja, um novo dia em que algo bom pode acontecer.

Vale a pena ler seu relato que transmite alegria e aquece a alma.

Ronaldo e Rossana


“Antes de sermos cristãos nós adorávamos um fetiche chamado babasu que se localiza na aldeia de Sibru. Meu pai era feiticeiro grumadii mas eu estava a procura de algo novo.


Nós críamos que ele poderia curar ou ajudar aqueles que se devotavam a ele. Apesar de grumadii ser o fetiche invocado em Koni, em minha mente babasu era merecedor de devoção pois havia ouvido inúmeras histórias sobre seu poder.

Certo dia viajei até Sibru para trabalhar nos campos de inhame do feiticeiro local, e ali permaneci até o dia do sacrifício. Há vários tipos de sacrifícios, mas naquela manhã ele sacrificaria galinhas. Elas eram mortas com uma pancada na cabeça e todos observavam atentamente a forma como cairiam no chão, finalmente imóveis. Se elas caíssem com as pernas para cima significa que o espírito havia rejeitado o sacrifício. Com as pernas para baixo havia sido aceito.

Neste dia o sacrifício foi aceito e o sangue foi derramado, cuidadosa e lentamente, sobre um altar de pedra, uma espécie de mesa de pedra negra. A cor escura, eu cria, era devido ao sangue que ali era derramado constantemente. Após a cerimônia o feiticeiro local deu-me uma castanha como sinal de que o sacrifício havia sido aceito, e conseqüentemente o espírito levaria em consideração meu pedido, que era de proteção da morte e prosperidade.

Quando retornei a Koni continuei a servir babasu participando de sacrifícios e cerimônias e fiz o nome de babasu bem conhecido em nossa aldeia. De certa forma eu seguia os passos de meu pai, que trouxe a adoração a grumadii para aquela região. Também comecei a beber bastante. Lembro-me, inclusive, que estava um pouco bêbado quando o homem branco chegou pela primeira vez em nossa aldeia. Crianças corriam e choravam e todos estávamos curiosos para ver a ‘banana descascada’, como o chamávamos.

Nos meses que se passaram, porém, o homem branco não nos deixou. Víamos que ele sofria por não saber nossa língua e parecia sempre muito cansado. Ele, entretanto, aprendeu nossa língua em alguns meses e certo dia, sentados embaixo de uma castanheira, ele começou a nos falar sobre Uwumbor, um deus antigo e criador, mas que críamos estivesse perdido. Lembro-me de meus questionamentos: se Uwumbor é Deus mais poderoso que os espíritos, porquê não se manifesta como fazem os espíritos ? Por outro lado eu pensava: se Uwumbor for Deus, criador e mais poderoso, talvez seja quem nós procuramos. Era sabido por cada um de nós que grumadii e babasu, entre outros espíritos, não nos amavam. Algo, porém, nos fazia vacilar: como um estrangeiro nos ensinaria sobre o nosso próprio Deus ? Não parecia ser algo para nós.

Os feiticeiros começaram a acusá-lo de ser mentiroso e enganador. Também de perigoso ao utilizar de forma errada nossas histórias antigas. Curiosamente o vice-chefe da aldeia, do clã Binaliib, guardadores de fetiches, protegia o homem branco. O vice-chefe era homem conhecido por sua paciência e sabedoria, enquanto o chefe e seus filhos eram afoitos e guerreiros. A simpatia do vice-chefe nos fez pensar que talvez houvesse alguma verdade em suas palavras.

Certo dia o homem branco viajou e disse que voltaria. Pensávamos que ele não regressaria pois nossa região era muito distante, cortada por muitos riachos e planícies até chegar à terra dos Dabomgas, de onde ele poderia ir para algum outro lugar. Mas ele regressou e trouxe sua esposa, que sorria muito. Pareciam estar gostando do lugar e de nosso povo. Porquê estariam ali ? Pensávamos assim: será que foram expulsos de seu povo e precisam de um lugar para ficar ? Alguns sentiam pena deles, especialmente quando chegava a noite e víamos que não conseguiam dormir muito bem. Sempre diziam que estava quente, mesmo no inverno! Dormiam no pátio da casa do vice-chefe. Lá havia muita gente e não tinha muito espaço mas ninguém mais os queria receber. O vice-chefe, porém, parecia gostar deles. Quando eles falavam nossa língua todos queriam correr para escutá-los. Falavam engraçado e nós ríamos muito.

Um dia eles compraram um cabrito e prepararam alimento para várias pessoas. Convidaram os feiticeiros para o banquete. Todos na aldeia estavam curiosos para saber o que aconteceria. Treze feiticeiros compareceram, inclusive meu pai. A comida parecia boa e todos gostavam da forma como os brancos os alimentavam e lhes serviam água nas cabaças, se aproximando dos anciãos de cócoras e com respeito. Mas ao fim eles pediram permissão para lhes falar que tinham em mãos algo que lhes explicavam exatamente quem era Deus. Um livro que era a história de Deus. Todos ficaram muito encantados e prestamos atenção como este livro nos ensinava como as coisas haviam sido criadas. Algumas coisas eram parecidas com nossas histórias, outras meio diferentes, mas com muitos detalhes.

Ao fim, porém, houve um grande tumulto quando eles falaram que este Deus (Uwumbor), que criou a todos, não estava distante. Estava ali conosco, em Koni, nos observando, e triste porque adorávamos aos espíritos como se fossem Deus. Vários feiticeiros gritaram desafiando-os se Uwumbor era maior que seus espíritos. Alguns foram embora e outros permaneceram ouvindo. Gostávamos dos brancos, mas o que falavam era difícil de ouvir. No fundo acho que todos sabíamos que os espíritos que adorávamos eram maus e maliciosos. Na verdade sabíamos. Talvez nossa reação fosse por temor. E alguns pensaram assim: como estes brancos nos falam sobre nossos espíritos? Temíamos que nossos espíritos estivessem nos observando e que seríamos punidos se não os defendêssemos. Assim alguns gritaram com raiva dos brancos, mas de fato não estavam com raiva. Era apenas para que os espíritos não os punissem. Uwumbor, por outro lado, segundo os brancos, não precisava de defesa. Era algo curioso que me deixou muito pensativo. Fui para a roça sozinho no dia seguinte.

Certo dia alguma coisa em minha mente passou a me dizer que suas palavras eram verdadeiras, e isto me levou a desejar ouvi-lo ainda mais. Alguns falavam em matá-los, especialmente através de algum veneno conhecido. Seria fácil matá-lo pois eles comiam nossa comida e tomavam da nossa água. Moravam, porém, com a família do vice-chefe, que era conhecido como um homem bom e possivelmente não apoiaria o envenenamento. Mas acho que ninguém jamais conversou com o vice-chfe sobre isto. Mas eu não conseguia parar de pensar no que ele falava e fiquei pensando que, se Uwumbor realmente nos criou talvez não esteja tão longe.

Certo dia eu o ouvi pregar no meio da aldeia, enquanto as pessoas passavam, sobre o poder de Deus, o tema favorito do homem branco nos primeiros meses. Já que ele estava vivo mesmo falando tão mal dos espíritos talvez os espíritos não fossem tão fortes assim como pensávamos. Mas naquele dia ele nos falou sobre a salvação em Jesus Cristo e nos explicou a cruz. Foi diferente imaginar este Jesus, filho de Deus, e Deus feito gente, naquela cruz. Porque não fugiu ? Eu ficava pensando. Era a época do inhame puná, um ano após a grande chuva.

Não posso explicar muito bem o que aconteceu nem o momento exato que passei a crer em Deus mas em um certo momento eu vi a luz de Jesus perto de mim, e um sentimento de liberdade tomou conta de mim. Daquele dia em diante eu passei a contar minha experiência com Cristo com uma música.

‘Antes eu não sabia onde estava Jesus,

e eu procurava por caminhos de salvação.

Quando eu vi Jesus eu vi a luz’.

Muitas coisas aconteceram comigo depois, mas algo que ficou marcado era que, de alguma forma, Jesus parecia ser parte do nosso povo. Algo escondido que sempre procurávamos. Quando fui a procura de babasu, no fundo quem eu procurava era Jesus. Quando outros vão atrás de babasu, na verdade procuram é a Jesus.

Daquele dia em diante quando alguém me perguntava sobre Jesus eu alegremente respondia: quando eu vi Jesus, vi a luz.”

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Revolta no Inferno

Todo fim de ano o Diabo recebe um pequeno grupo para jantar no que chama de sua anticobertura, um duplex no último subsolo do Inferno, escolhendo entre as almas condenadas as mais interessantes e de melhor papo.

Os pratos são sempre grelhados e o vinho é de produção local, marca Diabo, mas o principal é que todos se divertem, falando mal de Deus e todo  mundo. Mas, ultimamente, a questão de quem merece e quem não merece estar no Inferno vem sendo muito discutida nos jantares, e as queixas dos que se acham injustiçados por estarem lá se multiplicam.

O Diabo tenta cortar os lamurientos da sua lista de convidados, mas não pode prescindir da presença de Oscar Wilde, um dos seus comensais favoritos, apesar das suas constantes críticas à comida, à companhia e à ausência de ar condicionado, e que foi quem primeiro expressou sua revolta. E o Diabo já sabe que em breve estará enfrentando uma verdadeira rebelião de almas pedindo revisão de sentença e perdão retroativo. E que seus jantares nunca mais serão os mesmos.

Tudo começou quando Wilde, fazendo uma cara feia depois de provar o vinho, comentou como estavam se tornando comuns, na Terra, o casamento entre homossexuais.

— Eu fui preso, execrado e excomungado por ser homossexual — disse Wilde. — Se fosse hoje, em vez de condenado e exilado, eu poderia ser, sei lá, um conselheiro matrimonial. Não faz muito, a mesma igreja anglicana  que me mandou para cá ordenou um bispo gay. O que é que eu estou fazendo aqui?

O Diabo tentou mudar de assunto, mas Wilde continuou:

— Me transfira para o céu, D.  Nada pessoal contra você, mas aposto que o vinho lá é melhor. Sem falar no clima.   

Não adiantou o Diabo argumentar que nem ele nem Deus são senhores dos tempos que mudam, ou da justiça divina, que não tem corregedoria ou apelação. Wilde só prometeu epigramas cada vez mais pesados, mas o Diabo se prepara para a gritaria dos indignados do Inferno.       

Como os que foram mandados para o Inferno por usura, no tempo em que era pecado. E — como gosta de lembrar o Diabo, com um sorriso malicioso — a Igreja ainda não inventara o Purgatório justamente para acomodar os usurários, pois sem eles não haveria empréstimo a juros, bancos e sistemas financeiros.

Hoje a usura não só é o que faz o capitalismo rodar como é o capitalismo financeiro que manda no mundo. E, principalmente, não é mais pecado, pois os juros não são mais uma abominação aos olhos do Senhor, e até a Igreja tem bancos. E os condenados por usura no Inferno perguntam se não têm direito à mesma respeitabilidade conquistada pelos banqueiros, que hoje enriquecem em vida sem o risco de as suas almas penarem na morte, e à absolvição.

Ou pelo menos a um up grade para o Purgatório.

Enviado por Luiz Fernando Verissimo para o Noblat http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

domingo, 6 de abril de 2008

52 garotas são retiradas de rancho de seita religiosa


Autoridades do Estado americano do Texas retiraram 52 meninas do rancho de uma seita poligâmica na tarde desta sexta-feira após uma adolescente de 16 anos que vivia no local ter feito uma queixa de abuso físico.
O Serviço de Proteção à Criança do Texas procura casas de abrigo e cuidados para as meninas, com idades de 6 meses a 17 anos. Dezoito delas estão sob custódia do Estado.

O proprietário do rancho na cidade de San Antonio é o líder da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Último Dia (FLDS, sigla em inglês), Warren Jeffs, que foi preso em novembro por 10 anos por cumplicidade em um estupro.

Jeffs foi condenado após ter forçado uma adolescente de 14 anos a se casar com seu primo.

Isoladas do mundo

O líder religioso, que se proclama profeta, aguarda outros julgamentos no Arizona, em que é acusado de ser cúmplice em quatro casos de incesto e conduta sexual com uma menor de idade fruto de dois casamentos arranjados.

O Serviço de Proteção à Criança do Texas afirmou que após entrevistar as 52 meninas decidiu que nenhuma vai retornar ao rancho.

"Estamos lidando com crianças que não estão acostumadas ao mundo exterior, por isso estamos tentando ser bastante sensíveis em relação a suas necessidades", afirmou Marleigh Meisner.

Poligamia

De acordo com o jornal San Antonio Times, um mandado de busca procura registros relacionados ao nascimento de crianças de uma adolescente de 16 anos e outros sobre seu casamento com um homem de 50 anos. Autoridades afirmaram que a garota ainda não foi encontrada.

Nenhuma prisão foi realizada e autoridades disseram que pessoas do rancho estão "ajudando nas buscas".

Acredita-se que cerca de 150 pessoas vivam no local.

A seita, que tem cerca de 10 mil seguidores e domina as cidades de Colorado City, no Arizona, e Hildale, em Utah, é uma dissidência da igreja Mormon.

Os integrantes da seita acreditam que o homem precisa casar com pelo menos três mulheres para subir ao céu. As mulheres, por sua vez, são ensinadas que seu caminho para o céu é a subserviência ao marido.

A poligamia é ilegal nos Estados Unidos, mas as autoridades relutam em enfrentar a FLDS por medo de provocar uma tragédia similar à que aconteceu em 1993 na sede da seita Branch Davidian, em Waco, no Texas, quando 80 fiéis morreram em choques com a polícia.
fonte; http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/04/080405_abusotexas_aw.shtml

sábado, 5 de abril de 2008

Ignorância mata


Essa menina bonita se chama Madeline Neumann. A última vez que viu um médico foi aos três anos, pois seus pais acreditam no Poder da Oração, não em meros remédios.

Por isso quando Madeline começou a se sentir mal, eles fizeram o que era sensato: Rezaram por ela. Juntaram amigos em casa, de seu Grupo de Oração, e por um mês depositaram toda sua fé pedindo ao Senhor que curasse Madeline, uma alegre menina de 11 anos.

Nas palavras dos próprios pais. “aparentemente não tínhamos fé o suficiente”, e sendo assim, Madeline morreu. Mas não se preocupe, a mãe dela acha que se rezar com bastante fé, Madeline pode ser ressucitada.

Os seculares e ateus médicos que fizeram a necrópsia descobriram que Madeline morreu de cetoacidose diabética, uma complicação da Diabetes Mielitus, uma condição que pode ser curada com fé, oração, intervenção divina ou insulina.

Como Madeline descobriu da pior maneira, o único com garantia de funcionar é a insulina.
Infelizmente Darwin pode ser bem cruel com criancinhas.
O pior é que os pais que ASSASSINARAM a pobre Madeline continuam com a guarda dos outros três filhos do casal.

fonte: Fox News [via Pavablog ]

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Arte no papel




É incrível a quantidade de coisa boa que a gente não aproveita por simplesmente só poder ser um e estar apenas e um lugar. Ainda bem que existe a internet, pelo menos dá pra ter um gostinho das coisas. Um tempo atrás houve um concurso de arte na Hirshhorn Modern Art Gallery em Washington, DC. O tema era qualquer coisa que utilizasse apenas uma única folha de papel. Os resultados são incríveis.
filado do corre negada

sábado, 29 de março de 2008

Onde está o milagre?


Ricardo Gondim.

Estudo no Programa de Mestrado da Universidade Metodista de São Paulo. Ao lado do edifício Capa, onde temos aula, fica a Clínica de Fisioterapia; ali, a cada instante, encostam na calçada, diferentes veículos com portadores de deficiências motoras - paralisia cerebral, paraplegia e tetraplegia. Quando chegam, não dá para evitá-los. Apesar de alguns alunos tentarem virar o rosto, nitidamente constrangidos, brilha a nobreza resiliente de mães que carregam crianças no colo; idosos, mesmo arrastando os pés, mantêm sua dignidade.

Ainda não me atrevi a entrar na clínica, mas imagino a abnegação de médicos, enfermeiras e fisioterapeutas; vejo até suor pingando e mãos agarrando cavaletes e argolas com sacrifício. Sei que lá dentro a vida segue numa toada diferente.
Aquele entra e sai de deficientes deve ter sido responsável por acabar o meu encanto com as bravatas dos milagreiros, pois já não me maravilho com testemunhos de cura que a televisão e o rádio anunciam em larga escala.
Realmente, não me intrigo com declarações de que serão curados “pela fé" todos os doentes que comparecerem "à vigília da segunda-feira" ou "à corrente dos 348" ou "à cruzada pró evangelização do mundo".

A Igreja Presbiteriana de Fortaleza foi meu berço religioso. Em meus primeiros passos, pouco falávamos em cura já que éramos "tradicionais" - uma versão light, porém fundamentalista, do evangelicalismo. Quando alguém em nossa comunidade ficava doente, repetíamos que o verdadeiro crente não se resigna, mas pede: “Seja feita a tua vontade”.

Depois que passei por uma experiência pentecostal e falei em línguas (tecnicamente chamada de glossolália), tornei-me um pentecostal de boa cepa. Compareci a muitas conferências sobre cura divina; duas, patrocinadas por Morris Cerullo - Londres e San Diego. Fui evangelista associado da Cruzada Boas Novas, do missionário Bernhard Johnson. Interpretei o Jimmy Swaggart em sua turnê pelo Brasil – Morumbi e Maracanã - Swaggart cria e falava em milagre, embora não fosse propriamente um pregador de cura.

Portanto, não sou neófito ou incrédulo no que tange o transcendente. Sei todos os versículos, todos os raciocínios, que fundamentam a lógica de buscar-se uma solução sobrenatural para as enfermidades. Ninguém precisa converter-me a esse pacote. Sei citar Isaías 53, Marcos 16, 1Coríntios 12 e tantos outros textos.

Acontece que a dor do mundo me alcançou na calçada de uma clínica de fisioterapia; ali se escancarou a angústia de milhões de mães e o meu coração se fechou para as antigas lógicas milagreiras.

Mesmo quando me sinto inclinado a acreditar nos pregadores de cura divina, sou lembrado que multidões de meninos e meninas morrerão de HIV/Aids em países como Congo, África do Sul, Moçambique e Angola. Quando sou tentado a ser condescendente com os Cerullos, os Benny Hinns e os R. R. Soares da vida, com as suas interpretações literais da Bíblia, lembro-me do mal estar que muitos doentes podem estar sentido naquele exato momento como consequência de uma quimioterapia.
Quando ouço promessas de milagre a granel, pergunto: - Quem vai ajudar a adolescente que não tem namorado porque nasceu com uma doença genética que lhe desfigurou?

Minha questão é: os religiosos deveriam querer lidar com um mundo real, que precisa de grandes intervenções, não de panacéias. Um ministro do evangelho não tem o direito de pregar que, “em tese”, todos serão curados e depois dar de ombros para os que não receberam a bênção dizendo que faltou fé.

O verdadeiro cristão deve buscar intervenções divinas onde o sofrimento se mostrar mais agudo. Eu me disponho a ajudar qualquer evangelista que tenha peito para dar plantão na calçada da Universidade Metodista. Vou buscá-lo e prometo interceder ao seu lado. Sinceramente desejo que os mais seqüelados voltem para casa pulando de alegria.

Sei de antemão que ninguém virá. A maioria está interessada em propagandear prodígios com o intuito de prosperar seus empreendimentos religiosos. Caso acreditassem nas interpretações que fazem da Bíblia, se ajoelhariam nos corredores das clínicas de câncer infantil, nas hemodiálises e na infectologia dos grandes hospitais.

Precisamos de outras respostas para o sofrimento humano; os pressupostos desses evangélicos, que anunciam cura com tanto estardalhaço, não abarcam a complexidade do sofrimento universal.

Proponho que os prodígios do Evangelho sejam outros; que a presença de Deus se revele no serviço, no amor solidário e na compaixão. Que as mãos e os pés de Deus sejam as mãos e os pés dos que não fogem da dor alheia. Não conheço os profissionais que se dedicam naquela clínica de fisioterapia; tenho certeza, porém, que todos encarnam a possibilidade de um milagre.

Ricardo Gondim em http://www.ricardogondim.com.br

Soli Deo Gloria.

Concordo com o texto, principalmente quando se refere aos milagreiros sem noção

Mas creio e sei que o Pr Ricardo também crê que Deus é soberano e pode fazer milagres

por quê Ele Vive

Em nome de Jesus

O drama da narrativa bíblica reflete, em muitos sentidos, um árduo esforço divino para eliminar da mente humana o conceito de magia: a noção de que, através de fórmulas mágicas ou procedimentos estabelecidos, Deus ou o universo podem ser manipulados para atingirmos o objetivo que temos em mente.

Desde a primeira página, um dos traços mais distintivos do Deus das Escrituras é que ele não faz barganhas. Não há ritual ou palavra mágica que possa torcer o seu braço a fazer o que queremos. Se Deus concede o que homens lhe pedem é reflexo da sua magnanimidade e da intimidade de relacionamento que ele propõe, jamais da habilidade humana em manipulá-lo.

Essa obsessão divina em apagar da experiência humana a idéia da magia explica muito nas filigranas dos mandamentos e da Lei de Moisés. Israel não deve ter “outros deuses além de mim”, entre outras coisas, porque os deuses dos outros povos são entidades manipuláveis – aceitam suborno, dobram-se diante do ritual certo, vendem-se por um sacrifício, negociam, especulam e cedem a barganhas. Deus sabe que não é assim que o seu universo funciona, e não quer que seu povo adote essa visão distorcida do mundo. Pela mesma razão ele deita rigorosas proibições contra feitiçaria, amuletos e toda espécie de adivinhação.

Os cristãos reincidem constantemente na magia.

O próprio regime de sacrifícios não pressupõe qualquer controle mágico do mundo; as prescrições deixam muito claro que trata-se de provisão graciosa para a purificação dos pecados, e não de instrumento de manipulação. Deus faz alianças e assina contratos que beneficiam outros além de si mesmo, mas não distribui senhas ou abracadabras. No mundo dele você pode pedir, mas não pode obter o que quer por mágica, isto é, pela força e pela argúcia.

O que o Primeiro Testamento elucida o Novo escancara: Jesus passeia pelo mundo demolindo a noção essencialmente mágica de favor prestado e retribuição. Deus – explica o Filho do Homem – não distingue méritos e não rebaixa-se a troca de favores, mas “faz que o seu sol se levante sobre maus e bons”. Seus filhos não devem recorrer a repetitivas fórmulas mágicas em suas orações, “porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes”. Não é o pecado nem o bom comportamento que explicam as desgraças ou as felicidades, porque o mundo não funciona pela lógica simplista e retributiva da magia (”Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas?”).

O universo – Jesus explica – funciona pela lógica singular da graça, não pela lógica humana da magia e da retribuição. Esta é, essencialmente, a natureza da boa nova do reino: Deus não pode ser manipulado a fazer o bem que já está disposto a fazer em primeiro lugar.

Porém a magia tem um brilho sedutor, e os cristãos resvalam periodicamente nela: recorremos cheios de esperança a óleos milagrosos, profetas curandeiros, caixinhas oraculares de versículos, bibliomancia, quarentenas de oração e copos d’água. Mesmo a obsessão cristã com o domingo é essencialmente mágica, quando o Apóstolo alerta a não cairmos na velha armadilha de “dias de festa, ou lua nova, ou sábados”, coisas que “têm aparência de sabedoria e de rigor ascético (…), mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne”.

O emblema final e mais eloqüente da capitulação cristã a uma visão mágica do mundo talvez esteja no abuso, popular à náusea entre evangélicos e pentecostais, da expressão “em [o] nome de Jesus”. Orar e pedir “em nome de Jesus”, conforme prescrito no Novo Testamento, era provavelmente para ser entendido como se lê; seria orar “como Jesus oraria”, ou pedir “imbuído do espírito de Jesus”. Com o tempo, o enfoque migrou do espírito para a letra; transferiu-se da pessoa e da postura de Jesus para as palavras, imbuídas supostamente de autoridade e poderes sobrenaturais (de forma semelhante ao Shem Hamphoras da tradição judaica medieval). O conteúdo reduziu-se a fórmula, abracadabra que abre – esperamos – todas as portas.

Por Paulo Brabo

[http://www.baciadasalmas.com]

Eu estou aqui



Mateus 28:20) - Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.

Não aguento mais esse não aguento mais

O refrão do "não agüento mais" cresce a cada dia. Pessoalmente abandonei o coral. Explico. Durante muito tempo acompanhei a caravana do reformismo. Hoje essa conversa me entedia e me aborrece. Primeiro porque não acredito mais em reformas, apenas em revoluções. Mas principalmente porque não mais acredito nisso que apontam como objeto de reforma.
A expressão "igreja evangélica brasileira" está fora do meu vocabulário. Não apenas porque inexata -- não existe a igreja evangélica brasileira, existem milhares de igrejas evangélicas no Brasil, mas também porque tomar a parte pelo todo é um equívoco.
O que não se agüenta mais é uma das faces da chamada igreja evangélica brasileira. Essa face da igreja evangélica brasileira (que, insisto, existe apenas como categoria sociológica) é absolutamente exógena, um corpo estranho, ao núcleo doutrinário e comunitário do que se chamou igreja evangélica brasileira.
Em outras palavras, o que não se agüenta mais na igreja evangélica brasileira não tem nada a ver com qualquer coisa que se possa associar ao termo igreja evangélica, sendo na verdade uma nova versão religiosa do Cristianismo. O Cristianismo, considerado nas categorias das ciências da religião, é uma religião, com muitas expressões condicionadas histórica, social e culturalmente, dentre elas o Catolicismo romano e Protestantismo reformado.
O que se convencionou chamar de igreja evangélica é o segmento do Cristianismo associado ao Protestantismo reformado. Nesse segmento surgiu um novo fenômeno tido como evangélico, mas que aos poucos começou a ser alvo dessas centenas de "não agüento mais". O que percebo é que esse segmento alvejado pelo "não agüento mais" não é um segmento do Protestantismo reformado e, portanto, conforme historicamente consensado no movimento evangélico brasileiro, não deveria estar associado ao nome "igreja evangélica".
Em outras palavras, no meu caso, dizer que não agüento mais isso equivale a dizer que não agüento mais o espiritismo kardecista ou o fundamentalismo islâmico. A respeito desse tal segmento da chamada igreja evangélica que inspira os "não agüento mais" eu não digo mais "não agüento mais".
Digo que é coisa que não tem nada a ver com a identidade evangélica e que, portanto, não é alvo do meu "não agüento mais", até porque nunca jamais agüentei. Escrever mais um artigo não agüentando mais isso é o mesmo que subscrever um artigo identificando as incoerências e inconsistências dos cultos afro e dizer "não agüento mais".
Ed René Kivitz

sexta-feira, 28 de março de 2008

Porta do Livramento

“Passo pela vida como um transeunte a caminho da eternidade, feito à imagem de Deus mas com essa imagem aviltada, necessitando de que se lhe ensine a meditar, adorar, pensar.” - Donald Coggan, Arcebispo de Cantuária

Retirado do livro celebração da disciplina de Richard J. Fortes

quinta-feira, 27 de março de 2008

Lula sai em defesa de "Severino Mensalinho"

 

Lula ultrapassou, ontem, no Recife, todos os limites da irresponsabilidade durante cerimônia de assinatura de ordem de serviço para a construção de obras financiadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento.

Ao elogiar o ex-presidente da Câmara dos Deputados Severino Cavalcanti (PP),  sugeriu que ele perdeu o cargo e foi obrigado a renunciar ao mandato por pressão das "elites paulistas e paranaenses".

De fato, Severino renunciou ao cargo e ao mandato porque se provou que fora subornado por Sebastião Buani, concessionário de um dos restaurantes da Câmara.

De Buani, Severino recebeu cheques mensais para permitir que o restaurante dele seguisse funcionando. Rastreou-se um cheque de R$ 10 mil que foi parar na conta de Severino.

- Eu continuo tendo o mesmo respeito, hoje, que eu tinha por você há muito tempo porque a relação humana não é feita apenas do momento - disse Lula. “A relação humana é feita de forma mais sadia.”

Antes, havia dito, apontando na direção do seu correligionário:

- Estou vendo ali um homem que foi presidente da Câmara. Ele foi eleito porque nossa oposição queria derrotar o governo, achando que o Severino ia ser contra o governo. Elegeram o Severino, mas não levou muito tempo para eles perceberam que o Severino não era oposição.

Não, não era mesmo. Era um dos mais fisiológicos deputados. Era conhecido como o Rei do Baixo Clero. Cobrou caro pelo apoio que deu ao governo. Indicou o ministro das Cidades. Recebeu outras benesses.

Severino renunciou ao mandato para não ser cassado. Tentou se reeleger deputado federal. Faltaram-lhe votos para isso. Quis emplacar um dos seus afilhados como secretário do governador Eduardo Campos (PSB). Não conseguiu. Tornou-se uma figura desprezível da qual costuma fugir a maioria dos políticos.

Até que... Até que Lula lhe deu a mão.

Que exemplo o presidente da República imagina que oferece ao distinto público ao se referir da maneira como o fez a um político acusado de corrupção?

Como pode dizer que continua respeitando Severino depois de saber que ele recebia propina?

Como pode cobrar respeito a quem quer que seja se desrespeita a todos dessa forma?

O PT fez Caixa 2 porque todo partido faz, admitiu Lula em 2005 no auge do escândalo do mensalão.

Os R$ 20 mil do publicitário Marcos Valério, embolsados pelo deputado Professor Luizinho (PT-SP), não passaram de "uma merreca", observou Lula ao sair em defesa do seu companheiro.

Vai ver que para Lula o comportamento de Severino não foi de todo reprovável. Vai ver que é por isso que o compreende, o estima e o exalta.

Definitivamente, a herança maldita do período Lula será a banalização dos maus costumes no trato da coisa pública.

Ricardo Noblat em seu blog

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

segunda-feira, 24 de março de 2008

OS DOMINGOS PRECISAM DE FERIADOS


  Toda sexta-feira à noite começa o shabat para a tradição judaica.
Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de
produção, inspirado no descanso divino, no sétimo dia da Criação.
  Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como
fundamental para a saúde de tudo o que é vivo.
  A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não
há pausa, a vida lentamente se extingue.
  Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser
suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós
mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma
necessidade do planeta.
  Hoje, o tempo de 'pausa' é preenchido por diversão e alienação. Lazer
não é feito de descanso, mas de ocupações 'para não nos ocuparmos'. A
própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a
incapacidade de parar é uma forma de depressão.
  O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas
condições. Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia.
Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia
com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia
pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma
expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo..
  Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A Internet e
a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem
dorme. As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar
e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN
inventou um tempo linear que só pode parar no fim.
  Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem
acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo
fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde
com o presente. As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de
um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o
domingo de um feriado...
  Nossos namorados querem 'ficar', trocando o 'ser' pelo 'estar'.
Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI - um dia
seremos nossos?
  Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante. Nunca
fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão
poucos...
  Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma
interrupção.
  O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair - literalmente,
ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua
vida. A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é 'o que vamos
fazer hoje?' - já marcada pela ansiedade. E sonhamos com uma longevidade de
120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de Domingo.
  Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se
mortalmente. É este o grande 'radical livre' que envelhece nossa alegria -
o sonho de fazer do tempo uma mercadoria.
  Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A
pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá
sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as
pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo
terminou e quando algo vai começar.
  Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais difícil do
que iniciar um processo do nada, seja dá-lo como concluído.
  Texto do Rabino Nilton Bonder,
  da Congregação Judaica enviado pela Anne Mary

domingo, 23 de março de 2008

Histórias bíblicas ganham versão em mangá, com ação e humor



MARCO AURÉLIO CANÔNICO
da Folha de S.Paulo

O personagem é um clássico: o forasteiro misterioso, calado e sombrio, que chega para libertar a cidade do domínio dos poderosos e corruptos do lugar.

Divulgação

Bíblia mangá de Siku traz do Gênesis ao Apocalipse, incluindo até um Jesus samurai
Tal qual o pistoleiro de um faroeste de Sergio Leone ou um samurai de Akira Kurosawa, este é Jesus Cristo em versão ninja, como retratado numa adaptação da Bíblia em quadrinhos, no popular formato de mangá.

"The Manga Bible: from Genesis to Revelations" (a Bíblia Mangá: do Gênesis ao Apocalipse), criada pelo inglês Ajinbayo Akinsiku, 42, foi lançada no Reino Unido e nos EUA e captura as histórias do livro com reverência, mas com humor e muita ação.

"Você pode usar o gênero para contar a história como quiser", diz Siku, como o artista é conhecido, em entrevista à Folha, por telefone, de Londres.

"Decidimos fazer algo nunca feito antes, apresentar Jesus como um estranho sombrio, que entra em uma cidade que tem sido molestada e corrompida por gângsters e a liberta, algo como "Três Homens em Conflito" [de Leone], "Os Sete Samurais" [de Kurosawa], a figura do solitário que ninguém compreende."

Para cobrir tanto o Novo quanto o Velho Testamento, Siku precisou editar e condensar os livros (fez versões de vários tamanhos) e, bem de acordo com o gênero mangá, deixou de fora as partes com menos ação, como o Sermão da Montanha.

"Houve uma dificuldade conceitual, discutimos se nos preocuparíamos mais com o cristianismo, com a teologia ou com a narrativa de quadrinhos. Fui muito cuidadoso para manter a intenção do texto original, mas o deixei mais moderno, ágil."

Assim, sua Bíblia mangá tem heróis que parecem (e soam como) skatistas em versão beduína, Abraão fugindo de uma explosão a cavalo para salvar Lot, e Og, rei de Basã (do Velho Testamento), parecendo um Darth Vader histórico.

Teólogo e ministro

Novato no gênero mangá, Siku é veterano em quadrinhos e em religião: ele freqüenta uma igreja anglicana, é formado em teologia e pretende se tornar ministro de sua religião.

O projeto de transformar os textos bíblicos em quadrinhos é antigo -ele queria fazer uma versão do Apocalipse, em estilo ocidental-, mas o impulso veio com a explosão dos quadrinhos japoneses na Europa e nos EUA, o que levou o projeto ao seu formato atual e ao sucesso de vendas: 50 mil cópias só no Reino Unido, liderando as listas do gênero mangá (No Brasil, ainda não há previsão de lançamento, mas o livro pode ser adquirido por lojas virtuais como a www.amazon.com por US$ 10,36, ou cerca de R$ 17, mais a taxa de frete).

Tendo como público-alvo jovens consumidores de HQ e religiosos, Siku maneirou na hora de retratar algumas passagens mais polêmicas.

"Trabalhei na "2000 AD" [HQ britânica de ficção científica], então lidar com sexo e violência não é problema para mim. Mas, como boa parte do nosso público é mais sensível a isso, contive um pouco esse lado. Só não dá para retirar tudo; o Velho Testamento, por exemplo, é um livro muito violento."

"Transformers"

Se a "Manga Bible" de Siku foi, como informa sua editora, a primeira do gênero em inglês, ela parece ter despertado uma tendência: pouco depois de seu lançamento, foi anunciado um projeto semelhante (este, norte-americano) chamado "Mecha Manga Bible Heroes".

A intenção da obra (que será lançada em junho no exterior) é levar as histórias bíblicas para um inusual cenário futurista, transformando personagens em super-heróis -o primeiro é o mítico Davi, que bateu Golias.
"A idéia surgiu com o filme "Transformers'", disse à Folha Paul Castiglia, o editor da obra. "Pensei em algo com robôs, e Davi e Golias era uma escolha óbvia, por causa do gigante."
filado http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u380700.shtml

sábado, 22 de março de 2008

A descida da cruz



“A descida da cruz” (1435) foi pintada por encomenda de um grêmio de artesãos de Lovaina. A obra expõe a dor de seus personagens, estampada não só na expressão facial como na postura dos corpos. A pintura evidencia a síncope - perda temporária da consciência e da postura por diminuição da perfusão cerebral - de Maria, mãe de Jesus. Ela encontra-se caída ao solo e com a face pálida.

O equilíbrio da composição e o intenso dramatismo das figuras são características marcantes da produção de Rogier van der Weyden (1400-1464), um dos mais notáveis e importantes pintores góticos flamengos. Seus quadros são hoje disputados pelos melhores museus e colecionadores de todo o mundo.

(Com colaboração de Catharina Mafra)via blog do noblat

Feliz Páscoa

 

A festa da Páscoa, ou Pesach, celebra o êxodo do povo hebreu do Egito sob a liderança de Moisés, apos 420 anos de escravidão. Juntamente com o Shavu`ot e o Sukkoté uma das três festas de peregrinação quando os judeus deveriam comparecer a Jerusalém. Para os cristãos, a Páscoa celebra a ressurreição de Jesus.
A Páscoa cristã é, portanto, a celebração de uma vitória única, porém com duas dimensões. A vitória de Jesus sobre a morte convida a todos a celebrar a vida e a liberdade, duas faces de uma mesma realidade, sendo que uma não existe sem a outra. A morte escraviza pelo medo. Mas Jesus liberta para a vida: “... como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; e livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão” (Hebreus 2.14,15). Quem teme a morte, teme a vida. Quem tem medo de morrer, tem medo de viver. Por esta razão o futuro é ameaçador e são assustadoras as contingências da existência. Há uma razão para temer o futuro: a morte espreita por trás do calendário. Mas quem já não teme a morte é livre para se entregar à vida, empreender para construir o futuro, apesar de sua condição contingente.
Bem disse o pregador: “Quando o selo do absoluto romano foi rompido no domingo da ressurreição, ficou definitivamente decretado que estava vencida não apenas a morte, mas também todos os agentes promotores e mantenedores da morte, mediante a erupção da vida”. Na sexta-feira da paixão o inferno fez festa e alardeou a vitória da morte sobre a vida. No domingo da ressurreição o inferno fez luto, e recebeu sobre si o manto da desonra, do escárnio e da vergonha eterna: a vida saltou de entre os trapos perfumados no túmulo ao lado do Calvário e adentrou o mundo pelas portas de um jardim. A vida venceu a morte. A vida venceu o medo. A vida rompeu os grilhões outrora sustentados pelo poder da morte. Vida e liberdade se encontram para um abraço eterno: “quando o Filho do Homem libertar você, então, e somente então, você será verdadeiramente livre” (João 8.36), terá “passado da morte para a vida”, num caminho sem volta, até chegar aquele dia quando a morte terá perdido de vez seu poder de ferir e matar (1Coríntios 15.54,55).
O simbolismo da Páscoa cristã aponta para a possibilidade de um novo começo, para uma nova vida, não mais cativa das limitações impostas pelo mal e pela maldade. Uma nova vida não mais determinada pelo diabo e seus asseclas profetas e atores da morte. Uma vida livre das ameaças da morte e, por isso, plena em amor, bondade, solidariedade, justiça e paz. Celebrar a Páscoa é desfrutar da ressurreição, celebrar a vida, anunciar a liberdade e assumir o compromisso de promover vida e libertação. Isso sim é uma Feliz

Ed René

http://www.galilea.com.br/

quinta-feira, 20 de março de 2008

Jesus ama as prostitutas

Qual seria a sua reação se uma prostituta entrasse na sua igreja?

sábado, 15 de março de 2008

Os americanos não são estúpidos

Certa vez houvi que os americanos só funcionam com manual, este video mostra um pouco disso

terça-feira, 11 de março de 2008

segunda-feira, 10 de março de 2008

Meninos de Rua - Oscar Antunes

Meninos de rua,
Meninos na rua,
Infância sem esperança,
Realidade crua.
Pobres meninos,
Pedintes a penar,
Escravos a pairar.
Sem casa e sem escola,
Vivem de esmola.
São ágeis, espertos,
Despertos cedo,
Cheiram, furtam,
Viram-se e à margem,
Na marginalidade,
Continuam infantis.
Sem expectativas sobrevivem,
Essas pequenas vítimas
Do planejamento familiar.
Sem programa de educação,
Vivem n´um mundo cão,
E raivosos vão à forra,
Quando crescidos,
Querem se vingar.
Matam por prazer,
Matam pra comer,
Matam pra se sustentar,
Matam pra grife usar.
Pobres meninos de outrora,
Rapazes de agora,
Cadáveres da hora.

Oscar Antunes Pimentel Dantas, nasceu em Salvador / Ba., agosto 1954 é sergipano por opção desde 1975. Filho de Fernando Brandão Dantas e Dinorá Pimentel Dantas, é casado com Ana Cristina Torres Dantas, Pai de Fernanda e Igor. Formado em Administração e Jornalismo, e é Oficial R/2 do EB. Trabalha na Petrobras desde 1982. É leitor do blog. Tem um livro de poesias que aguarda uma editora interessada em publicá-lo. Se alguém quiser o email dele, é só entrar em contato com o blog. O poema acima foi uma sugestão da leitora Rafaela Mesquita.

filado do blogdonoblat.com

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

domingo, 9 de março de 2008

Mentalidade Cristã l



Sem a transcendência a pessoa encolhe. T.S.Elliot

Homem nagem a Mulher



Em especial a minha amada, virtuosa, minha esposa querida

sexta-feira, 7 de março de 2008

A NOITE

Um grupo de nós está diante das ruinas que os Alemães tentaram (sem sucesso) apagar, para esconder evidências que seis milhões de Judeus foram fuzilados, postos em câmaras de gás e incinerados em tais locais, somente pelo fato de serem Judeus. Eu penso: se o Gólgota revelou o senso de abandono de Deus de um Judeu, Birkenau multiplica essa angústia pelo menos três milhões e meio de vezes. Para o resto de minha vida, este crematório representará o caso mais poderoso contra Deus, o local onde alguém poderia - com justiça - denunciar, negar, ou (pior ainda) ignorar Deus, o Deus que ficou calado. Qual o sentido de palavras num momento como este? Tantos clamaram a Deus aqui neste lugar e não foram ouvidos. O silêncio humano hoje é a única resposta apropriada ao silêncio divino de ontém. Ficamos em silêncio. Nosso silêncio é ensurdecedor. E então surge - primeiro dos lábios de um homem, Elie Wiesel (no campo onde trinta e cinco anos atrás sua vida, sua família e sua fé foram destruídas), e então em um côro crescente de outros, a maioria Judeus, a grande afirmação: Shema Yisroel, Adonai Elohenu, Adonai Echod. Ouça, Ó Israel, o Senhor nosso Deus, o Senhor é o Único Deus.No lugar onde o nome de Deus poderia ter sido agonizantemente negado, o nome de Deus é agonizantemente afirmado - por aqueles que tinham mais razões para negá-lo. Eu estremeço de tensão entre meu impulso de negar e a decisão deles de afirmar. Porque eu estive em Birkenau, é agora impossível para mim afirmar Deus do modo como eu fazia antes. Porque eu estive em Birkenau com eles, é agora possível para mim afirmar Deus de modos como eu nunca o fiz antes.(Elie Weisel: Messenger to All Humanity por Robert McAfee Brown, páginas 189-190)

É relativamente fácil afirmar Deus quando tudo está bem, o céu está azul, o sol brilhando, as flores dando um colorido especial à nossa volta. Mas a fé verdadeira nos convoca a afirmar Deus, mesmo quando todas as evidências ao nosso redor clamarem o contrário.

Relato de Elie Wiesel
Elie Wiesel tinha apenas quinze anos quando foi levado para os campos de concentração. Judeu devoto, ele viu sua fé em Deus morrer aos poucos, à medida que via seus compatriotas virarem fumaça nas chaminés dos crematórios. Quando terminei de ler o livro, lembrei-me da história verdadeira narrada por Robert McAFee Brown, sobre a experiência que ele teve junto com Elie Wiesel em um dos crematórios de Birkenau, o campo de morte de Auschwitz, num dia cinzento e triste do verão de 1979:

Sandro, 05/03/2008 | Sandro Baggio
filado da Igrejaemergente.com.br

When love comes to town

quinta-feira, 6 de março de 2008

Nossa semelhança com Deus começa em casa




“ Dia luminoso e esplêndido, sol brilhante, brisa que deixa reluzentes todas as folhas e o alto capim marrom. Canto do vento nos cedros. Dia exultante no qual até uma poça no chiqueiro brilha como prata preciosa.

Por fim estou chegando à conclusão de que minha mais elevada ambição é ser o que já sou. Que jamais cumprirei minha obrigação para me superar, a não ser se primeiro me aceitar e, se eu me aceitar plenamente da maneira certa, já terei me superado. Isto porque é o eu não aceito que me atrapalha e continuará a me atrapalhar enquanto não for aceito. Quando ele tiver sido aceito, terei meu próprio degrau para o que está acima de mim. Porque foi assim que o ser humano foi feito por Deus. O pecado original foi o esforço de se superar sendo ‘como Deus’ – isto é, diferente de si mesmo. Mas a nossa semelhança com Deus começa em casa. Primeiro temos de tornar-nos como somos e parar de viver ‘ao lado de nós mesmos’.”

Search for Solitude — Journals, Volume 3, de Thomas Merton
Editado por Lawrence S. Cunningham
(HarperSanFrancisco, San Francisco), 1996, p. 220-221

Esta Geração

Como podem nossas igrejas inspirar as novas gerações a viver um novo estilo de vida, como discípulos, a cada semana?

Enquanto as gerações acima saem de cena e as alianças que elas forjaram perdem força, quem ira ajudar na catalização de novos movimentos e
alianças?


Brian McLaren
filado do Volney Faustini

domingo, 2 de março de 2008

"O Bom Samaritano" ou "O Bom Travesti"

 

E perguntaram a Jesus: "Quem é o meu próximo?" E ele lhes contou a seguinte parábola:
Voltava para sua casa, de madrugada, caminhando por uma rua escura, um garçom que trabalhara até tarde num restaurante. Ia cansado e triste. A vida de garçom é muito dura, trabalha-se muito e ganha-se pouco. Naquela mesma rua dois assaltantes estavam de tocaia, à espera de uma vítima.
Vendo o homem assim tão indefeso saltaram sobre ele com armas na mão e disseram: "Vá passando a carteira". O garçom não resistiu. Deu-lhes a carteira. Mas o dinheiro era pouco e por isso, por ter tão pouco dinheiro na carteira, os assaltantes o espancaram brutalmente, deixando-o desacordado no chão.
Às primeiras horas da manhã passava por aquela mesma rua um padre no seu carro, a caminho da igreja onde celebraria a missa. Vendo aquele homem caído, ele se compadeceu, parou o caro, foi até ele e o consolou com palavras religiosas: "Meu irmão, é assim mesmo. Esse mundo é um vale de lágrimas. Mas console-se: Jesus Cristo sofreu mais que você." Ditas estas palavras ele o benzeu com o sinal da cruz e fez-lhe um gesto sacerdotal de absolvição de pecados: "Ego te absolvo..." Levantou-se então, voltou para o carro e guiou para a missa, feliz por ter consolado aquele homem com as palavras da religião.
Passados alguns minutos, passava por aquela mesma rua um pastor evangélico, a caminho da sua igreja, onde iria dirigir uma reunião de oração matutina. Vendo o homem caído, que nesse momento se mexia e gemia, parou o seu carro, desceu, foi até ele e lhe perguntou, baixinho: "Você já tem Cristo no seu coração? Isso que lhe aconteceu foi enviado por Deus! Tudo o que acontece é pela vontade de Deus! Você não vai à igreja. Pois, por meio dessa provação, Deus o está chamando ao arrependimento. Sem Cristo no coração sua alma irá para o inferno. Arrependa-se dos seus pecados. Aceite Cristo como seu salvador e seus problemas serão resolvidos!" O homem gemeu mais uma vez e o pastor interpretou o seu gemido como a aceitação do Cristo no coração. Disse, então, "aleluia!" e voltou para o carro feliz por Deus lhe ter permitido salvar mais uma alma.
Uma hora depois passava por aquela rua um líder espírita que, vendo o homem caído, aproximou-se dele e lhe disse: "Isso que lhe aconteceu não aconteceu por acidente. Nada acontece por acidente. A vida humana é regida pela lei do karma: as dívidas que se contraem numa encarnação têm de ser pagas na outra. Você está pagando por algo que você fez numa encarnação passada. Pode ser, mesmo, que você tenha feito a alguém aquilo que os ladrões lhe fizeram.
Mas agora sua dívida está paga. Seja, portanto, agradecido aos ladrões: eles lhe fizeram um bem. Seu espírito está agora livre dessa dívida e você poderá continuar a evoluir." Colocou suas mãos na cabeça do ferido, deu-lhe um passe, levantou-se, voltou para o carro, maravilhado da justiça da lei do karma.
O sol já ia alto quanto por ali passou um travesti, cabelo louro, brincos nas orelhas, pulseiras nos braços, boca pintada de batom. Vendo o homem caído, parou sua motocicleta, foi até ele e sem dizer uma única palavra tomou-o nos seus braços, colocou-o na motocicleta e o levou para o pronto socorro de um hospital, entregando-o aos cuidados médicos. E enquanto os médicos e enfermeiras estavam distraídos, tirou do seu próprio bolso todo o dinheiro que tinha e o colocou no bolso do homem ferido.
Terminada a estória, Jesus se voltou para seus ouvintes. Eles o olhavam com ódio. Jesus os olhou com amor e lhes perguntou: "Quem foi o próximo do homem ferido?"
Rubem Alves