quarta-feira, 11 de junho de 2008

Com as mulheres

 

Posted: 11 Jun 2008 04:01 AM CDT

– Está vendo essa mulher? Eu entrei na sua casa e você não me ofereceu água para lavar os pés. Ela, no entanto, lavou meus pés com lágrimas, e enxugou-os com os seus cabelos. Você não me cumprimentou com um beijo, mas ela, desde que entrou, não parou de beijar-me os pés. Você não me derramou óleo sobre a cabeça, mas ela passou essência perfumada nos meus pés.
Lucas 7:44-46

A distância cultural nos impedirá para sempre de apreender a extensão da sua influência e a absoluta novidade da sua postura, mas é certo que nenhuma outra figura masculina da Antiguidade ocidental – seja no domínio da realidade ou da ficção – sentiu-se mais à vontade entre as mulheres do que o Jesus dos evangelhos. Nenhum outro personagem do seu tempo, e talvez de tempo algum, fez mais para corrigir a distorção das lentes culturais através das quais a imagem da mulher era interpretada – e em muitos sentidos permanece sendo.

A singularidade de Jesus nesse aspecto não é menos do que tremenda. Acho notável ao ponto do milagroso que as posturas de Jesus diante das mulheres, conforme descritas nos evangelhos, não tenham sido censuradas posteriormente por homens menos preparados do que ele para abraçá-las.

É preciso lembrar o óbvio, que não faz cem anos que as mulheres alcançaram status social igualitário no ocidente, e que os evangelhos descrevem o que ocorreu há dois mil.

Numa época em que um marido não deveria dirigir-se à própria esposa em lugar público e homem algum deveria trocar palavra com uma mulher desconhecida (em ambos os casos para proteger a sua honra, não a dela), o rabi de Nazaré buscava a companhia amistosa de mulheres, puxava conversava com elas, tratava-as com admiração e naturalidade, interessava-se sem demagogia pelos seus interesses, deixava que tocassem publicamente o seu corpo e o seu coração.

O Filho do Homem não se constrangia em ser sustentado por mulheres, não virava o rosto à possibilidade de ser acarinhado por elas, não hesitava em recorrer a imagens que diziam respeito ao seu dia-a-dia, não sonegava histórias em que mulheres eram (muito subversivamente, na ótica do seu tempo) exemplo de humanidade, de integridade, de engenhosidade e de virtude.

Falamos de um tempo, num certo sentido não muito distante, em que os homens que não denegriam abertamente a imagem da mulher soterravam-na por completo debaixo de idealizações simplistas. Dependendo de quem estava falando, a mulher era vista como incômodo necessário, como homem imperfeito, como criança, como objeto mecânico de desejo, como objeto idealizado de poesia, como animal fraco e sensual; figura às vezes inocente, às vezes desejável, normalmente imprevisível, normalmente indigna de confiança, invariavelmente inferior.

Contra esse cenário, o rabi de Nazaré resgatou uma mulher adúltera das garras da justiça e da morte sem recorrer ao que seria o mais fácil e popular dos argumentos antes e depois dele, o que afirma que a mulher é criatura de mente obtusa e vontade fraca, particularmente suscetível às sensualidades da carne. Num único golpe eficaz ele transferiu a culpa da mulher acuada para os seus acusadores, todos eles homens e emblemas de poder e desenvoltura, até serem publicamente dissolvidos pela mão de Jesus. A vítima, a transgressora, foi ao mesmo tempo salva da condenação e tratada, talvez pela primeira vez, como ser humano independente e responsável (João 8:1-11).

Aqui estava um homem que, irresistivelmente, olhava para as mulheres sem rebaixar-se a preconceitos ou recorrer a idealizações. Jesus lia as mulheres como seres humanos, e foram necessários séculos para que o mundo arriscasse repetir a sua ousadia. Ainda hoje, transcorridos milênios ineficazes, não há homem que esteja imune a ler a mulher através de estereótipos novos e velhos; ainda somos tentados a enxergar o homem incompleto, a flor de pureza, a criança sem rédea. Mas ali, nas esquinas empoeiradas de um canto do mundo, as estruturas do mundo social haviam sido abaladas para sempre.

Para mim não há evidência maior de que o espírito subversivo de Jesus permaneceu vivo nos primeiros discípulos, logo após a ressurreição, do que a descrição da comunidade de seguidores em Atos 1:14: “Todos estes [homens] perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele”.

Este com as mulheres me pega desprevenido todas as vezes, tanto pela sua necessidade quanto pelo impensável que representava no seu tempo. Em retrospecto é difícil avaliar o quanto está sendo efetivamente dito aqui, mas é preciso lembrar constantemente que naquela cultura as esferas de atividade de homens e mulheres eram divididas ao ponto do incompatível. Essa fenda corria de uma ponta à outra o tecido da sociedade, mas seu ponto nevrálgico talvez residisse na esfera religiosa, na qual era preciso ser homem para ter participação eficaz – isto é, para ter acesso verdadeiro e relevante à divindade.

Na visão de mundo vigente homens e mulheres habitavam espaços separados no universo; essa incompatibilidade era espelhada na sociedade e prontamente celebrada através de espaços diferenciados de adoração. Tanto o Templo quanto as sinagogas tinham áreas separadas para homens e mulheres, e os recintos reservados para os homens ficavam invariavelmente mais próximos de Deus. Era uma sociedade em que não ocorreria a ninguém colocar homens e mulheres compartilhando voluntariamente de um mesmo espaço, muito menos um espaço religioso.

Agora que Jesus havia subido ao céu e os homens de branco haviam dito que mantivessem os olhos fixos na terra, os discípulos viram-se diante de um problema e de um embaraço. Jesus, o amigo das mulheres, havia partido, mas as mulheres haviam ficado. Deveriam eles, homens de respeito e maridos de boa fama, retornar ao antigo e unânime padrão social, devolvendo as mulheres ao seu devido lugar? Agora que Jesus não estava mais ali para efetuar a sua mágica, não seria inevitável que restabelecessem a fenda social que ele havia coberto temporariamente? Quando a multidão de seguidores retornasse a Jerusalém (onde Jesus dissera que aguardassem) deveriam o grupo de discípulos e o de discípulas “perseverar unanimemente” em recintos separados?

Escolher o contrário, escolher o abraço comunitário e a convivência santa nos padrões inaugurados por Jesus, seria nadar contra a corrente de todas as instituições sociais em efeito no seu tempo. Um observador só encontraria um modo razoável de interpretar uma reunião voluntária e regular entre homens e mulheres: como ocasião para licenciosidade. Foi efetivamente dessa maneira que as reuniões cristãs “de amor” foram interpretadas por seus antagonistas ao longo de seus primeiros séculos. Tinham que ser desculpas para sexo – porque, que mais poderia um homem querer fazer com uma mulher?

A momentosa decisão encapsulada nesse único verso demorou a encontrar compreensão e aceitação, tanto dentro quanto fora do grupo. Escolhendo reunir-se regularmente no mesmo recinto, tanto homens quanto mulheres abriram voluntariamente mão da ficção da “boa fama” em troca da generosidade, da inclusão e da convivência. Escolhendo sentar-se de modo criativo ao lado de um Outro com quem não criam ter nada em comum, romperam um véu ancestral e convidaram o mundo a explorar um universo de possibilidades inimaginadas. Nos dois casos, seguiam o desafio formidável deixado pelo exemplo de Jesus.

Paulo Brabo

Posted: 11 Jun 2008 04:01 AM CDT

Fonte; baciadasalmas.com

Demissão com recomeço

Numa manhã de segunda-feira, no interior de São Paulo, um jovem funcionário de uma fábrica acaba de receber a notícia de que ele e todos os seus colegas perderão o emprego. A unidade de produção será transferida para outra cidade. Ele se aproxima do consultor encarregado de atender os demitidos, mas são muitos querendo falar e desiste. Chega o horário do almoço. O rapaz vai para casa, faz a refeição com a mulher e os filhos, sem comentar nada, e volta para a empresa. Consegue, finalmente, perguntar o que queria ao consultor: "Você me ajuda a pensar no que eu vou falar em casa?".

Na mesma semana, na capital, um executivo de uma multinacional é comunicado de seu desligamento. Ele tenta negociar uma transferência de área. Sem sucesso. Vai para casa à noite e não conversa com a família. Na manhã seguinte, cumpre a rotina de vestir o seu terno e sair para o trabalho. Desvia o carro no caminho e passa o dia em um shopping center, caminhando sem rumo, olhando o vazio. Ele também não sabe o que fazer. E não tem a quem pedir ajuda.

O que une dois personagens tão distintos e distantes é uma realidade que pode ser mais freqüente e até mais esperada atualmente, mas que ainda não deixou de ser vista como um drama: lidar com a demissão. O que os diferencia, porém, é o suporte que receberam de suas empresas para atravessar esse momento e construir um novo horizonte profissional.

Mas, afinal, as organizações precisam mesmo assumir mais essa tarefa e amparar as pessoas que já não lhes servem? No Brasil, não há nada que as obrigue. Já em países como a França, os programas de outplacement são exigências legais para dispensas coletivas (veja mais em Saída à francesa). No entanto, em qualquer lugar do mundo, as empresas encontram boas razões para oferecer, voluntariamente, orientações e suporte aos funcionários dispensados.

Gilberto Guimarães, diretor da BPI Brasil, lembra que os programas de outplacement surgiram na Europa para coibir demissões imotivadas. "Era uma maneira de permitir que as empresas demitissem quando necessário, mas com um plano social", relata.

Ele salienta que, antes de definir o processo de desligamento, a organização deve analisar todas as possíveis soluções alternativas - e, nesse momento, pode contar com a ajuda de uma consultoria especializada. "Quando uma companhia toma a decisão de reduzir quadros é porque está passando por uma crise. Por isso, devemos estudar se é possível resolver o problema do momento com reduções de jornadas, antecipação de aposentadorias ou outras medidas", aponta.

Marcelo Cardoso, que concedeu esta entrevista na sua última semana como presidente da DBM (ele foi contratado pela Natura como vice-presidente de desenvolvimento organizacional), relata a importância de sentir a temperatura da situação. "Em um caso individual, precisamos saber se a empresa tem um motivo claro para demitir, se a pessoa afetada já tem essa possibilidade captada no seu radar ou se será algo novo para ela. Quando se trata de um corte coletivo, o tratamento é mais complexo", avalia.

Caso a saída seja mesmo demitir, os programas de apoio minimizam o impacto negativo junto aos diversos públicos atingidos direta ou indiretamente. "Além do funcionário demitido, há as pessoas que não terão sua atividade alterada. Estas só precisam ser informadas. Outras vão mudar de papel e necessitam ser preparadas para a nova função. Tão importante quanto o cuidado com quem sai é o cuidado com quem fica", afirma Cardoso.

E se fosse com você?
Guimarães concorda com essa preocupação com quem não é demitido. "É importante manter o efetivo com paz de

"Metade do sucesso de um processo de restauração depende da qualidade da comunicaçao

espírito para trabalhar. A implantação de um programa de outplacement dá a sinalização de que, se forem atingidos também, esses colaboradores terão mais chances de ser recolocados", diz o diretor da BPI. E o tratamento adequado aos demissionários também evita maior desgaste junto a clientes e fornecedores.

E no pacote desse tratamento há um aspecto fundamental, de acordo com Cardoso: o plano de desligamento deve ser amparado por um consistente processo de comunicação e de respeito aos indivíduos impactados. "Um processo de demissão bem feito começa com a pergunta: 'E se fosse comigo?' Saber como comunicar a decisão também é fundamental. Isso dá coerência ao que a empresa está fazendo, mesmo quando ela não sabe quem substituirá um executivo demitido", pondera.

Quando o demitido é um executivo, é preciso seguir um ritual próprio. "Por uma questão de segurança, temos de saber o nível de informação que essa pessoa leva da empresa. Pensamos no dia D da demissão e na forma de comunicação. Deixamos claro que o ambiente de anúncio não está aberto a negociações. A empresa deve reconhecer que o indivíduo passa por uma sensação de perda. E o gestor deve estar presente nesse momento", recomenda Cardoso.

Guimarães vai além, afirmando que "metade do sucesso de um processo de reestruturação depende da qualidade da comunicação. Ela tem de ser excepcional, para todos os stakeholders, sejam os funcionários que saem, os que ficam, os sindicatos e a sociedade", diz.

Uma atribuição, entretanto, não pode ser delegada a uma consultoria externa: quem deve comunicar a demissão é o chefe da pessoa ou da equipe afetada, ensina Elaine Saad, sócia-diretora da Right Management. O diretor da BPI ressalta, também, que o responsável pela demissão nunca deve ser o encarregado de prestar suporte. "É pouco provável que quem demite seja o motivador de quem sai ou de quem fica. Ele não terá credibilidade", afirma Guimarães.

Outro aprendizado refere-se ao fechamento de fábricas ou grandes cortes. Nesses casos, de acordo com os especialistas, a comunicação coletiva, para todos ao mesmo tempo, é péssima. O melhor é fazer o anúncio em grupos, ainda que simultâneos, mas em locais separados. "Por mais que as pessoas estejam esperando, a demissão é uma notícia ruim. Normalmente, os funcionários se sentem desrespeitados. Gostam de desabafar. Uns choram, outros reagem com euforia como defesa. Nós sabemos contornar essas reações. Já quando agrupamos as pessoas, não controlamos as reações", explica Elaine, para quem as demissões apoiadas por um procedimento com objetivos bem definidos são um benefício a mais para os funcionários, assim como assistência médica.

Nova vida e menos fraudes

"Um processo de demissão bem feito começa com a pergunta 'E se fosse comigo?'"


Os programas de demissão também podem receber a adesão voluntária de funcionários interessados em partir para um novo ciclo de carreira. E, mesmo para os que não têm escolha e são incluídos nas listas de cortes, o desligamento ainda pode ser um "bom negócio". Guimarães esclarece que, além das indenizações legais e extras, o empregado recebe o FGTS e a multa rescisória de 40% desse montante. Assim, uma pessoa que esteve na empresa por dez anos acaba ganhando de 15 a 20 salários na saída. "E, se ela consegue se recolocar em quatro meses, contando ainda com o seguro desemprego pelo período em que estiver sem emprego, terá uma disponibilidade de aplicação financeira que pode mudar a sua vida para melhor", diz.

Além disso, continua Guimarães, a empresa que demite responsavelmente, ao viabilizar uma nova vida para seu ex-funcionário, também reduz o número de reclamações trabalhistas. "É um processo extraor­dinariamente útil para todos os envolvidos", acredita.

O que também pode diminuir, no caso de uma condução correta do processo, são as chances de fraudes e boicotes, para ficar apenas nos aspectos tangíveis. "O resultado desses programas é sempre positivo. Porque é uma notícia ruim que está sendo gerenciada", completa Elaine.

Ela reforça que a contratação de uma consultoria de transição é importante para que as demissões sigam um procedimento adequado. "Cerca de 80% dos clientes não têm um plano. Nosso papel é ajudá-los a programar tudo em detalhes: desde a escolha da melhor data para o anúncio até definir se os desligamentos serão simultâneos ou não; e ainda como a área de endomarketing vai lidar internamente com a notícia e como a mídia e a sociedade serão informadas. Depois, virá o suporte a cada indivíduo impactado. Se a empresa toma todos os cuidados com o planejamento, estará bem amparada."

Por mais experiente que seja a equipe de RH da empresa, o acompanhamento externo traz melhores resultados na hora da demissão. "A consultoria agrega ao processo aquilo que aprendeu em outras situações, enquanto uma solução interna ocorre mais na base do ensaio e erro. Já o processo de recolocação deve mesmo ser conduzido por um agente contratado, pois a relação entre empregador e ex-empregado fica como a do casal que se separa", compara Elaine.

Quem contratar para ajudar a demitir?
Para Elaine Saad, o que as empresas devem buscar como pré-requisitos em consultorias de transição são a experiência, a expressão no mercado nacional e global e referências de mercado. "Cada projeto nos prepara para o seguinte. E é preciso ter uma estrutura emocional muito forte para esse trabalho, maturidade e desprendimento da situação. Já tive consultores que não agüentaram a pressão. A gente prepara os líderes nas empresas, conversa individualmente, mostra como ele irá se sentir, e mesmo assim muitos não resistem. É como o papel do médico, que precisa cuidar de seu paciente, mas não pode sofrer com ele. É preciso ouvir muito, ter paciência e respeito."

A sócia da Right resume uma parte de sua atribuição: "Nossa missão é fazer as pessoas entenderem que a demissão é um processo normal, assim como o divórcio. As pessoas, às vezes, ficam chocadas porque as expectativas do outro lado não batem com as suas".

Guimarães afirma que uma consultoria deve ser capaz de apoiar seu cliente em todo o processo de reestruturação. "É preciso tomar cuidado para não cometer erros graves. Houve processos malconduzidos de demissão que resultaram em protestos sindicais e até em reintegração de ex-funcionários por ordem da Justiça", diz.

Segundo Cardoso, o contratante - muitas vezes é o próprio executivo demitido quem recomenda a consultoria à sua empresa - também deve avaliar a qualidade dos consultores e a capacidade destes de alavancarem o network do demissionário. "O consultor pode mesmo ajudar na minha recolocação? Tem experiência para contribuir com o meu processo? Conta com mecanismos e metodologias de eficácia comprovada? São essas as perguntas que um executivo deve fazer na hora de escolher o fornecedor do programa de outplacement", informa o ex-presidente da DBM.

Fonte; Revista Melhor por

André Sales

http://revistamelhor.uol.com.br/textos.asp?codigo=12300

Dia dos namorados

terça-feira, 3 de junho de 2008

Evangélicos invadem centro espírita no Catete, diz polícia

Segundo a polícia, invasores quebraram imagens e móveis do local.
A polícia ainda não sabe o que motivou o crime.

Um grupo de pessoas invadiu um centro espírita na noite desta segunda-feira (2) na Rua Bento Lisboa, no Catete, Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo a 9ª DP (Catete), em depoimento, os suspeitos afirmaram ser evangélicos. Pelo menos cinco carros do 2º BPM (Botafogo) foram para o local na tentativa de conter o tumulto. A polícia ainda não divulgou os nomes dos invasores. Ninguém ficou ferido.

De acordo com a 9ª DP (Catete), onde o caso foi registrado, o grupo quebrou imagens de santos e todos os móveis do centro. Ainda não se sabe o que motivou o crime. Quatro suspeitos e freqüentadores do local prestaram depoimento na delegacia.

 

Do G1, no Rio, com informações da TV Globo

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Carta de Bonhoeffer

Carta escrita por D. Bonhoeffer no presídio de Tegel (Berlim) para Eberhard Bethge em 21 de julho de 1944.
"Lembro-me de uma conversa que tive há 13 anos na América com um jovem pastor francês".
Simplesmente, nos pusemos a perguntar um ao outro sobre o que afinal desejávamos da vida.
Então ele disse: eu gostaria de tornar-me um santo (e eu acredito que ele o conseguiu).
Aquilo me impressionou profundamente. Mesmo assim eu me opus e disse, com efeito, que eu gostaria de aprender a crer. Por muito tempo não compreendi a profundidade deste contraste.
Pensei que pudesse aprender a ter fé, vivendo eu mesmo algo como uma vida santa....
Mais tarde eu experimentei e experimento até este momento que só vivendo plenamente neste mundo aprendemos a crer. Quando desistimos completamente de fazer algo importante de si mesmo, ou seja, ser um santo ou um pecador convertido ou um eclesiástico, um justo ou um injusto, um doente ou são. Viver plenamente neste mundo significa viver na plenitude das tarefas, dos problemas, dos sucessos e fracassos, das experiências e perplexidades, assim nos lançamos completamente nos braços de Deus, e não mais levamos tão a sério os nossos próprios sofrimentos, mas levamos a sério o sofrimento de Deus no mundo, e então vigiamos com Cristo no Getsêmani e penso que isto é fé, isto é arrependimento. Assim nos tornamos cristãos e homens. Quem se tornaria arrogante com os sucessos ou desanimado com os fracassos, tendo uma vida assim, participando dos sofrimentos de Deus?
Creio que entendes o que quero dizer, mesmo que o diga assim em poucas palavras. Sou muito grato por ter podido descobrir isso e sei que só o pude mesmo reconhecer no caminho que tive de andar.
Por isso lembro com gratidão e em paz do que passou e permaneço assim no presente....
Deus nos guie com sua bondade através dessa época, mas acima de tudo Deus nos guie até a sua presença.
Fonte: Sociedade Bonhoeffer [via Práxis Cristã]

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Argélia: Cristãos convertidos são julgados por pregar religião não-islâmica

Os homens, protestantes, são acusados de distribuir material religioso considerado ilegal. O veredicto deve ser anunciado na próxima terça-feira, dia 3 de junho.

Em um caso paralelo, uma mulher, Habiba Kouider, foi processada por ter sido pega portando exemplares da Bíblia, na cidade de Tiaret, a cerca de 400 km da capital Argel.

Ela é acusada de pregar uma religião sem autorização e pode ser condenada a até três anos de cadeia. Kouider nega a acusação.

Exemplo

Alguns jornais argelinos afirmam que o caso de Kouider seria um exemplo de desrespeito à liberdade de consciência, direito garantido pela Constituição do país, que permite, pelo menos no papel, a prática de outras religiões.

Desde 2006, entretanto, as leis argelinas determinam que congregações não-islâmicas e líderes de outras religiões precisam obter licença do governo para poder pregar suas crenças.

Os advogados das vítimas estão sendo pagos pela organização não-governamental American International Christian Concern.

A porta-voz para a África da organização, Darara Gubo, disse à BBC Brasil acreditar que atualmente existe um movimento crescente de repressão à conversão ao cristianismo em vários países muçulmanos.

“Em diversas nações islâmicas os cristãos estão sendo processados quando usam sua liberdade religiosa e evangelizam muçulmanos. Isso acontece na Argélia, Irã, Arábia Saudita, Jordânia e muitos outros países”, disse ela.

Gubo afirma que a repressão aumentou na Argélia após a exibição de um documentário que mostrava um aumento do número de cristãos no país.

“Isso (o documentário) gerou muita pressão de outros países do Oriente Médio e da África. Eles consideraram vergonhoso que os muçulmanos estivessem se convertendo.”

O governo da Argélia afirma que existem cerca de 11 mil cristãos no país, cuja população é de cerca de 33 milhões. Grupos religiosos cristãos afirmam que o número de fiéis é bem maior.

Seis cristãos convertidos do islamismo podem ser condenados a até dois anos de prisão e a pagar multas de cerca de US$ 8 mil na Argélia, depois de serem acusados de pregar uma religião não-islâmica sem a aprovação do governo.

Fonte bbcbrasil.com

Rodrigo Coelho
Da BBC Brasil no Cairo

Gloria a Deus

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Tome uma atitude!!

Educar para a cidadania

Cidadania rima com democracia. Se nem se sabe o nome do político em que se votou nas últimas eleições, e muito menos o que andou fazendo (ou desfazendo), como participar das decisões nacionais? Assim, nossa democracia permanece meramente representativa. Dá-se um bom emprego a um político. Sem se dar conta de que são reflexos diretos da política o preço do pão, a mensalidade da escola, a qualidade de vida.
Ser cidadão é entrar em um nó de relações. É simples: ao pedir nota fiscal, evita-se a sonegação e aumenta-se a arrecadação pública que, em tese, permite ao governo investir em rodovias, hospitais, escolas, segurança etc. Quando se recusa a propina ao guarda, moraliza-se o aparato policial.
Cidadania supõe consciência de responsabilidade cívica. Nada mais anticidadania do que essa lógica de que não vale a pena chover no molhado. Vale. Experimente recorrer à defesa do consumidor, escrever para jornais e autoridades. Querem os políticos corruptos que passemos a eles cheque em branco para continuarem a tratar a coisa pública como negócio privado. E fazemos isso ao torcer o nariz para a política, com aquela cara de nojo.
Cidadania rima com solidariedade. Cada um na sua e Deus por ninguém é o que propõe a filosofia neoliberal. Sem consciência de que somos todos resultados da loteria biológica. Nenhum de nós escolheu a família e a classe social em que nasceu. Injusto é, de cada 10 brasileiros, 6 nascerem entre a miséria e a pobreza (e nascem por ano, no Brasil, cerca de 3 milhões de pessoas). Ter sido sorteado implica uma dívida social.
Solidariedade se pratica com participação nos movimentos sociais, sindicatos, partidos, ONGs, administrações públicas voltadas aos interesses da maioria.
Se prefere deixar "tudo como está para ver como fica", não se assuste quando lhe enfiarem um revólver na cara ou exigirem que trabalhe mais por menos salário. Afinal, você merece, como todos que não percebem que cidadania e democracia são sempre uma conquista coletiva que depende do corajoso empenho de cada um de nós.
Este ano teremos eleições municipais. Comece a pensar grande. Espelhe-se no Movimento Nossa São Paulo. Repita-o em seu município. Muitos se queixam de que o mundo vai mal, o governo é incompetente, os políticos oportunistas. Mas o que faço para melhorar as coisas?
Havia em São Paulo um travesti, Brenda Lee, que batizei de Cleópatra em meu romance Alucinado Som de Tuba (Ática). Antes de morrer assassinado, ocupou-se de cuidar de seus companheiros contaminados pela aids. Não esperou que o poder público o fizesse. Transformou a pensão em que morava em hospital de campanha. Foi a primeira pessoa física a obter, na Justiça, verba pública para uma iniciativa individual.
O dilema é educar para a cidadania ou deixar-se "educar" pelo neoliberalismo, que rima com egoísmo.
Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Paulo Freire e Ricardo Kotscho, de Essa escola chamada vida (Ática), entre outros livros.

domingo, 18 de maio de 2008

Madeira de lei

No “Painel do Leitor” da Folha de São Paulo de 16 de maio de 2008, Stalmir Vieira escreveu sobre a demissão de Marina: “No mundo encantado do poder, ocupado por ex-subversivos e ex-torturados, hoje bochechudos, rosados e de cabelos bem arranjados, o único papel que caberia a uma mulatinha magrinha, que jamais aceitou abandonar suas origens, seria o de servente. Ela não topou”. ...

O empobrecimento ético dos evangélicos é notório e Marina Silva destoa. Portanto, quando não der para sentir orgulho dos crentes brasileiros, nos inspiremos em nossa irmã.

Soli Deo Gloria.

Texto filado do site do Pr Ricardo Gondim

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Europa: igrejas mobilizarão fiéis para mudança climática

Os representantes das principais religiões monoteístas européias se comprometeram hoje a mobilizar seus fiéis contra a mudança climática, em reunião impulsionada pelos líderes das principais instituições européias.

O encontro, o quarto deste nível realizado na União Européia, reuniu os presidentes da Comissão, do Conselho e do Parlamento europeus com altos dignatários das igrejas anglicana, reformista, ortodoxa, católica, islâmica e judaica.

A reunião de hoje constitui "a primeira ocasião na qual há uma colaboração direta entre líderes espirituais e a UE" em matéria de proteção do meio ambiente, segundo afirmou em entrevista coletiva o presidente da CE, José Manuel Durão Barroso, que qualificou o encontro de "intenso e frutífero".

Tanto Barroso quanto o primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa, e Hans-Gert Pottering, presidentes do Conselho e do Parlamento europeus, respectivamente, assinalaram que as religiões podem desempenhar "um papel fundamental" para conscientizar a opinião pública sobre a necessidade de atuar contra a mudança climática.

"Concretamente, as igrejas poderiam conseguir fazer com que o povo mudasse seus hábitos, e realizasse um consumo mais responsável e mais respeitoso para com o meio ambiente", disse o arcebispo de Vilnius, Audrys Juozas Backis.

Além disso, os representantes dos distintos credos que convivem na Europa e os responsáveis das instituições européias abordaram a necessidade de reconciliação entre as religiões e de fomentar o diálogo intercultural.

Pottering declarou a esse respeito que, apesar das diferenças que possam existir em muitos temas, todos coincidem em promover o respeito e a tolerância, "ao contrário dos que falam em choque de civilizações".

Por sua parte, o presidente da CE destacou a importância de compatibilizar a liberdade de expressão e o respeito para com as outras crenças, algo que, segundo ele, "será fundamental para o futuro da Europa".

Perguntado sobre este mesmo tema, o ulemá da Bósnia-Herzegóvina, Mustafá Céric, se referiu ao documentário sobre o Islã feito pelo deputado holandês Geert Wilders, o qual, indicou, "provavelmente não contribuirá para melhorar a liberdade de expressão, mas somente para ferir muitos corações".

EFE

Agência EFE -

sábado, 3 de maio de 2008

quarta-feira, 30 de abril de 2008

sábado, 26 de abril de 2008

As aparências enganam

Santo Agostinho dizia: “Deus tem filhos que a igreja não tem”.
Diante da atual conjuntura cristã mundial, e especificadamente brasileira, me atrevo a dizer: “a igreja tem filhos que Deus não tem”.
Adágios sempre nortearam as estruturas de pensamento popular, famosos provérbios perambulam eternamente nas rodas do “povão”, um deles se enquadra muito bem na atual situação da igreja evangélica brasileira: contra fatos não há argumentos.
Escândalos de conduta ética, notícias que denunciam pastores evangélicos donos de rádios piratas, furos de noticiários com gravações de bispos ensinando como tomar a benção do povo (ou dá ou desce!) e assim sucessivamente.
Slogans de igrejas que prometem serem igrejas: do poder de Deus, da unção poderosa, do fogo puro, de milagres e maravilhas, do apóstolo que cura, do pastor que revela, do copo de água santa, da rosa ungida, do lenço com suor, do emagrecimento eficaz, da oração poderosa, das cinco coisas que você deve fazer para....., dos sete dias, das doze semanas, do ano sagrado, e assim por diante.
Tudo comprova que como cristãos somos pessoas cheias de expectativas, principalmente quanto ao céu. Não temos certeza de como é o céu, e muito menos de quando será, essa dúvida gera em nós ansiedade e prazer em servir a Cristo, não só pelo fato de querermos o céu, mas pelo fato de termos a vida eterna.
Toda essa expectativa espiritual, que em nós produz esperança, leva alguns a se iludirem com líderes insanos, descontrolados e alvissareiros que criam comunidades nos moldes do que se entende por espiritualidade, comunidades onde o que se busca são “coisas extraordinárias”, experiências sobrenaturais (sendo que Cristo nos ensinou a buscar a instalação do reino e sua justiça) - o que eles não sabem é que espiritualidade não é algo teórico e muito menos empírico, mas algo extremamente divino e humano. A tentativa de manipular o poder, a honra, a glória e a justiça de Deus resultam na construção de minicéus, verdadeiros circos nos quais se revela a “desvontade” do altíssimo mediante picadeiros diversificados.
O que muitos esquecem é que Jesus advertiu a todos que manifestações espirituais jamais poderão comprovar a espiritualidade de ninguém, o Mestre disse que naquele dia muitos dirão: “Senhor, expulsamos demônios em teu nome e curamos enfermos, e Eu vos direi, não os conheço, apartai-vos de mim malditos para o fogo eterno.”
Com certeza a primeira surpresa que teremos antes de adentrar à Nova Jerusalém, será a seleção daqueles que habitarão o largo de fogo eterno. Nem todos aqueles que têm carteirinha de membro de determinada igreja, nem todos os que foram batizados nas águas e no Espírito, que falam em línguas (bem) estranhas, que têm sonhos e visões, comporão o livro da vida.
O que se conclui é que fazer parte da igreja (instituição) não confere a ninguém o “direito” de adentrar os átrios celestiais; existem muitas, por que não, incontáveis, pessoas que não fazem parte da cristandade atual, porém crêem em Cristo e têm uma vida tão igual à dele que por vezes são confundidos com o próprio. Estar na igreja é muito mais perigoso do que fora dela, estar na igreja pode nos anestesiar fazendo-nos acreditar que estamos salvos pelo fato de lá estarmos, enquanto que estar fora dela, ou seja, no mundo (espírito) é totalmente diferente, todos os que compõem o sistema de coisas atual já sabem seu destino se porventura não se renderam ao Cristo morto e ressurreto.
O que nos confere a certeza de que teremos nossos nomes na seleta lista dos salvos, é a fé naquele que nos gerou em Deus, entretanto, as obras são as mais genuínas provas de qual povo fazemos parte, igreja ou mundo, filhos da luz ou das trevas. Cabe aos verdadeiros seguidores de Jesus construir comunidades onde a vida seja vivida intensamente, onde as pessoas se amem sem medidas, onde o próximo sempre seja preferido em honra, onde a desigualdade social e a injustiça sejam punidas e exterminadas, onde o pecado seja massacrado e as feridas tratadas com paixão, comunidades de amigos, de irmãos, onde todos contribuem para a instalação do reino na terra a partir do amor que produz solidariedade, amizade, reflexão e uma genuína espiritualidade. Assim dizia o Cristo: “Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas? Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins. A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons. Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!
“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Eu os direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!”
(Mateus 7:15-22. NVI)
Pensando bem Calvino tinha razão: “Existe outra igreja dentro da própria igreja”.

fonte; http://celebraii.blogspot.com/

Postado por Evangelista Wil

Pastores evangélicos acusam crianças de bruxaria



Quanto vejo coisas como estas me lembro de quando Jesus disse “Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”
No Brasil ainda não vi colocarem prego em cabeça de criança, mas vejo todo tempo pastores e lideres que se dizem cristão encherem de abobrinhas as cabeças de gente que vai a procura de um deus que realize seus desejos e pedidos, resultado; fé rasa e decepções

domingo, 20 de abril de 2008

Procon nos videntes



Um grupo de médiuns e videntes da Grã-Bretanha vai realizar um protesto contra uma nova lei de proteção do consumidor que deve facilitar os processos em casos de clientes insatisfeitos com seus serviços.

Segundo Naomi Grimley, correspondente da BBC, como alguns destes videntes cobram pelas consultas, a nova lei passará a classificá-los como "comerciantes".

As novas regras da União Européia têm o objetivo de proteger todos que forem enganados por comerciantes, não importando qual a mercadoria que está sendo vendida. As mudanças serão colocadas em prática a partir de maio.

Alguns médiuns já começaram a divulgar, em suas propagandas, alertas em que se eximem de responsabilidades, como por exemplo: "isso é apenas uma experiência, os resultados podem não ser garantidos".

O grupo também vai entregar uma petição com 5 mil nomes ao gabinete do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.

Processos

Carole McEntee Taylor, uma das fundadoras da Associação dos Trabalhadores Espirituais da Grã-Bretanha, teme que clientes insatisfeitos possam entrar com processos, caso os resultados não sejam os esperados.

Para Taylor, o que videntes e médiuns praticam é espiritualismo, uma religião, e, assim como todas as outras religiões, suas práticas não deveriam exigir provas.

"Ao colocar nossa religião sob a lei de proteção do consumidor, estamos sendo discriminados, pois estão nos dizendo no que podemos acreditar", afirmou.

"Nenhuma outra religião é forçada a provar suas crenças, e as pessoas também não são obrigadas a ir a um médium, assim como não são obrigadas a ir a uma igreja", acrescentou.

Para Taylor, a nova lei não protegerá o público porque existem outras formas de atingir esse objetivo.

"É preciso educar o público a respeito de espiritualismo, a filosofia", afirma. "Se eles forem educados sobre esta filosofia, não serão enganados por pessoas que fazem alegações ridículas, pessoas que falam 'se você me der tanto em dinheiro, poderei consertar'."

O Office of Fair Trading, órgão do governo britânico de proteção ao consumidor, afirma que não está interessado em entrar com processos contra a grande maioria dos médiuns.

A entidade informou que pretende ir atrás apenas dos mais óbvios "comerciantes desonestos".

Tomara que a coisa pegue e venha para o Brasil

terça-feira, 15 de abril de 2008

Quando eu vi Jesus eu vi a luz



A nossa igreja recebeu o Pr Ronaldo Lidório (na foto no meio de óculos eu e Anne Mary)
Foi um momento especial, poucas pessoas têm tanto testemunho e serviços prestados ao Reino quanto o Ronaldo, sua passagem pela África foi marcada por grandes transformações na vida de um povo, abaixo o Ronaldo escreve um pouco sobre isso

Queridos,

A conversão de Makanda, filho de Mebá, do clã Sanbol dos Konkomba de Gana é um daqueles fatos que marcam nossas vidas.

Revisando o livro Konkombas para uma reedição em breve, tive o privilégio de consultar alguns dos primeiros convertidos entre os Konkomba-Bimonkeln a fim de preparar um capítulo dedicado especificamente a testemunhos pessoais. Fiquei admirado e alegre ao receber relatos tão intensos de pessoas como Mebá, Labuer, Kidiik e Makanda. É a história contada pela ótica de quem a experimentou.

Makanda é um rapaz brilhante e sincero. Após sua conversão foi rapidamente apontado como presbítero pela igreja ainda germinante e pouco a pouco passou a cooperar com o trabalho de saúde que Rossana iniciava. Hoje é um dos mais respeitados líderes Konkombas da região e está a frente da clínica em Koni. A época de sua conversão é setembro de 1995, que ele aqui aponta como "a época do inhame puná, um ano após a grande chuva". A "luz" a que ele se refere no seu testemunho são os primeiros raios da manhã que, na cultura Konkomba, significa esperança, ou seja, um novo dia em que algo bom pode acontecer.

Vale a pena ler seu relato que transmite alegria e aquece a alma.

Ronaldo e Rossana


“Antes de sermos cristãos nós adorávamos um fetiche chamado babasu que se localiza na aldeia de Sibru. Meu pai era feiticeiro grumadii mas eu estava a procura de algo novo.


Nós críamos que ele poderia curar ou ajudar aqueles que se devotavam a ele. Apesar de grumadii ser o fetiche invocado em Koni, em minha mente babasu era merecedor de devoção pois havia ouvido inúmeras histórias sobre seu poder.

Certo dia viajei até Sibru para trabalhar nos campos de inhame do feiticeiro local, e ali permaneci até o dia do sacrifício. Há vários tipos de sacrifícios, mas naquela manhã ele sacrificaria galinhas. Elas eram mortas com uma pancada na cabeça e todos observavam atentamente a forma como cairiam no chão, finalmente imóveis. Se elas caíssem com as pernas para cima significa que o espírito havia rejeitado o sacrifício. Com as pernas para baixo havia sido aceito.

Neste dia o sacrifício foi aceito e o sangue foi derramado, cuidadosa e lentamente, sobre um altar de pedra, uma espécie de mesa de pedra negra. A cor escura, eu cria, era devido ao sangue que ali era derramado constantemente. Após a cerimônia o feiticeiro local deu-me uma castanha como sinal de que o sacrifício havia sido aceito, e conseqüentemente o espírito levaria em consideração meu pedido, que era de proteção da morte e prosperidade.

Quando retornei a Koni continuei a servir babasu participando de sacrifícios e cerimônias e fiz o nome de babasu bem conhecido em nossa aldeia. De certa forma eu seguia os passos de meu pai, que trouxe a adoração a grumadii para aquela região. Também comecei a beber bastante. Lembro-me, inclusive, que estava um pouco bêbado quando o homem branco chegou pela primeira vez em nossa aldeia. Crianças corriam e choravam e todos estávamos curiosos para ver a ‘banana descascada’, como o chamávamos.

Nos meses que se passaram, porém, o homem branco não nos deixou. Víamos que ele sofria por não saber nossa língua e parecia sempre muito cansado. Ele, entretanto, aprendeu nossa língua em alguns meses e certo dia, sentados embaixo de uma castanheira, ele começou a nos falar sobre Uwumbor, um deus antigo e criador, mas que críamos estivesse perdido. Lembro-me de meus questionamentos: se Uwumbor é Deus mais poderoso que os espíritos, porquê não se manifesta como fazem os espíritos ? Por outro lado eu pensava: se Uwumbor for Deus, criador e mais poderoso, talvez seja quem nós procuramos. Era sabido por cada um de nós que grumadii e babasu, entre outros espíritos, não nos amavam. Algo, porém, nos fazia vacilar: como um estrangeiro nos ensinaria sobre o nosso próprio Deus ? Não parecia ser algo para nós.

Os feiticeiros começaram a acusá-lo de ser mentiroso e enganador. Também de perigoso ao utilizar de forma errada nossas histórias antigas. Curiosamente o vice-chefe da aldeia, do clã Binaliib, guardadores de fetiches, protegia o homem branco. O vice-chefe era homem conhecido por sua paciência e sabedoria, enquanto o chefe e seus filhos eram afoitos e guerreiros. A simpatia do vice-chefe nos fez pensar que talvez houvesse alguma verdade em suas palavras.

Certo dia o homem branco viajou e disse que voltaria. Pensávamos que ele não regressaria pois nossa região era muito distante, cortada por muitos riachos e planícies até chegar à terra dos Dabomgas, de onde ele poderia ir para algum outro lugar. Mas ele regressou e trouxe sua esposa, que sorria muito. Pareciam estar gostando do lugar e de nosso povo. Porquê estariam ali ? Pensávamos assim: será que foram expulsos de seu povo e precisam de um lugar para ficar ? Alguns sentiam pena deles, especialmente quando chegava a noite e víamos que não conseguiam dormir muito bem. Sempre diziam que estava quente, mesmo no inverno! Dormiam no pátio da casa do vice-chefe. Lá havia muita gente e não tinha muito espaço mas ninguém mais os queria receber. O vice-chefe, porém, parecia gostar deles. Quando eles falavam nossa língua todos queriam correr para escutá-los. Falavam engraçado e nós ríamos muito.

Um dia eles compraram um cabrito e prepararam alimento para várias pessoas. Convidaram os feiticeiros para o banquete. Todos na aldeia estavam curiosos para saber o que aconteceria. Treze feiticeiros compareceram, inclusive meu pai. A comida parecia boa e todos gostavam da forma como os brancos os alimentavam e lhes serviam água nas cabaças, se aproximando dos anciãos de cócoras e com respeito. Mas ao fim eles pediram permissão para lhes falar que tinham em mãos algo que lhes explicavam exatamente quem era Deus. Um livro que era a história de Deus. Todos ficaram muito encantados e prestamos atenção como este livro nos ensinava como as coisas haviam sido criadas. Algumas coisas eram parecidas com nossas histórias, outras meio diferentes, mas com muitos detalhes.

Ao fim, porém, houve um grande tumulto quando eles falaram que este Deus (Uwumbor), que criou a todos, não estava distante. Estava ali conosco, em Koni, nos observando, e triste porque adorávamos aos espíritos como se fossem Deus. Vários feiticeiros gritaram desafiando-os se Uwumbor era maior que seus espíritos. Alguns foram embora e outros permaneceram ouvindo. Gostávamos dos brancos, mas o que falavam era difícil de ouvir. No fundo acho que todos sabíamos que os espíritos que adorávamos eram maus e maliciosos. Na verdade sabíamos. Talvez nossa reação fosse por temor. E alguns pensaram assim: como estes brancos nos falam sobre nossos espíritos? Temíamos que nossos espíritos estivessem nos observando e que seríamos punidos se não os defendêssemos. Assim alguns gritaram com raiva dos brancos, mas de fato não estavam com raiva. Era apenas para que os espíritos não os punissem. Uwumbor, por outro lado, segundo os brancos, não precisava de defesa. Era algo curioso que me deixou muito pensativo. Fui para a roça sozinho no dia seguinte.

Certo dia alguma coisa em minha mente passou a me dizer que suas palavras eram verdadeiras, e isto me levou a desejar ouvi-lo ainda mais. Alguns falavam em matá-los, especialmente através de algum veneno conhecido. Seria fácil matá-lo pois eles comiam nossa comida e tomavam da nossa água. Moravam, porém, com a família do vice-chefe, que era conhecido como um homem bom e possivelmente não apoiaria o envenenamento. Mas acho que ninguém jamais conversou com o vice-chfe sobre isto. Mas eu não conseguia parar de pensar no que ele falava e fiquei pensando que, se Uwumbor realmente nos criou talvez não esteja tão longe.

Certo dia eu o ouvi pregar no meio da aldeia, enquanto as pessoas passavam, sobre o poder de Deus, o tema favorito do homem branco nos primeiros meses. Já que ele estava vivo mesmo falando tão mal dos espíritos talvez os espíritos não fossem tão fortes assim como pensávamos. Mas naquele dia ele nos falou sobre a salvação em Jesus Cristo e nos explicou a cruz. Foi diferente imaginar este Jesus, filho de Deus, e Deus feito gente, naquela cruz. Porque não fugiu ? Eu ficava pensando. Era a época do inhame puná, um ano após a grande chuva.

Não posso explicar muito bem o que aconteceu nem o momento exato que passei a crer em Deus mas em um certo momento eu vi a luz de Jesus perto de mim, e um sentimento de liberdade tomou conta de mim. Daquele dia em diante eu passei a contar minha experiência com Cristo com uma música.

‘Antes eu não sabia onde estava Jesus,

e eu procurava por caminhos de salvação.

Quando eu vi Jesus eu vi a luz’.

Muitas coisas aconteceram comigo depois, mas algo que ficou marcado era que, de alguma forma, Jesus parecia ser parte do nosso povo. Algo escondido que sempre procurávamos. Quando fui a procura de babasu, no fundo quem eu procurava era Jesus. Quando outros vão atrás de babasu, na verdade procuram é a Jesus.

Daquele dia em diante quando alguém me perguntava sobre Jesus eu alegremente respondia: quando eu vi Jesus, vi a luz.”

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Revolta no Inferno

Todo fim de ano o Diabo recebe um pequeno grupo para jantar no que chama de sua anticobertura, um duplex no último subsolo do Inferno, escolhendo entre as almas condenadas as mais interessantes e de melhor papo.

Os pratos são sempre grelhados e o vinho é de produção local, marca Diabo, mas o principal é que todos se divertem, falando mal de Deus e todo  mundo. Mas, ultimamente, a questão de quem merece e quem não merece estar no Inferno vem sendo muito discutida nos jantares, e as queixas dos que se acham injustiçados por estarem lá se multiplicam.

O Diabo tenta cortar os lamurientos da sua lista de convidados, mas não pode prescindir da presença de Oscar Wilde, um dos seus comensais favoritos, apesar das suas constantes críticas à comida, à companhia e à ausência de ar condicionado, e que foi quem primeiro expressou sua revolta. E o Diabo já sabe que em breve estará enfrentando uma verdadeira rebelião de almas pedindo revisão de sentença e perdão retroativo. E que seus jantares nunca mais serão os mesmos.

Tudo começou quando Wilde, fazendo uma cara feia depois de provar o vinho, comentou como estavam se tornando comuns, na Terra, o casamento entre homossexuais.

— Eu fui preso, execrado e excomungado por ser homossexual — disse Wilde. — Se fosse hoje, em vez de condenado e exilado, eu poderia ser, sei lá, um conselheiro matrimonial. Não faz muito, a mesma igreja anglicana  que me mandou para cá ordenou um bispo gay. O que é que eu estou fazendo aqui?

O Diabo tentou mudar de assunto, mas Wilde continuou:

— Me transfira para o céu, D.  Nada pessoal contra você, mas aposto que o vinho lá é melhor. Sem falar no clima.   

Não adiantou o Diabo argumentar que nem ele nem Deus são senhores dos tempos que mudam, ou da justiça divina, que não tem corregedoria ou apelação. Wilde só prometeu epigramas cada vez mais pesados, mas o Diabo se prepara para a gritaria dos indignados do Inferno.       

Como os que foram mandados para o Inferno por usura, no tempo em que era pecado. E — como gosta de lembrar o Diabo, com um sorriso malicioso — a Igreja ainda não inventara o Purgatório justamente para acomodar os usurários, pois sem eles não haveria empréstimo a juros, bancos e sistemas financeiros.

Hoje a usura não só é o que faz o capitalismo rodar como é o capitalismo financeiro que manda no mundo. E, principalmente, não é mais pecado, pois os juros não são mais uma abominação aos olhos do Senhor, e até a Igreja tem bancos. E os condenados por usura no Inferno perguntam se não têm direito à mesma respeitabilidade conquistada pelos banqueiros, que hoje enriquecem em vida sem o risco de as suas almas penarem na morte, e à absolvição.

Ou pelo menos a um up grade para o Purgatório.

Enviado por Luiz Fernando Verissimo para o Noblat http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

domingo, 6 de abril de 2008

52 garotas são retiradas de rancho de seita religiosa


Autoridades do Estado americano do Texas retiraram 52 meninas do rancho de uma seita poligâmica na tarde desta sexta-feira após uma adolescente de 16 anos que vivia no local ter feito uma queixa de abuso físico.
O Serviço de Proteção à Criança do Texas procura casas de abrigo e cuidados para as meninas, com idades de 6 meses a 17 anos. Dezoito delas estão sob custódia do Estado.

O proprietário do rancho na cidade de San Antonio é o líder da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Último Dia (FLDS, sigla em inglês), Warren Jeffs, que foi preso em novembro por 10 anos por cumplicidade em um estupro.

Jeffs foi condenado após ter forçado uma adolescente de 14 anos a se casar com seu primo.

Isoladas do mundo

O líder religioso, que se proclama profeta, aguarda outros julgamentos no Arizona, em que é acusado de ser cúmplice em quatro casos de incesto e conduta sexual com uma menor de idade fruto de dois casamentos arranjados.

O Serviço de Proteção à Criança do Texas afirmou que após entrevistar as 52 meninas decidiu que nenhuma vai retornar ao rancho.

"Estamos lidando com crianças que não estão acostumadas ao mundo exterior, por isso estamos tentando ser bastante sensíveis em relação a suas necessidades", afirmou Marleigh Meisner.

Poligamia

De acordo com o jornal San Antonio Times, um mandado de busca procura registros relacionados ao nascimento de crianças de uma adolescente de 16 anos e outros sobre seu casamento com um homem de 50 anos. Autoridades afirmaram que a garota ainda não foi encontrada.

Nenhuma prisão foi realizada e autoridades disseram que pessoas do rancho estão "ajudando nas buscas".

Acredita-se que cerca de 150 pessoas vivam no local.

A seita, que tem cerca de 10 mil seguidores e domina as cidades de Colorado City, no Arizona, e Hildale, em Utah, é uma dissidência da igreja Mormon.

Os integrantes da seita acreditam que o homem precisa casar com pelo menos três mulheres para subir ao céu. As mulheres, por sua vez, são ensinadas que seu caminho para o céu é a subserviência ao marido.

A poligamia é ilegal nos Estados Unidos, mas as autoridades relutam em enfrentar a FLDS por medo de provocar uma tragédia similar à que aconteceu em 1993 na sede da seita Branch Davidian, em Waco, no Texas, quando 80 fiéis morreram em choques com a polícia.
fonte; http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/04/080405_abusotexas_aw.shtml

sábado, 5 de abril de 2008

Ignorância mata


Essa menina bonita se chama Madeline Neumann. A última vez que viu um médico foi aos três anos, pois seus pais acreditam no Poder da Oração, não em meros remédios.

Por isso quando Madeline começou a se sentir mal, eles fizeram o que era sensato: Rezaram por ela. Juntaram amigos em casa, de seu Grupo de Oração, e por um mês depositaram toda sua fé pedindo ao Senhor que curasse Madeline, uma alegre menina de 11 anos.

Nas palavras dos próprios pais. “aparentemente não tínhamos fé o suficiente”, e sendo assim, Madeline morreu. Mas não se preocupe, a mãe dela acha que se rezar com bastante fé, Madeline pode ser ressucitada.

Os seculares e ateus médicos que fizeram a necrópsia descobriram que Madeline morreu de cetoacidose diabética, uma complicação da Diabetes Mielitus, uma condição que pode ser curada com fé, oração, intervenção divina ou insulina.

Como Madeline descobriu da pior maneira, o único com garantia de funcionar é a insulina.
Infelizmente Darwin pode ser bem cruel com criancinhas.
O pior é que os pais que ASSASSINARAM a pobre Madeline continuam com a guarda dos outros três filhos do casal.

fonte: Fox News [via Pavablog ]

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Arte no papel




É incrível a quantidade de coisa boa que a gente não aproveita por simplesmente só poder ser um e estar apenas e um lugar. Ainda bem que existe a internet, pelo menos dá pra ter um gostinho das coisas. Um tempo atrás houve um concurso de arte na Hirshhorn Modern Art Gallery em Washington, DC. O tema era qualquer coisa que utilizasse apenas uma única folha de papel. Os resultados são incríveis.
filado do corre negada