sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A Tristeza


A tristeza é um livro sábio que se tem no coração e que nos diz centenas de coisas - impede-nos de apodrecer como um cogumelo debaixo de uma árvore; pouco a pouco vai fabricando uma provisão de ensinamentos para a vida.
Juliusz Slowacki
fonte: Amigos do Freud

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Cristianismo Comparado


ÍNDIA, PAQUISTÃO, BANGLADESH – QUANDO DENOMINAÇÕES SE UNEM

O que fazer como minorias de cristãos em uma área dominada por grandes religiões: bramanismo, islamismo, jainismo, sikismo, budismo? Como unir recursos para uma grande missão? Como testemunhar o evangelho em unidade? Como não ter uma face estrangeira (importação cultural) diante de culturas milenares? Essas questões incomodaram líderes cristãos da Índia, que iniciaram conferências ecumênicas desde 1855. Já em 1908 se dava a primeira fusão – de presbiterianos e congregacionais – com a criação da Igreja Unida do Sul da Índia. A Conferência de Traquebar, em 1919, recomendou o início de uma caminhada séria que levasse à fusão de denominações em Igrejas unidas.

Em 27 de setembro de 1947, foi finalmente criada a Igreja do Sul da Índia (www.csichurch.com), com a fusão dos anglicanos, metodistas, presbiterianos, congregacionais e reformados holandeses, tendo como base o Quadrilátero de Lambeth (Escrituras, Credos, Sacramentos, Episcopado Histórico). Hoje a Igreja do Sul da Índia possui 15.000 congregações, com 3 milhões e 800 mil membros, 2.000 escolas, 130 faculdades, 104 hospitais e 500 abrigos para 35.000 crianças.

Como fruto do mesmo movimento, foi criada, em 29 de novembro de 1970, a Igreja do Norte da Índia, com a união de anglicanos, metodistas, presbiterianos, batistas, irmão livres (irmão de Plymouth) e discípulos de Cristo. A Igreja do Norte da Índia (www.cnisynod.org) possui 26 Dioceses, 1 milhão e 250 mil membros, 65 hospitais e 250 instituições denominacionais.

Inicialmente, houve uma aceitação de todas as ordenações, a criação de um Episcopado histórico pela imposição de mãos de Bispos Anglicanos e da Igreja Siriana Mar Thoma (reformada), e, a partir de então, todo o novo clero foi sendo Ordenado com sucessão apostólica.

Essas Igrejas unidas e inculturadas têm crescido, principalmente com a conversão na casta dos parias (dalit) e nas populações tribais.

Em 01 de novembro de 1970 foi criada a Igreja do Paquistão (www.churchofpakistan.org.pk), unindo anglicanos, metodistas, presbiterianos e luteranos, contando hoje com 800 mil membros, sob sérias restrições do regime islâmico.

Em 1971 o Paquistão Ocidental se separou do Paquistão Oriental, criando o país independente de Bangladesh. Isso levou, também, a divisão da Igreja. Em 1974, um sínodo deliberou pela criação da Igreja de Bangladesh.

Essas Igrejas incorporaram as diversas tradições denominacionais dentro do contexto cultural local, são presididas por um Moderador, têm um manual de liturgia inspirados no Livro de Oração Comum (LOC), e estão todas elas hoje filiadas à Comunhão Anglicana, como Províncias Autônomas. “Somos hoje todos bons anglicanos”, me dizia em abril passado o Reverendo Cônego Vinay Samuel, diretor do Centro de Oxford para Estudos Missiológicos, e ele mesmo um clérigo da Igreja do Sul da Índia.

Diante do incessante “rachismo” e “americanalhismo” da cristandade reformada brasileira atual, essas ações de unidade geradas pelo Espírito Santo em corações movidos pelo amor a causa e ao bom senso, nos serve de alento.

Poderia algo semelhante acontecer também na Terra da Santa Cruz?

Paripueira (AL), 05 de novembro de 2008.

+ Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano

"Só depois que nos tornamos humildes e ensináveis e permanecemos extasiados diante da santidade e soberania de Deus... reconhecendo nossa pequenez, desconfiando dos nossos pensamentos e desejando ter a mente humilhada, é que podemos adquirir a sabedoria divina" (J.I. Packer).
Este texto foi encaminado pelo docente e amigo Elson Cormack

domingo, 9 de novembro de 2008

Frase de lápide no cemitério da Argentina



fonte: Blog do Noblat

Uma vida tocada na flauta



O vício ia tirando Charles dos palcos; entrou, enfim, no círculo vicioso da marginalidade até ir para a rua



A flauta é o único objeto que sobrou de um fugaz passado glorioso. O resto está irreconhecível numa caverna debaixo do viaduto Costa e Silva, o Minhocão, a poucos metros da igreja da Consolação, onde mora Charles Pereira Gonçalves, na região central.

As pontas dos dedos que tiravam notas musicais estão agora queimadas pelo crack. O sopro está comprometido pela tuberculose que contamina o pulmão. Trajado com roupas sujas e fétidas, Charles, olhos vazios, desistiu de tomar banho. Parece ter bem mais idade do que seus 34 anos.

A combinação de doenças -além da tuberculose, ele está com pneumonia- deixou-o esquelético e silencioso, sem vontade de conversar. Os sons que emite vêm de uma tosse constante. Quando, porém, vez por outra, ele toca seu instrumento, voltam os fragmentos da memória dos tempos em que, ainda menino, dividira o palco com músicos como o pianista Arthur Moreira Lima, o saxofonista Paulo Moura e o flautista Altamiro Carrilho.

Altamiro Carrilho ficou tão impressionado ao ouvi-lo tocar um chorinho que comentou: "Só pode ser reencarnação". Até então, não tinha visto alguém tão jovem e sem nenhum estudo musical tocar tão bem -e muito menos acreditava em reencarnação.

O maestro Júlio Medaglia explica essa habilidade pelo ouvido absoluto, termo técnico que designa rara sensibilidade de distinguir as notas. Isso torna ainda mais difícil entender como Charles consegue viver naquela caverna embaixo do Minhocão, onde, por causa do trânsito ininterrupto de veículos, o barulho não pára.

Por muito pouco, ele não viveu em ambientes radicalmente diferentes daquele, distantes da poluição sonora do viaduto. Medaglia dizia que, com estudo, o menino se transformaria em um instrumentista de renome mundial e conseguiu-lhe como professor, na Alemanha, o primeiro flautista da Orquestra Filarmônica de Berlim. "Pode ser um dos grandes flautistas do mundo", apostou Medaglia.

Às vésperas de viajar para a Alemanha, porém, Charles começou a hesitar e a demonstrar um comportamento estranho. A droga começava a entrar na sua vida.

Quando indagado sobre o motivo por que caiu nas drogas, ele explica, entre frases confusas: "As pessoas pensavam que eu estava fora do Brasil e deixaram de me procurar. Fiquei desanimado, comecei a não ir mais para a escola e a usar drogas. Experimentei crack e me perdi".

Acompanhado de dois de seus irmãos (um deles, gêmeo), Charles tocava nas ruas do centro de São Paulo, em 1984, quando tinha dez anos de idade. Diante do talento do filho, o pai, viúvo, treinou os irmãos para buscar dinheiro na rua.
A visibilidade das ruas levou-o a gravar um disco no começo da década de 1990 e a ser chamado para shows e programas de televisão.

O vício ia tirando-o dos palcos. "Só queria crack." Começou a faltar dinheiro. Entrou, enfim, no círculo vicioso da marginalidade até ir para a rua. Ele agora se diz disposto a dar aula particular em alguma escola.

"Queria ensinar flauta para crianças pequenas." Está consciente, entretanto, de que, viciado e tuberculoso, não pisaria numa escola. "Antes preciso cuidar de minha saúde."

Seu depoimento só mostrou mesmo emoção quando ele falou de sua única criação recente, ao se referir ao filho de um ano de idade. "Nunca vi o rosto dele, mas acredito que ele possa vir a ser um grande flautista."

Talvez por causa do sonho de que o talento, desperdiçado, pudesse ser salvo no desconhecido filho, ele tirou a flauta do bolso do paletó e tocou um chorinho. Nessa vaga esperança, era como se sua vida ainda pudesse ser tocada na flauta.


PS - Charles acabou tomando, por acaso, todo o espaço desta coluna. A idéia inicial era apresentá-lo como um exemplo de desperdício de talento para comentar o lançamento, na semana passada, da extensão do programa Bolsa Família para jovens. A justificativa dada pelo governo era reduzir a evasão escolar. Estava municiado de números sobre evasão, que, em alguns lugares, está crescendo, além de informações sobre como o ensino médio, tão longe da realidade, expulsa os adolescentes do prazer de aprender. A tragédia resume-se aos 7 milhões de jovens em regiões metropolitanas que não estudam nem trabalham, presas fáceis da marginalidade. Ficou tão difícil tirar espaço de Charles como deve ter sido desviar dele a atenção nos tempos em que encantava platéias. Mesmo doente, participou da gravação de uma faixa de um CD em 2006: quem ouvir a música (clique aqui) sentirá melhor do que em números o que é o desperdício de talentos.

Fonte Gilberto Dimenstein

sábado, 8 de novembro de 2008

Eu tenho um sonho

Abaixo o discurso do Rev. Martin Luther King, 45 anos depois um negro chega a Casa Branca

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O MALEDICENTE

O MALEDICENTE, covarde entre todos os envenenadores, está seguro de sua impunidade; por isso é desprezível. Não afirma, senão insinua; chega a desmentir imputações que ninguém faz, contando com a irresponsabilidade de fazê-las nesta forma. Mente com espontaneidade, como respira. Sabe selecionar o que converge à detração. Diz distraidamente todo o mal de que não está seguro e cala com prudência o bem do qual tem certeza.

José Ingenieros
via Ricardo Gondim

domingo, 2 de novembro de 2008

Luta contra pobreza inspira canção do U2



Quando 116 milhões de pessoas se manifestaram recentemente contra a pobreza mundial, seu grito coordenado não fez grandes manchetes -- mas inspirou o roqueiro e ativista irlandês Bono a compor uma nova canção para sua banda U2.

Em entrevista à Reuters, Bono disse que a campanha Stand Up and Take Action (Levante-se e Entre em Ação), realizada em 131 países, o inspirou a criar uma canção intitulada "Stand up".

"Ela ainda não está pronta, mas foi inspirada por esse conceito de levantar-se. Mas é um pequeno diamante", disse Bono, falando ao telefone desde Los Angeles.

Os organizadores da campanha disseram que os 116 milhões de pessoas que exortaram os líderes mundiais a não esquecer sua promessa de reduzir a pobreza e a fome no mundo até 2015 representam quase 2 por cento da população mundial e o recorde mundial Guinness de "a maior mobilização de massas sobre uma questão isolada."

Oito anos atrás os líderes mundiais fixaram uma série de metas, conhecidas como Metas de Desenvolvimento do Milênio, ou MDMs, para a redução da pobreza, a educação, saúde, igualdade e combate à desnutrição.

Mas os países em desenvolvimento temem que os países ricos aproveitem a pior crise financeira desde a Grande Depressão como desculpa para descumprir suas promessas.


Contrato moral

Bono disse: "Embora não tenha sido feito um contrato legal, como desejaríamos, foi firmado um contrato moral."

"Quebrar uma promessa feita a você mesmo, seu parceiro, sua família, promessas de um político a seus eleitores, tudo isso é ruim. Mas quebrar uma promessa feita às pessoas mais pobres e vulneráveis do mundo é um crime hediondo. Isso é inaceitável", disse ele.

Bono vem há anos aproveitando sua condição de celebridade para levantar dinheiro e chamar a atenção para a pobreza mundial e destacar como a ajuda, quando bem empregada, pode ajudar com a prevenção e o tratamento de doenças como malária e Aids.

"É terrível pensar que nós podemos tirar o pé do pedal aqui e que eles, lá, sejam os que saiam da estrada", disse ele, falando do receio de que menos ajuda vá retardar o progresso da África.

Mesmo assim, Bono disse que a região demonstrou ter potencial econômico significativo, com vários anos de crescimento econômico forte sob a égide de uma nova geração de líderes.

fonte: G1 via http://igrejaemergente.com.br/

Fé e Deus nas eleições dos EUA



O presidente Goerge W. Bush consolidou a associação de líderes conservadores americanos com Deus. "Quanto mais tempo passamos com Deus, mais nós vemos que Ele não é um rei distante, mas um amoroso pai", disse Bush durante um discurso. Se as urnas reproduzirem o que dizem as mais recentes pesquisas de opinião, os Estados Unidos em breve mudarão de rumo, seguindo um caminho mais liberal, voltando ao comando democrata. Mas, se o senador Barack Obama for eleito presidente no próximo dia 4, a inspiração divina continuará na Casa Branca, como ele já deixou claro ao longo de sua campanha. "Eu quero que vocês orem para que eu possa ser um instrumento de Deus", afirmou Obama em um encontro com seguidores.

As falas acima aparecem em um documentário da BBC que lança uma luz sobre o atual estado da superpotência mundial, a partir de uma perspectiva histórica. O historiador britânico Simon Schama, professor da Universidade de Columbia, em Nova York, analisou, entre outros temas, o papel da religião na formação e no desenvolvimento da nação americana. Na série para a TV, "The American Future: A History" (O Futuro Americano: uma História), exibida dias atrás aqui na Grã-Bretanha, Schama mostrou em um dos episódios como a religião, e especialmente o exercício da liberdade religiosa, é central na história dos Estados Unidos. Afinal, os pioneiros que cruzaram o Atlântico buscavam construir comunidades onde pudessem orar da forma que quisessem, liberdade garantida no Estatuto da Liberdade Religiosa da Virgínia, elaborado por Thomas Jefferson.

Esse aspecto da história americana é explorado de forma didática e inteligente por Schama, que em seguida traz para a realidade atual a importância da fé em Deus. "Cristãos evangélicos suspeitam que o candidato republicano, John McCain, não seja exatamente seu homem", diz o historiador. "Desta vez, é o candidato democrata, Barack Obama, quem invoca a fé como sua inspiração."

A fé de Obama quase o colocou em apuros meses atrás, quando sua associação com o reverendo Jeremiah Wright, seu ex-pastor em uma igreja da comunidade negra de Chicago, foi explorada na disputa pela indicação democrata. Wright, em seus sermões incendiários, atacava a nação e o ex-presidente Bill Clinton. Dizia que os Estados Unidos praticavam terrorismo no exterior e falava em uma "América branca". Barack Obama viu-se forçado a responder e o fez em um discurso que se tornou histórico e ficou conhecido como o "discurso sobre raça". No pronunciamento, Obama atacou de frente a questão racial no país e criticou as declarações do seu ex-pastor. Mas também falou da importância de Wright para sua formação moral e do papel da religião na sua vida. "O homem que eu conheci há mais de 20 anos é um homem que ajudou a me apresentar para a fé cristã, que falou para mim das obrigações de amarmos uns aos outros, de cuidar dos enfermos e ajudar os pobres." Barack Obama diz ser um homem de Deus, e a fé tem sido central na sua tentativa de se tornar o primeiro negro na Casa Branca.

O republicano John McCain raramente fala de Deus ou de religião. Ele freqüenta a igreja, mas não tem a fé como uma de suas armas políticas. Sua candidata a vice, Sarah Palin, é amada por religiosos conservadores, mas sua presença na chapa não foi suficiente para dar um toque evangélico na campanha republicana. Após oito anos de Bush clamando ter o Criador ao seu lado, divulgando a partir de Washington uma versão conservadora de religião, apoiado numa aliança da direita cristã com conservadores judeus, a inspiração divina nos Estados Unidos agora é outra. Nesta eleição Deus parece estar do lado democrata.

Rogério Simões em blog dos editores da http://www.bbc.co.uk/portuguese/

OS VALORES PODEM SE MANIFESTAR NAS CONDIÇÕES MAIS ADVERSAS



Ex-catadora de lixo de Belo Horizonte Maria das Graças Marçal, conhecida popularmente como “dona Geralda”, fundou a Asmare (Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável). Trata-se de um projeto social que atende várias dezenas de catadores na capital mineira e já recebeu diversos prêmios pelo seu caráter inovador. Inclusive, a oportunidade de ir pessoalmente, em 1999, à sede da ONU, em Nova York, para receber o Prêmio Unesco na categoria Ciência e Meio Ambiente.

Um feito e tanto para quem começou a catar papel aos 8 anos de idade, quando a família resolveu deixar o interior de Minas Gerais para buscar oportunidade na capital. Com a morte do pai, três meses depois, a mãe e os quatro filhos ficaram na indigência, sendo obrigados a viver do lixo. Dos 8 aos 16 anos, dona Geralda carregou lixo na cabeça. A partir dos 16, começou a puxar o carrinho, principal instrumento de trabalho do catador, que chega a puxar até meia tonelada usando a força das pernas e das mãos.

As iniciativas de Dona Geralda demonstram que empreender é um estado de espírito e não sinônimo de pessoa jurídica. O negócio que ela dirige não recicla apenas lixo; recicla vidas.
Existe valor mais nobre? Existe resultado mais surpreendente do que o que dona Geralda consegue? Ela pode até não gostar de ser chamada de líder – para ela, um “apelido” muito complicado –, mas faz tudo aquilo que o líder deve fazer: motiva pessoas em torno de uma causa, apresenta resultados surpreendentes, lidera onde se faz necessário e forma outros líderes. Finalmente, mas não em último lugar, inspira por valores que enobrecem aqueles que abraçam a causa.

César Souza
consultor, palestrante e presidente da Empreenda, autor de “Você é o Líder da Sua Vida?”. Apontado pelo World Economic Forum como um dos “200 Global Leaders for Tomorrow”.

sábado, 1 de novembro de 2008

Semana Haggai (2)


Pensei que ia poder postar na semana que passei no Haggai onde estive fazendo
o Workshop de Docentes, Mas que nada, foi muita coisa boa acontecendo e uma pressão grande para poder dar uma aula em 5 minutos e ser avaliado pelos colegas e pela banca do Haggai
Entre mortos e feridos salvaram-se todos
Uma correção, a arte acima foi feita pelo docente Elson Cormak

sábado, 25 de outubro de 2008

Semana Haggai


Esta semana estarei em Campinas fazendo o Workshop de docentes do instituto Haggai do Brasil
Na semana falo mais, estou cansado e com sono, sai de Fortaleza as 04:00h

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

É uma pista falsa

É uma pista falsa, naturalmente, que Deus esteja ausente no momento da transgressão. A trama coloca Deus longe, para que saibamos que em termos dramáticos está perto – quer dizer, é do seu personagem que está sendo falado. Deus tem esse álibi formidável, não estava presente no momento em que tudo foi colocado a perder, mas num sentido muito profundo a função da narrativa é colocar de forma formidável esse álibi em dúvida.

Pela mesma razão, quando acusações forem trocadas daqui a alguns parágrafos, nenhum personagem estará geometricamente mais longe da culpa do que Deus. Para chegar-se da transgressão até Deus será preciso passar da sedução à serpente, da serpente a Eva, de Eva a Adão (aqui a culpa já começa a se dissipar) e, no estágio mais distante, de Adão até Deus.

Deus posta-se perplexo na extremidade mais isenta do drama, mas esta sua posição no palco é, literariamente falando, outra pista falsa.

Essa revelação explica em parte o enigma da serpente; fica claro que sua função mais genuína na trama é colocar uma distância maior, um estágio adicional, entre a transgressão e Deus. Esta sua função despistadora é compartilhada por Eva e, num certo sentido, por Adão.

Porque é evidente que ninguém está mais presente neste momento do que Deus. A própria narrativa não consegue gastar uma linha sem denunciá-lo. Não apenas a serpente “era o mais astuto de todos os animais do campo que o Senhor Deus havia feito”, como tudo o que a serpente tem a dizer, desde o primeiro momento, diz respeito à presença do Criador e aos possíveis furos no álibi divino. “Foi assim que Deus disse?”

E não é de estranhar que seja assim, porque esta é a história dele.

Paulo Bravo
www.baciadasalmas.com

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Cidade dos mortos



Vivem dentro dos túmulos como se fossem casas. Cavaram a terra um pouco mais fundo para ganharem espaço, ergueram paredes para construir quartos e abriram janelas para terem luz e ar. O cemitério do Cairo continua a ser o sítio onde se enterram os mortos mas é lá que vivem também mais de 800 mil pessoas. Os mais pobres dos pobres. Famílias inteiras que não têm outro lugar onde morar.
Quando é preciso enterrar um morto nos túmulos habitados, as famílias entendem-se entre si e as que lá vivem saem cerimoniosamente para dar lugar às formalidades do funeral. Ficam de parte e esperam que todo o ritual se cumpra.
Depois de chorado, rezado e enterrado, o morto fica no túmulo da família original mas
passa a pertencer também à nova família, que mais tarde há-de voltar a casa num silêncio sepulcral e deferente.
Ao fim de pouco tempo de convívio com o morto ele deixa de ser um estranho e a família retoma a sua vida e as suas rotinas sem mais embaraços. Não se preocupam em purificar o ar e, muito menos, em sacudir o pó da terra remexida. Estão habituados à proximidade entre vivos e mortos e partilham aquela espécie de mudez tumular. Falam pouco, os que habitam os túmulos. Em especial dentro de casa, nos dias de enterro. No resto são como os outros: riem e choram, gritam e pasmam, zangam-se e abraçam-se, apaixonam-se, casam-se e separam-se. Enfim vivem e morrem.
Têm medos, claro, mas também aprenderam a vencê-los e o pior pavor é não ter o que comer nem nada para dar aos filhos. O governo foi obrigado a olhar para esta realidade e passou a dar-lhes pão, água e luz. Primeiro mandou electrificar o cemitério para que os túmulos não ficassem às escuras. Depois, vendo que a população aumentava da noite para o dia, levou-lhes água até uma fonte e começou a pagar quase todo o pão. Com o passar dos anos construiu uma escola e mais um hospital e agora o cemitério é uma verdadeira cidade. A lendária Cidade dos Mortos, com alamedas de terra escura onde crescem tamareiras altas e brincam crianças descalças, onde se cruzam homens e mulheres muito cansados e onde os rapazes e as raparigas apaixonados andam de mãos dadas.
filado do http://laurindaalves.blogs.sapo.pt/37164.html

O Pedro do Borel vai morar lá, Vamos Orar e que Deus abençoe

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Fotos ll

Cariri


Ultima viagem a Juazeiro, gosto de tirar fotos e estou treinando

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Procura-se

Justiça dos EUA arquiva processo contra Deus por não saber endereço de réu
Como não foi possível notificar o Criador, juiz decidiu encerrar processo.
Senador alega que Deus é onisciente e deve ser julgado por 'crimes'.

A Justiça de Nebraska, nos Estados Unidos, decidiu arquivar nesta quarta-feira o processo que um senador movia contra Deus. O juiz Marlon Polk, da corte distrital do condado de Douglas, disse que como o senador Ernie Chambers não informou no processo o endereço do réu, a Justiça não teria como notificar Deus.

No processo, Chambers acusa Deus de gerar medo e de ser responsável por milhões de mortes e destruições pelo mundo. Segundo ele, Deus gerou “inundações, furacões horríveis e terríveis tornados”.

Chambers comentou que Deus fez ameaças terroristas contra ele e seus eleitores. Conforme o senador, ele abriu o processo em Douglas porque Deus está em todos as partes.

"Como a corte não tem condições de notificar Deus, é preciso arquivar o processo", afirmou o juiz Marlon Polk em sua decisão.

Apesar de significar inicialmente uma "derrota", o senador encarou positivamente a decisão. "A corte reconheceu, desta forma, a existência de Deus", afirmou. "Desta forma, uma das conseqüências de reconhecer Deus é admitir sua onisciência. E, se Deus sabe tudo, Deus foi automaticamente notificado deste processo", completou.

Chambers tem agora 30 dias para decidir se vai ou não recorrer do arquivamento

Do G1, com informações da Associated Press
fonte;globo.com

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Feiúra americana

Eu quis vender. Você foi contra."
"Eu também quis vender."

"Você queria US$ 4 milhões. O corretor disse que valia US$ 3 e meio. Pagamos menos de US$ 300 mil. O mercado estava louco. A gente deveria ter vendido até por três e hoje estaríamos vivendo de renda."

As paredes da casa velha são grossas, mas você ouve a briga do casal vizinho no quintal e, depois, no quarto.

Milhões de casais americanos, como meus vizinhos, esta noite brigam por causa de dinheiro, dívidas, extravagâncias, a compra ou a venda da casa. Quem não tem culpa no cartório?

A primeira vez que fui a Londres, em 69, fiquei impressionado com a vida espartana dos ingleses. Meu colega da BBC, de quase 30 anos, dividia um apartamento de dois quartos e um banheiro com outros três jornalistas.

Aos 25 anos, meu padrão de jornalista do terceiro mundo - ainda não nos chamavam de emergentes - era mais alto em Nova York. Meu salário baixo me dava acesso a crédito. Tinha crédito e devia os tubos. Dinheiro de plástico era muito mais caro na Inglaterra.

A recessão dos 70 e a falência de Nova York renderam amarguras e oportunidades. Se não devesse tanto poderia ter comprado um apartamento de dois quartos, de luxo, ao lado da casa do prefeito por preço de terceiro mundo. Isto foi em 75. Em 90, fui entrevistar uma cantora que tinha comprado o apartamento. Valia 15 vezes mais.

Aprendemos a lição? Não. Nos 80, os masters of the universe promoviam a ganância, vendiam lixo - junk bonds - e gastavam US$ 5 milhões numa festa. Nos 90 entramos na bolha da internet. Pufffff. Na virada do século entramos na bolha imobiliária. Puffff.

A riqueza americana hoje tem muito mais papel do que produção.

Nos garantem que esta crise é pior do que a recessão dos 70 e que a queda da bolsa de 87 foi fichinha comparada com a atual. Tomara que seja verdade. Tomara que não seja. Minha atitude muda de hora em hora.

Por que os americanos não aprendem a viver como o resto do mundo? Por que uma casa comprada há 20 anos por menos de US$ 300 mil vale - ou valia - há poucos meses US$ 3 milhões e meio?

Estamos grudados na televisão para os debates políticos. Devemos trilhões. O senador McCain nos promete que vai pagar as hipotecas podres. O senador Obama promete que vai reduzir impostos para 95% dos contribuintes e dar seguro de saúde para 46 milhões de americanos.

E os Estados Unidos vão ser como antes? Não, melhor. A bolsa caiu seis dias seguidos.

No pânico financeiro de 1907, JP Morgan jogou os milhões dele na praça e acalmou o país. Agora é a vez do homem mais rico do mundo, Warren Buffet, tentar salvar o capitalismo. Injeta bilhões no mercado em baixa. E o mercado despenca.

O secretário do Tesouro esparrama dinheiro. US$ 85 bilhões para a AIG, uma das maiores seguradoras do mundo. Os executivos da empresa e seus vendedores pegam a grana, se reúnem num spa e gastam US$ 400 mil num fim-de-semana.

Deputados mostram as contas das massagens e manicures. Os americanos espumam de raiva. A história não foi bem assim, mas não há explicação perdoável. Todos nos sentimos lesados e revoltados. Forca é pouco para os CEOs e presidentes dos bancos de investimentos. Queremos esganá-los.

Nos canais econômicos, 24 horas de prejuízos por dia, o debate é sobre estatização de bancos. Modelo sueco dos 90 ou inglês?

Pela primeira vez em não sei quantos anos - de 10 a 25 - nos informam os analistas econômicos, os americanos pararam de consumir.

Uma tragédia para a economia, dizem uns. É a salvação, dizem outros.

São quase duas da manhã e o casal do lado está em ação na cama: "Eu quis vender!".
Lucas Mendes
De Nova York para a BBC Brasil